Uma aliança estratégica entre 24 entidades e agentes culturais do Alentejo e da Estremadura espanhola foi esta segunda-feira constituída, em Évora, com o objetivo de criar um “corredor” que promova a cultura nestes territórios.
Designada “A Fronteira da Cultura”, a iniciativa foi oficialmente lançada esta segunda-feira, numa cerimónia realizada no Colégio do Espírito Santo, da Universidade de Évora (UÉvora).
Em comunicado, a universidade alentejana, uma das fundadoras, explicou tratar-se de “um espaço cultural transfronteiriço” entre o Alentejo e a Estremadura e entre Portugal e Espanha.
As 24 instituições e agentes culturais que, por agora, formam a comunidade “assumem conjuntamente o compromisso de criar novas pontes entre territórios, entre artistas, investigadores e comunidades, estimulando projetos comuns”, acrescentou a UÉvora.
Na cerimónia, os representantes das entidades fundadoras assinaram a Declaração de Évora, que estabelece os compromissos e os princípios orientadores desta “Fronteira da Cultura”.
Em declarações aos jornalistas, o vice-reitor da Universidade de Évora para a Cultura e Sociedade, António Sáez Delgado, indicou que, com esta iniciativa, é criada “uma espécie de aliança estratégica” para a cultura entre as 24 instituições.
O objetivo, numa primeira fase, continuou, passa por “criar um corredor cultural” envolvendo os concelhos de Évora e Estremoz, ambos no distrito de Évora, de Elvas, distrito de Portalegre, e os de Badajoz, Mérida e Cáceres, na região espanhola da Estremadura.
A ideia, explicou, é que cada um dos intervenientes coloque à disposição dos demais “recursos culturais”, que permitam a circulação de músicos, exposições, peças de teatro, cinema, entre outras artes.
“O objetivo mais ambicioso é que esta nossa fronteira entre Espanha e Portugal, entre o Alentejo e a Estremadura fique reconhecida como uma fronteira marcada pela cultura, pela consistência da sua capacidade cultural”, assumiu Sáez Delgado.
À semelhança “da fronteira do norte, que tem uma grande dimensão económica, ou a fronteira do sul, turística, nós aqui temos uma grande capacidade para criar cultura de qualidade e, portanto, a ideia básica é criar um corredor cultural”, comparou.
A iniciativa, que deve começar a funcionar “no primeiro trimestre de 2027”, arranca com 24 participantes, mas está aberta à adesão de mais instituições e agentes culturais interessados, oriundos de outros concelhos de ambas as regiões.
Segundo o vice-reitor da UÉvora, “ainda antes do final do ano”, deverá ser lançada uma página de Internet do projeto, que junte as entidades promotoras, assim como “uma espécie de banco de dados de recursos internos”.
Nessa plataforma, “cada entidade pode ir “pescar” o recurso em que tiver interesse, sendo que o esquema de parceria funciona como uma comunidade” em que “ninguém vai ganhar dinheiro”, disse.
O “projeto inovador” em Portugal e Espanha integra esta primeira fase no âmbito da cultura contemporânea, que vai durar “provavelmente durante dois anos”, mas, a seguir, quer alcançar outros domínios sempre com a cultura no centro da atividade.
“Passaremos para o património, para conseguir partilhar estruturas e recursos à volta do património, e, numa terceira fase, para o turismo, para preparar pacotes turísticos à volta da cultura” no Alentejo e na Estremadura, revelou.
Do lado português, além da UÉvora, estão envolvidos a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo, Associação Évora 2027, municípios de Évora, Estremoz e Elvas, Fundação Eugénio de Almeida (FEA), INATEL, Museu de Arte Contemporânea de Elvas e associação ARTMOZ, entre outros.
Em Espanha, a iniciativa agrega entidades como a Junta e a Universidade da Estremadura, ‘ayuntamientos’ de Badajoz, Mérida e Cáceres, Museu Extremeño e Iberoamericano de Arte Contemporánea (MEIAC), Festival Ibérico de Cinema, Fundação Ortega Muñoz, Orquestra da Estremadura e o Museu Vostell Malpartida.