Há cada vez mais crianças a viver internadas nos serviços de pedopsiquiatria sem necessidade de tratamento hospitalar, mas apenas por não haver vagas em instituições sociais. A notícia é avançada pelo jornal Expresso, que revela como em Lisboa e Vale do Tejo estes casos correspondem já a 25% das camas de internamento.
Escreve o semanário que se trata de casos de crianças “muitas vezes com défice cognitivo, autismo ou problemas emocionais e de comportamento decorrentes de experiências traumáticas” que foram rejeitadas pela família ou retiradas aos pais para sua proteção. Como não têm vaga em instituições de acolhimento residencial, os tribunais mandam-nos internar nos hospitais por tempo indeterminado, enquanto se aguarda por uma solução. Há casos de crianças que chegam a ficar dois anos internadas, sem poderem sair ou sequer ir à escola.
Não só os internamentos são desadequados para estas crianças e jovens, como “a ocupação indevida destes recursos compromete a admissão de menores em crise”, refere a presidente do colégio da especialidade da Ordem dos Médicos, ao jornal. Uma advogada especialista em família e menores que já foi chamada pela Ordem dos Advogados para se pronunciar sobre estes casos também considera que a resposta é “lesiva” para os menores e “ilegal”.
O Conselho de Administração da ULS São José, a que pertence o Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, terá denunciado há mais de um ano a situação, que considera ilegal, a várias entidades, incluindo à Provedoria de Justiça, à Procuradoria-Geral da República, aos Ministérios da Saúde e da Justiça, ao Conselho Superior da Magistratura, à Ordem dos Advogados e à Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens.
[Pela primeira vez em doze anos, Annie regressa finalmente a Lisboa. A revolução está nas ruas e Fernando Silva Pais está preso em Caxias. A filha vai fazer tudo para o tentar libertar, mas também vai aproveitar para festejar — e não só. Já pode ouvir “Uma ‘deusa’ no 25 de Abril”, o quarto episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]
Mental é uma secção do Observador dedicada exclusivamente a temas relacionados com a Saúde Mental. Resulta de uma parceria com o Hospital da Luz e tem a colaboração do Colégio de Psiquiatria da Ordem dos Médicos e da Ordem dos Psicólogos Portugueses. É um conteúdo editorial completamente independente.
Uma parceria com:
Com a colaboração de: