As freguesias vão fechar todos os serviços a 4 de novembro em protesto, caso até lá não existam garantias de que as suas principais reivindicações serão aceites no Orçamento do Estado para 2027, anunciou a Associação Nacional de Freguesias.

“Iremos avançar com uma convocação para todas as freguesias do país para o encerramento de todos os serviços das freguesias no dia 4 de novembro. Todos os serviços. Portanto, não só atendimentos, mas todos os serviços associados às freguesias do país”, disse Francisco Branco de Brito, após uma reunião extraordinária do Conselho Diretivo da Associação Nacional de Freguesias (Anafre), realizada esta segunda-feira em Pombal, no distrito de Leiria, para analisar a proposta do Governo.

Segundo o autarca, o protesto serve para demonstrar “o descontentamento” das freguesias “e também para demonstrar qual é que é o real impacto das freguesias”.

“Porque, olhando para esta proposta do Orçamento do Estado e não tendo aqui atendidas as nossas reivindicações, aquilo que sentimos é que as freguesias não são importantes para o Ministério das Finanças. E, então, iremos demonstrar efetivamente qual é que é o nosso impacto na sociedade se até lá não tivermos a garantia dos partidos políticos que na especialidade incluem as nossas reivindicações”, disse.

O autarca lembrou que no dia 22 de julho foi enviada ao primeiro-ministro, ao ministro das Finanças e ao ministro da Economia e da Coesão Territorial uma carta com “quatro pedidos”, um dos quais relembrava o aumento de 1% na base de cálculo de receita do Estado, para as freguesias, com base no acordo político tripartidário aquando das negociações para os órgãos sociais da Anafre, assinado por PSD, PS e CDS.

“Neste momento, a Lei das Finanças Locais prevê 2,5% e estava previsto um aumento para 3,5% neste Orçamento do Estado”, esclareceu.

As freguesias pretendem ainda a passagem dos autarcas em meio-tempo nas freguesias para tempo inteiro, para assegurar a disponibilidade dos autarcas para “exigências cada vez maiores”, a atualização dos valores transferidos para as freguesias do concelho de Lisboa, “que têm sofrido a pressão dos constantes aumentos salariais sem que haja as devidas atualizações”, e o direito de preferência na aquisição de imóveis, tal como já acontece com os municípios.

“Nenhuma destas solicitações foi atendida. A reforma administrativa de Lisboa tem um aumento, mas que não é suficiente para aqueles que têm sido os aumentos. Portanto, em síntese, não foram atendidas”, acrescentou.

O Conselho Diretivo deliberou ainda avançar com pedidos de reunião urgentes aos partidos com assento parlamentar para que alterações possam ser incluídas na discussão da proposta de Orçamento do Estado na especialidade, além de uma reunião de urgência ao primeiro-ministro, com a presença do ministro das Finanças.

“Naturalmente estamos disponíveis para negociar com todos”, salientou.

Se as reivindicações das freguesias não forem atendidas, depois do encerramento total dos serviços a 4 de novembro, a Anafre está a considerar “outras formas de luta”.

“Posicionamos também encerrar de forma permanente todos os serviços associados ao Estado Central, nomeadamente Espaços do Cidadão, Balcões SNS24, serviços de pensão na hora que estão associados à Segurança Social”, concluiu.

Segundo a proposta do Orçamento do Estado para 2027, entregue no parlamento, as freguesias vão receber no próximo ano uma subvenção geral de 440,1 milhões de euros.

A proposta vai ser discutida e votada na generalidade entre 27 e 28 de outubro. A votação final global está marcada para 24 de novembro, após o processo de debate na especialidade.