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Cerca de 100 pessoas estão desde o final da tarde concentradas em frente ao edifício da Câmara Municipal de Évora, algumas “munidas” de cartazes, para exigir habitação digna para a população.

“Em Évora, também sofremos com falta de habitação e condições dignas de habitação para a maior parte da população”, disse à agência Lusa Juliana Fonseca, uma das participantes no protesto.

A iniciativa, convocada através das redes sociais, arrancou pouco depois das 18h00, com as pessoas, aos poucos, a reunirem-se na Praça do Sertório, no centro histórico de Évora.

Empunhando cartazes nos quais se podem ler mensagens como “Egoísta? Então dá-me um dos teus 55 imóveis”, “Luís, não sejas egoísta, dá-me uma das tuas” ou “Rendas de luxo, salários de lixo”, os participantes entoaram palavras de ordem como “gente sem casa, tanta casa sem gente”.

Numa das áreas da praça, alguns procuraram replicar uma casa, com recurso a caixas de cartão, e penduraram na estrutura o aviso “Okupa-se”.

Pouco depois das 19h00 iniciou-se uma assembleia popular, que, de acordo com Bento Anastácio, um dos promotores da iniciativa, vai decidir o que se vai fazer a seguir.

“A especulação quer da construção, quer do aluguer e a falta de reconstrução no centro histórico faz com que pessoas tenham saído da cidade. E uma cidade sem pessoas não é cidade”, afiançou.

Já Juliana Fonseca exemplificou à Lusa que “a maior parte dos jovens não consegue ter uma casa e precisa de dividir uma com amigos ou familiares”.

“Há pessoas de 50 e 60 anos que foram obrigadas a deixar as suas casas e estão também a dividir casa com estudantes”, contou.

Antes do início da assembleia popular, o presidente da Câmara de Évora, Carlos Zorrinho, marcou presença na manifestação para cumprimentar alguns dos participantes e expressar compreensão em relação aos motivos da iniciativa.

A assembleia popular ainda decorria, por volta das 19h15, com intervenções de pessoas que aderiram ao protesto, sob olhar atento de alguns agentes fardados da PSP.

Os atuais protestos pelo direito à habitação e o custo de vida em Portugal tiveram início na cidade do Porto, no dia 10 deste mês, com cerca de 1.500 manifestantes a juntarem-se na Praça D. João I e a pernoitarem no local em tendas de campismo.

Nesse dia, a plataforma cívica “Não dá mais para viver assim” promoveu protestos também em Aveiro, Braga e Lisboa reivindicando o controlo dos preços dos bens essenciais e dos combustíveis, impostos sobre os lucros extraordinários das grandes empresas do setor bancário, energético e da distribuição e medidas que respondam à crise na habitação.

No dia 15, o movimento que protestava no Porto, já no formato de uma acampada, denunciou uma carga policial violenta durante a madrugada que causou ferimentos em 39 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave, e num polícia, e à noite cerca de três mil pessoas juntaram-se aos manifestantes iniciais, mas acabaram por dispersar.

As tendas voltaram ao local no sábado e a acampada alastrou nesse dia à cidade de Lisboa. Esta terça-feira de madrugada, enquanto o protesto da cidade nortenha foi terminado perante os avisos de intervenção policial, as autoridades removeram dezenas de tendas na capital e detiveram 55 pessoas por desobediência, entretanto libertadas, que serão ouvidas na quarta-feira por um juiz.

Novas assembleias populares estão marcadas para esta terça-feira nas duas cidades e em outras, como Coimbra ou Faro.