Os “Portuguese Cinema Days in Berlin” regressam à capital alemã entre 26 de outubro e 03 de dezembro, com 12 sessões de cinema português e uma programação que cruza diferentes temas e estilos.

“Foi realmente difícil escolher entre tantos filmes, e tão bons”, revelou à Lusa Helena Araújo, organizadora do festival e fundadora da associação cultural 2314, explicando que a organização começou por prever oito sessões, mas acabou por alargar o programa para 12.

A edição deste ano reúne longas-metragens e documentários que abordam temas como o racismo, a imigração, as alterações climáticas e as mudanças sociais em Portugal.

“Alguns filmes mudam a perspetiva deste olhar, pondo ‘o outro’ a falar na primeira pessoa e convidando o espetador à empatia que nasce da escuta”, destacou Helena Araújo.

O festival abre a 26 de outubro com “Sonhar com Leões”, de Paolo Marinou-Blanco, e uma conversa com o realizador. A 29 de outubro, exibe “A Memória do Cheiro das Coisas”, de António Ferreira, escolhido também por estar na corrida ao Óscar de melhor filme internacional.

“Um dos objetivos iniciais do festival foi permitir aos portugueses residentes em Berlim ver no cinema os filmes de que mais se fala em Portugal”, explicou Helena Araújo.

Entre os destaques seguintes estão “Orlando Pantera”, documentário de Catarina Alves Costa sobre o músico cabo-verdiano, a primeira longa-metragem de Diogo Costa Amarante, “Estamos no Ar”, e “As Meninas Exemplares”, de João Botelho, numa adaptação de obras da Condessa de Ségur que dialoga com o universo de Paula Rego.

A programação inclui ainda “A Árvore do Conhecimento”, de Eugène Green, “Lavagante”, de Mário Barroso, e o documentário “Nós, Povo das Ilhas”, de Elson Santos e Lara Sousa, sobre a luta pela independência de Cabo Verde.

A 26 de novembro será exibido “O Vento Assobia nas Gruas”, adaptação do romance de Lídia Jorge, e a 30 de novembro haverá uma sessão dupla com “Kora”, de Cláudia Varejão, e “Bulakna”, de Leonor Noivo. O festival encerra a 3 de dezembro com “18 Buracos para o Paraíso”, de João Nuno Pinto.

A seleção procura chegar tanto à comunidade portuguesa como ao público internacional.

“Procuramos escolher filmes que nos pareçam acessíveis quer para um público português residente em Berlim quer para um público internacional”, sustentou a organizadora.

As conversas com realizadores após as sessões são uma das marcas do festival, embora a presença dos convidados dependa dos compromissos profissionais e do orçamento disponível.

“O nosso público aprecia imenso essa possibilidade de conversar com o realizador no final da exibição”, sublinhou Helena Araújo nas declarações à Lusa, destacando também o convívio informal que se segue, muitas vezes acompanhado por vinho do Porto.

“Os Portuguese Cinema Days in Berlin seriam impensáveis sem este elemento de convívio e troca de ideias após a exibição do filme”, acrescentou.

Criado em 2018, o festival chega à oitava edição e passou a integrar a lista de festivais de cinema do portal oficial da cidade, o “berlin.de”.

“É uma grande satisfação ver que a cidade de Berlim reconheceu oficialmente que o nosso festival de cinema faz parte integrante da oferta cultural da cidade”, salientou Helena Araújo.

O festival mantém-se sobretudo graças ao trabalho voluntário, mas a equipa tem vindo a crescer com a entrada de jovens portugueses.

“Esta renovação geracional dá-nos confiança na continuidade do festival e na possibilidade de o desenvolver nos próximos anos”, realçou.

Os “Portuguese Cinema Days in Berlin” decorrem no cinema Moviemento, em Berlim, com filmes na língua original e legendas em inglês.