Cerca de 1.180 animais selvagens foram recebidos no primeiro semestre do ano nos três centros de recuperação da Quercus, anunciou este sábado a associação de conservação da natureza.
No Dia Mundial das Aves Migratórias, que se assinala neste sábado, a Quercus destacou o caso “milagroso” de uma águia-cobreira eletrocutada e recuperada no centro de Castelo Branco, que já está em liberdade.
“Esta ave migratória, que todos os anos percorre milhares de quilómetros entre a Europa e África, viu a sua sobrevivência ameaçada por um dos maiores perigos para as rapinas de grande envergadura: as linhas elétricas”, afirmou a Quercus em comunicado.
“O exame físico concluiu o que, normalmente, é uma sentença de morte: a águia apresentava sinais compatíveis com eletrocussão”, acrescentou a associação.
Cuidados veterinários especializados, alimentação assistida e tratamentos diários das lesões, nomeadamente com uma técnica de laser, permitiram a recuperação da ave.
“A maior parte dos animais selvagens que sofrem eletrocussão não sobrevivem. Mas, contra todas as probabilidades, os tecidos começaram a regenerar-se, a ferida evoluiu favoravelmente e a ave recuperou forças”, relatou a Quercus.
No dia 11 de setembro, a águia foi devolvida à natureza.
As aves representam mais de 85% dos animais recebidos nestes centros.
No centro instalado no Cadaval, foram recebidos 484 animais, enquanto nas instalações de Castelo Branco deram entrada 380 animais e nas do litoral alentejano, 317.
Destes animais, 1.055 chegaram vivos aos centros, onde são assegurados cuidados médicos e, sempre que é possível, são devolvidos à natureza.
As aves migratórias estão entre as espécies mais acolhidas nestas estruturas.
De acordo com a Quercus, o centro de Castelo Branco recebeu 60 elementos da população de andorinhão-preto, 44 andorinhas dos beirais e 33 pardais de telhado.
Em Santo André, no litoral alentejano, destacaram-se o pardal de telhado, com 45 entradas, o papagaio-do-mar (36 aves) e a andorinha dos beirais (33).
No centro de Montejunto (Cadaval), as espécies com mais entradas registadas foram o pato-real (56 animais), o ouriço-cacheiro (43) e a andorinha-dos-beirais (22).
O mês de junho foi o que concentrou a chegada de mais animais aos centros (509), um aumento associado à época de reprodução de muitas espécies.
A principal causa de entrada nos três centros foi a queda do ninho / presença de animais órfãos.
A quem encontrar um animal selvagem ferido, debilitado ou aparentemente órfão, a Quercus aconselha a que não o recolha ou alimente sem orientação especializada. O procedimento correto é contactar as entidades competentes, o que pode ser feito através da Linha SOS Ambiente e Território: 808 200 520.