Mais uma gala dos Dragões de Ouro, uma gala dos Dragões de Ouro que tinha tudo para não ser mais uma. O universo azul e branco voltava ao centro da cidade do Porto, no Super Bock Arena, para pontuar pela terceira vez num dos principais pontos da Invicta a consagração de mais uma época desportiva depois das edições de 2019, ainda com Pinto da Costa na liderança, e de 2024. Agora, com mais motivos de festejo: o regresso do futebol masculino aos triunfos no Campeonato, a conquista da Liga dos Campeões de hóquei em patins, a vitória do basquetebol na Liga uma década depois, o título recuperado pelo voleibol feminino, a ascensão da equipa de futebol feminino à Primeira Liga chegando a uma final da Taça, o aparecimento da nova secção de futsal que tem levado muita gente ao Dragão Arena. Um pouco de tudo para abrilhantar a noite.

Operações, reuniões internas, mais investimento, claques e uma nova estrutura: como Villas-Boas mudou o seu FC Porto para um novo FC Porto

“Surpresas para desvendar? Não, isso fica para depois… Em primeiro lugar é uma grande noite de portismo, a 39.ª edição dos Dragões de Ouro. Estamos muito contentes por celebrar o FC Porto e uma época que foi de sucesso. Habitualmente, os Dragões de Ouro são um pouco mais tarde, mas cada vez tentamos aproximá-los do aniversário do clube, que é o objetivo final. Que seja uma grande noite de celebração portista e parabenizar os dragonados”, comentou André Villas-Boas, presidente dos portistas, depois de uma longa antecâmara antes do início da cerimónia que foi aproveitada para ouvir dezenas de jogadores, treinadores, símbolos ou adeptos mais conhecidos que chegavam ao Super Bock Arena e passando pela passadeira azul.

“É por esta força que continuamos a incomodar muita gente”: Villas-Boas destaca “sinais encorajadores” após “um ano duro”

“Somos o FC Porto, o clube português mais titulado no conjunto das competições nacionais e internacionais de futebol. Recordamos presidentes que transformaram essa ligação em obra: Cesário Bonito, decisivo na aquisição dos terrenos das Antas; Urgel Horta, que presidiu à inauguração do estádio; Afonso Pinto de Magalhães, que reforçou o ecletismo e o crescimento associativo; e Américo de Sá, em cuja presidência, com José Maria Pedroto no banco, quebrámos o jejum de 19 anos sem vencer o Campeonato”, começou por dizer André Villas-Boas, antes de recordar, com particular emoção, o “presidente dos presidentes”.

“Jorge Nuno Pinto da Costa levou essa ambição ao topo da Europa e do mundo. Sob a sua liderança, fomos pentacampeões, fomos duas vezes campeões europeus e duas vezes campeões mundiais de futebol, construímos o Dragão, o Dragão Arena e o nosso centro de treinos no Olival. Afirmámo-nos internacionalmente em várias modalidades e aprendemos a exigir cada vez mais uns dos outros. A sua obra pertence para sempre à história do FC Porto e exige-nos, por isso, continuidade. O maior privilégio que um portista pode ter é ser útil ao FC Porto. Este clube deu-me muito, como adepto e como treinador, e presidi-lo é uma forma de lhe retribuir. Estou aqui para servir os sócios e ajudar a deixar um FC Porto mais forte”, prosseguiu, antes de olhar em resumo para tudo o que foi conquistado na temporada de 2025/26 sem deixar de passar por outro dos ausentes que o presidente portista nomeou com uma particular nostalgia.

” Há uma ausência que atravessa esta celebração: a de Jorge Costa, que daqui a sete dias completaria 55 anos. Perdemos um amigo, um capitão e um exemplo de coragem, mas o seu contributo permanece bem vivo no campeonato que conquistámos na época passada, marcada pelo seu trabalho, pelo seu portismo e pela sua exigência. Quando a sua bandeira desceu ao relvado, num momento que jamais esqueceremos, sentimos que o Bicho voltava a abraçar-nos e a celebrar connosco”, voltou a reforçar André Villas-Boas.

“Na última gala, reconhecemos uma época difícil, assumimos o que não tinha corrido bem e partilhámos a confiança num caminho que começava a ser construído. Hoje celebramos o trabalho que deu sentido a essa confiança. Se não nos escondemos quando falhámos, também não podemos acomodar-nos agora que vencemos. A responsabilidade é a mesma e o compromisso continua. A época de 2025/26 foi verdadeiramente o ano do Dragão. Ao 31.º título de campeão nacional sénior juntámos os títulos de Sub-19, Sub-17 e Sub-15, num pleno histórico, enquanto a equipa B igualou o seu recorde de pontos na Segunda Liga. No futebol feminino, conquistámos o título da Segunda Divisão, subimos à Primeira Liga e chegámos à final da Taça de Portugal no Jamor. No basquetebol, recuperámos o Campeonato que nos fugia há dez anos; no voleibol feminino, alcançámos a dobradinha; no hóquei em patins, erguemos a nossa quarta Liga dos Campeões. A estas conquistas somaram-se tantas outras, igualmente importantes, na natação, no bilhar, no desporto adaptado e na formação das diferentes modalidades”, elencou, antes de destacar Francesco Farioli.

“O regresso ao título do futebol nasceu de uma transformação profunda. Quem viveu a época anterior soube converter a dor em ambição, e quem chegou percebeu rapidamente o peso desta camisola. Houve dificuldades e momentos de sofrimento, mas houve sobretudo uma equipa que nunca se vergou, que se manteve unida e que colocou o coletivo acima de qualquer interesse individual. Aos jogadores, o nosso reconhecimento por terem correspondido à confiança de quem nunca deixou de acreditar em vocês. Ao nosso treinador, Francesco Farioli, o teu mérito não está apenas no método e no conhecimento do jogo, mas também na capacidade de unir, de ouvir e de fazer cada jogador acreditar na importância do seu contributo. O título reflete a competência da sua equipa técnica e o rigor do vosso trabalho. A confiança e a ligação que esta família criou com ele reconhecem também a tua humanidade. Há um ano, afirmámos a nossa convicção na tua escolha. Hoje agradecemos a forma como a honrou, sabendo que é o primeiro a exigir mais”, disse.

Posso também dizer-vos com orgulho que o novo Centro de Alto Rendimento em Gaia tem o licenciamento aprovado para avançar com a obra. É uma infraestrutura essencial. O objetivo não é só ganhar hoje, mas deixar o FC Porto mais preparado para vencer amanhã”, anunciou.

“Defender esta instituição exige firmeza dentro e fora do campo. Aceitamos a crítica, o escrutínio e a diferença de opinião, mas não aceitaremos que o respeito pelo FC Porto dependa da conveniência de quem fala. Não pedimos que nos poupem às perguntas difíceis; pedimos que sejam feitas a todos com o mesmo rigor. A quem informa e comenta, exigimos que distinga os factos das preferências, a crítica da insinuação e a opinião da militância. Os critérios não podem mudar consoante a cor da camisola. Não permitiremos que o ruído nos distraia mas também não deixaremos o clube sem defesa”, apontou depois numa parte mais pequena da intervenção em que falou mais para fora do que para dentro do clube.

“Estamos perto dos 200 mil sócios. É uma resposta que nos orgulha e responsabiliza, porque crescer não pode significar afastarmo-nos das pessoas. As mudanças nos Lugares Anuais pediram compreensão e um esforço financeiro que sabemos quanto custa na vida de tantas famílias. Agradecemos essa confiança e temos a obrigação de a retribuir com melhor serviço e proximidade e claro mais títulos. Não esquecemos quem não conseguiu renovar, muitas vezes depois de décadas de presença. A dificuldade de pagar um lugar nunca diminuiu o lugar de um sócio no FC Porto. O clube é vosso. A Direção e a Administração têm a responsabilidade de cuidar deste património e de o transmitir mais forte às gerações seguintes, sem esquecer quem o sustenta. A união que celebramos hoje tem de continuar nas bancadas, nos balneários e em cada departamento, porque o próximo título não se conquista com a recordação do anterior”, concluiu.

