A Comissão Política Nacional do PS reúne-se na quarta-feira para discutir o sentido de voto no Orçamento do Estado para 2027 (OE2027) após o líder socialista ter defendido a viabilização pela abstenção.

Fonte oficial do partido adiantou à agência Lusa que a reunião será antecedida por uma outra do órgão mais restrito, o Secretariado Nacional do PS.

Os dirigentes do PS vão discutir, entre outros temas, a proposta do OE2027 que foi entregue pelo Governo e que será debatida e votada na generalidade na próxima semana, bem como a posição do partido sobre este documento.

O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, propôs a viabilização do orçamento, através da abstenção, depois das garantias que foram deixadas pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, sobre as condições que tinham sido colocadas pelo partido.

O PS tem justificado esta decisão com a defesa da estabilidade política num período de incerteza internacional, explicando que quer evitar empurrar o “país para um precipício político”.

Na Comissão Nacional do PS sobre este tema, em 10 de outubro, Carneiro admitiu que as “convicções mais profundas” levariam a um voto contra num “mau Orçamento do Estado”, mas explicou que optou pela abstenção porque a oposição é ao Governo e não ao país.

Segundo o presidente do PS, Carlos César, a Comissão Nacional do PS manifestou a sua concordância com a viabilização do OE2027, tendo o dirigente socialista defendido o “sentido de responsabilidade” no atual contexto de crise internacional.

“Eu acho que a manifestação de vontade ocorrida nesta Comissão Nacional foi extremamente significativa. Entre mais de quatro dezenas de oradores, e em cerca de 200 pessoas presentes, não houve uma única que não tivesse expressado a sua concordância com aquilo a que o PS se propõe [abstenção], que no essencial é uma clareza em matéria de abordagem da questão orçamental”, respondeu Carlos César aos jornalistas no final dessa reunião do órgão máximo entre congressos.

Nessa mesma intervenção, o secretário-geral do PS anunciou que, na especialidade do Orçamento do Estado para 2027, vai apresentar propostas para responder ao aumento do custo de vida, concretamente combustíveis, energia e alimentação, sem “comprometer o equilíbrio das contas públicas”.