O escritor canadiano-haitiano Thélyson Orélien garantiu esta terça-feira, num texto enviado à AFP, que “nenhuma frase” do seu romance “C’était ça ou mourir” “foi criada” por inteligência artificial (IA), mas admitiu plágios, pelos quais pede “desculpas”.

“Diz-se que C’était ça ou mourir [Era isso ou morrer] foi escrito por uma inteligência artificial. É uma calúnia e uma heresia. Recorri aqui e ali a ferramentas para pesquisas (…) Mas nenhuma frase deste livro foi criada por uma máquina”, escreveu Thélyson Orélien no texto, intitulado “Este romance que escrevi”.

O autor reconheceu, contudo, ter “cometido erros inaceitáveis” ao plagiar textos de autores reconhecidos após a sua chegada ao Canadá.

No dia 25 de setembro, a Academia Goncourt excluiu este romance da corrida àquele que é considerado o principal prémio literário francês, após o autor ter sido acusado de recurso à inteligência artificial e de plágio, justificando a decisão com a necessidade de preservar a integridade do prémio e da instituição.

As acusações foram lançadas pela conta “Balance ton Claude”, na rede social X, que afirmou que o romance tinha sido escrito “quase integralmente” por IA, com base na análise de excertos pelo programa de deteção Pangram.

Mais tarde, o ensaísta e comentador francês Samuel Fitoussi, colaborador do diário Le Figaro, revelou fazer parte do coletivo responsável por esta conta.

A AFP submeteu os mesmos excertos a outros detetores, obtendo resultados divergentes, entre passagens consideradas “muito provavelmente escritas por um ser humano” e uma probabilidade de 100% de terem sido geradas por IA.

Thélyson Orélien, de 38 anos, negou desde o início as acusações e afirmou estar a preparar, com os seus editores, um dossier para provar que tinha escrito o livro.

Na altura, explicou também à AFP que, para a elaboração do romance, conversou com numerosos haitianos que viveram a experiência do exílio.

A história acompanha Jonas Dorléon, um professor haitiano que foge da violência dos gangues e atravessa 12 países numa perigosa viagem até ao Canadá.

A editora canadiana Boréal anunciou a suspensão das atividades promocionais do livro, afirmando que naquela fase não podia confirmar nem refutar as alegações.

Publicado na primavera pela Boréal e, em França, pela Grasset, o romance de estreia de Thélyson Orélien conquistou o Prémio Romance Fnac 2026 e tornou-se um dos sucessos da rentrée literária francesa.

Até à sua publicação, Thélyson Orélien era praticamente desconhecido no meio literário, mas a sua obra de estreia recebeu elogios e tem publicação prevista em mais de 20 países.

Além disso, o livro está também entre os selecionados para os prémios literários Médicis e Femina.

[Annie conhece o ministro do Interior de Cuba há muito tempo, mas a paixão que os une é relativamente recente. É justamente nessa altura que Zé Manel, como ela lhe chama, vai ser implicado num dos maiores escândalos da liderança de Fidel Castro. O “Caso Ochoa” envolve droga, fuzilamento, prisão e o narcotraficante mais conhecido do mundo: Pablo Escobar. Já pode ouvir o quinto episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]