Depois de um período mais complicado com dois empates fora na Serie A com Juventus e Lazio e a derrota com o Benfica em San Siro no arranque da Liga Europa, o triunfo claro do AC Milan diante do Lecce antes da paragem para as seleções acabou por ser um bálsamo para olhar de outra forma para a temporada em curso. Mais: o ponto de partida para a jornada continuava a deixar os rossoneri com possibilidade de ficarem a dois pontos da liderança do Inter, sabendo que Como e Roma tinham empatado sem golos e com isso perdido terreno. No entanto, e antes do regresso com uma partida fora diante do Sassuolo, havia outro tema paralelo muito abordado pela imprensa transalpina: poderia Gonçalo Ramos continuar na senda de golos marcados que alcançou na Seleção depois da saída de Cristiano Ronaldo, com três golos noutras tantas titularidades?
“O Gonçalo marca por Portugal e aqui não? Tenho de me concentrar no bem da equipa e não neste ou naquele jogador. É claro que temos de criar mais oportunidades e colocar mais bolas na área mas não apenas para o Gonçalo [Ramos]. O meu objetivo é ganhar jogos. Até agora marcámos apenas dez golos. Temos de fazer melhor, criar mais ocasiões de perigo. Não estou satisfeito com o nosso momento ofensivo e com as oportunidades geradas”, admitiu Ruben Amorim a esse propósito, abrindo o jogo em relação ao que quer melhorar neste segundo ciclo da temporada em que não contaria com o lesionado Alexis Saelemaekers.
“Agora temos de acelerar. Não sei dizer se a interrupção no calendário durante tanto tempo foi positiva ou negativa, depende sempre do momento da equipa. Quem tinha lesionados, por exemplo, teve mais tempo para recuperar. Tivemos muitos internacionais, que jogaram e estiveram bem, mas depois há o caso de De Winter, que não somou minutos e esteve 20 dias sem poder treinar no limite. O mais importante é que os meus jogadores estão muito felizes por regressar”, acrescentou o técnico português, que fez também um mea culpa na conferência de antevisão por não ter capacidade para dominar ainda a língua italiana.
“Lamento ainda não falar italiano. Se fosse jogador de futebol, seria mais fácil, mas na minha posição preciso de ter muito cuidado com cada palavra que digo. Ao falar com Fabio Capello ou nas conferências de imprensa, por exemplo. Não quero causar problemas nem quero que as minhas ideias sejam exploradas. Peço desculpa porque sei o quanto a comunicação é importante”, admitiu num momento que voltou a contar com Gerry Cardinale no fundo da sala, numa semana em que o fundador da RedBird Capital Partners e o proprietário do AC Milan deu nas vistas por um chapéu à Trump com “Make Milan Great Again”. Gostos à parte, estava dado o mote para os rossoneri arrancarem da melhor forma este novo ciclo de jogos.
No entanto, e ao longo de toda a primeira parte, manteve-se parte do principal problema da equipa: a hora da finalização. Já depois de ter perdido Gabbia por lesão, e num encontro que começou com poucos motivos de interesse, o AC Milan teve um quarto de hora final antes do intervalo a todo o gás onde foi falhando vários golos em oportunidades claras: Rabiot desviou de cabeça por cima na área um livre de Diego Moreira (30′), Gonçalo Ramos teve um remate fortíssimo na área para defesa de Muric (43′), o mesmo Gonçalo Ramos apareceu de rompante ao segundo poste para cabecear um cruzamento de Chukwueze para nova intervenção do guarda-redes (44′), Pavlovic atirou com perigo para outra intervenção de Muric (45+5′).
Não estava fácil desbloquear a partida mas, depois, o problema acabou por ser mesmo a incapacidade de gerir a vantagem. Rabiot marcou num grande remate de pé esquerdo após assistência de Luka Modric (63′) mas o Sassuolo teve uma resposta quase imediata, ficando próximo do empate logo dois minutos depois e fazendo mesmo o 1-1 na sequência de um canto em que todos os defesas ficaram a olhar para o desvio final de Odenthal (68′). A formação de Aquilani, antigo médio italiano do Sporting, voltava à sua zona de conforto na partida e conseguiria mesmo travar o AC Milan, que teve Ruben Amorim de novo a desfazer a linha de três em busca de algo mais mas sem capacidade de impedir mais um deslize forasteiro na Serie A.