Não foi no primeiro, não foi no segundo, não foi no quinto, chegou apenas no oitavo – neste caso, parágrafo. Depois da comunicação do Relatório e Contas consolidado do exercício de 2025/26 à CMVM, a FC Porto SAD anunciou também no site oficial dos azuis e brancos as principais notas dos resultados apurados numa época que ficou marcada pela conquista do Campeonato. Foi aí, no oitavo parágrafo, que surgiu aquilo que fica em todas as temporadas como grande “número”: o valor final. E depois do lucro recorde de 39,2 milhões de euros conseguido há um ano, os dragões terminaram agora com um prejuízo de 21,1 milhões de euros.
Em resumo, e apesar da enorme flutuação de valores, os responsáveis do FC Porto apontam para quatro grandes dados para “justificar” o resultado final: a conquista do principal título nacional e consequente acesso à Liga dos Campeões dois anos depois; o aumento de alguns dos proveitos operacionais muito ligados ao trabalho feito no estádio e no match day; a vontade de não abdicar dos principais elementos da equipa após o forte investimento feito no verão de 2025, o que fez também com que o plantel dos azuis e brancos tenha o maior valor de mercado de sempre; e a redução de dívida financeira líquida em quase 30 milhões.
“O último exercício financeiro ficou marcado pelo aumento dos proveitos operacionais em 13% (mais 17,8 milhões) e pelo aumento em todas as linhas de receita: prémios UEFA (mais 39%), merchandising (mais 31%), bilhética (mais 33%), corporate hospitality (mais 9%) e publicidade (mais 8%), com um novo recorde de Lugares Anuais vendidos e um crescimento exponencial da média de espetadores no Estádio do Dragão”, destaca o resumo do Relatório e Contas que será explicado na manhã desta sexta-feira pelo CFO do FC Porto, José Pereira da Costa, que responderá a questões a par do líder dos dragões, André Villas-Boas.
FC Porto SAD com lucro de 1,9 milhões de euros no primeiro semestre de 2025/26
“O aumento dos custos operacionais deveu-se essencialmente ao forte investimento no plantel e ao aumento do número de jogos organizados no Estádio do Dragão. No mercado de verão de 2025/26, o FC Porto realizou um investimento de cerca de 110 milhões de euros – o maior de sempre numa única janela de transferências. Considerando as operações concretizadas durante o mercado de inverno, o investimento em aquisições definitivas ao longo da época aproximou-se dos 120 milhões de euros”, acrescenta o mesmo resumo, que justifica também o resultado líquido negativo com uma opção desportiva que foi assumida.
“O resultado com as cedências de passes de jogadores atingiu os 56 milhões, abaixo do valor médio nos últimos anos, fruto da aposta desportiva na manutenção dos jogadores principais – nenhum jogador transferido foi um dos mais utilizados em 2024/25. A alienação da subsidiária Porto Seguro à MDS gerou uma mais-valia de 9,2 milhões. No exercício financeiro 2025/26 houve ainda um cumprimento integral do Earn-Out relativo a EBITDA de bilhética, no valor de 15 milhões, no âmbito da alienação da Porto StadCo, SA à Ithaka, em 2024, tendo o valor relativo à alienação de 30% da Porto StadCo atingido os 80 milhões”.
“Tendo em conta o resultado operacional excluindo passes, o resultado relacionado com jogadores e os ganhos com a alienação de subsidiárias, o resultado operacional consolidado antes de resultados financeiros, o resultado relativo a investimentos e imposto sobre o rendimento foi positivo em 2,6 milhões de euros. Devido à participação na Liga Europa – compensada pelos resultados com transações de passes de jogadores de 56 milhões, por opção desportiva de manutenção dos principais elementos do plantel –, o resultado líquido foi negativo em 21,1 milhões e o resultado atribuível aos detentores de capital da empresa-mãe foi negativo em 26,3 milhões, face aos 39,2 milhões positivos no exercício anterior”, explica a SAD.
“Ainda assim, o resultado líquido atribuível aos detentores de capital da empresa-mãe no conjunto das duas últimas épocas (2024/25 e 2025/26) foi largamente positivo em 12,5 milhões, sendo que, em ambos os anos, o FC Porto não participou na Liga dos Campeões. No último exercício, registou-se uma redução da dívida financeira líquida em 29 milhões – face ao valor apresentado a 30 de junho de 2025 –, e essa dívida encontra-se estruturada em prazos mais longos e com um custo médio inferior. No mercado de verão de 2026, o clube garantiu a continuidade dos principais protagonistas da última campanha, reforçando a aposta desportiva para a época 2026/27. Com isso, o valor de mercado do plantel principal ascendeu aos 471 milhões – uma forte valorização face ao exercício anterior (392 milhões), atingindo o valor mais elevado de sempre e o valor mais elevado da Liga”, concluiu o mesmo resumo partilhado também com a CMVM.