A Assembleia Municipal de Lisboa (AML) aprovou esta terça-feira um voto de pesar pela morte de Maricarmen Abascal, cujo despejo se tornou um símbolo da luta pelo direito à habitação em Espanha.
O voto foi apresentado pelo grupo municipal do BE e subscrito pelo PAN e Livre, tendo sido aprovado na maioria dos seus pontos com os votos favoráveis de BE, PAN, Livre, PS, PEV, PSD, IL e CDS-PP e a abstenção do Chega.
Contudo, o ponto referente à reafirmação por parte da AML da “habitação como um direito fundamental, que deve ser garantido e protegido pelos poderes públicos”, foi aprovado com os votos contra de PSD, CDS-PP e Chega e a favor das restantes forças políticas.
No documento, o BE realçou que “também em Lisboa, onde a crise da habitação continua a afetar profundamente a vida de milhares de residentes, a história de Maricarmen Abascal serve de alerta para a necessidade de garantir políticas públicas que coloquem o direito à habitação acima da especulação imobiliária e assegurem proteção efetiva às populações mais vulneráveis”.
Morreu Maricarmen, a espanhola de 87 anos despejada que reacendeu a luta pela habitação em Espanha
Os deputados municipais guardaram um minuto de silêncio em memória da mulher de 87 anos despejada a 23 de setembro em Madrid, que morreu no dia 7 de outubro, após 15 dias hospitalizada.
A luta de Maricarmen junto do Sindicato de Inquilinos, para não ser despejada do apartamento arrendado onde residiu 71 anos, no bairro madrileno de Retiro, intensificou protestos pelo direito à habitação que resultaram no acampamento de uma multidão na Porta do Sol, na capital espanhola, e levaram o Governo a aprovar dois decretos que o Congresso depois chumbou.