Seguiu-se depois a entrega de todos os Dragões de Ouro, com a participação do primeiro artista internacional numa gala: Nik Kershaw, cantor inglês de música pop com vários êxitos nos anos 80 como Wouldn’t It Be Good, The Riddle ou I Won’t Let the Sun Go Down on Me, que antecedeu uma homenagem a Jorge Palma (que esteve na cerimónia em 2014). Na primeira fila, várias figuras do panorama desportivo nacional, do secretário de Estado Pedro Dias ao presidente da FPF, Pedro Proença, passando pelo líder da Liga de Clubes, Reinaldo Teixeira, pelo número 1 do Comité Olímpico de Portugal, Fernando Gomes e pelo presidente da Câmara Municipal do Porto, Pedro Duarte, entre muitos outros.

Depois de momentos, discursos e histórias marcantes que renderam grandes ovações no Super Bock Arena, de Carla Oliveira (boccia) a Pedro Machado (basquetebol), o momento mais emotivo acabou por chegar na entrega do prémio de Equipa do Ano ao futebol. Todo o plantel dos azuis e brancos, entre jogadores e equipa técnica, subiu ao palco, Diogo Costa recebeu o Dragão de Ouro das mãos de Estela Costa, viúva de Jorge Costa, e, depois de um curto discurso, quis entregar o galardão de novo à família do antigo capitão e diretor do futebol. “Este Dragão de Ouro também é da Direção, foi muito o trabalho coletivo para colocar o FC Porto no lugar onde deve ser. Não sabia que a equipa tinha que subir ao palco. Só faz sentido dedicarmos isto a uma pessoa, ao nosso eterno Jorge Costa. Só faz sentido entregar este Dragão de Ouro à Estela e à sua família. Viva o FC Porto”, salientou o guarda-redes e capitão, com todos os presentes de pé a aplaudir.

Havia ainda um momento que, por si só, seria sempre um “momento”: Paulo Futre recebeu o Prémio Vintage das mãos de João Pinto, dedicando o troféu a toda a equipa e recordando também Pinto da Costa. “Lá em cima, ele está de certeza muito orgulhoso do teu trabalho”, atirou, antes de recordar a célebre frase do antigo líder dos azuis e brancos quando o contratou em julho de 1984: “Aí não te querem carago, mas no FC Porto vais ser tu e mais dez”. “Ele era a única pessoa no planeta que acreditava em mim. Três anos depois, era campeão europeu e meio mundo achava que eu era o melhor do planeta”, destacou.

A lista de premiados dos Dragões de Ouro de 2026

  • Parceiro do Ano: Tetris (empresa responsável pela construção e renovação dos camarotes VIP)

  • Casa do Ano: Casa do FC Porto de Marco de Canaveses

  • Funcionário do Ano: Fernando Machado

  • Projeto do Ano: Festa do Título

  • Seccionista do Ano: José Soares (bilhar)

  • Modalidades Amadoras do Ano: Carla Oliveira (boccia)

  • Atleta Modalidades de Pavilhão do Ano: Gonçalo Alves (hóquei em patins)

  • Prémio Dedicação do Ano: Pedro Machado (basquetebol)

  • Prémio Revelação do Ano: Mateus Mide

  • Prémio Atleta do Ano: Diogo Costa

  • Prémio Futebolista do Ano: Victor Froholdt

  • Equipa do Ano: Futebol (entregue a Estela Costa, viúva de Jorge Costa)

  • Treinador do Ano: Francesco Farioli (futebol)

  • Prémio Carreira: Teófilo Cubillas (futebol)

  • Sócio do Ano: Armando Pinto

  • Prémio Recordação do Ano: Ilídio Pinto (hóquei em patins)

  • Prémio Vintage: Paulo Futre

  • Dragão de Honra: António Nicolau de Almeida