Um cão-pregadeira, uma safira de Caxemira de 5,62 quilates ou uma pulseira de esmeralda e diamante apresentada pela imperatriz Eugénia de Montijo a Françoise Laurence Staouëli de La Rochelambert, filha do Marquês de La Rochelambert. São algumas das peças do “leilão de joias de Genebra: VII”, promovido pela Phillips e agendado para o próximo dia 9 de novembro. A temporada assinala a segunda vez que a venda contará com a recém-introduzida secção Coleções & Prova, dedicada a joias de período, peças assinadas e objetos distinguidos pela sua proveniência excecional. Os destaques farão uma digressão internacional por Nova York, Singapura, Paris, Londres e Taipei, antes de chegarem a Genebra para a exposição completa no Hôtel President.
Uma das criações em evidência neste leque é um colar de pérolas e diamantes que pertenceu à Rainha Mary de Teck (1867-1953), “uma das mais significativas colecionadoras de joias da história real britânica”, sublinha a leiloeira. O colar foi encomendado pela consorte do rei Jorge V em 1928 ao joalheiro de Londres Hennell, que se aplicou nesta reprodução do célebre “Colar do Jubileu de Ouro”, apresentado à rainha Vitória em 1888. O original decorreu de uma campanha de angariação de fundos que largamente excedeu as expectativas da comissão feminina que a moveu, em homenagem aos 50 anos no trono da monarca. O valor destinava-se a erguer uma estátua em homenagem ao falecido príncipe Alberto, mas o montante foi de tal forma expressivo que tanto permitiu apoiar a causa da enfermagem como adquirir um colar para a soberana, missão cumprida por 5 mil libras pela Carrington and Co..
O colar original foi uma das joias de eleição de Isabel II ao longo de 70 anos. A monarca numa imagem oficial de 1959.
A joia passaria para o espólio da coroa em 1901 e nas décadas seguintes não viria a ser usada, salvo alguns dos seus elementos, que foram destacados e funcionaram como pregadeira ou acessório de chapéu. O colar tornou-se um favorito da rainha Isabel II, que o usou para a sua primeira abertura de Estado do Parlamento como monarca em 1952. Em meados da década de 1960, foi replicado, sem o elemento da coroa, no centro da peça, para ser usado pela prima da Rainha, Princesa Alexandra de Kent, Lady Ogilvy, que usou uma versão com turquesas.
Interpretação contemporânea de uma joia que muito admirava, Mary de Teck conservou a réplica na sua coleção privada até esta passar para as mãos da sobrinha, Mary Somerset, Duquesa de Beaufort (1897–1987), num sinal de agradecimento por ter acolhido a consorte na sua Badminton House, em Gloucestershire, durante grande parte da Segunda Guerra Mundial. “Os joalheiros da Hennell foram contratados para criar uma reprodução próxima do colar original para a coleção privada de joias da rainha Mary. Apesar de manter fielmente o desenho distintivo da joia vitoriana, o colar de 1928 difere em vários aspetos importantes. Pérolas cultivadas e platina foram usadas no lugar das pérolas naturais e ouro original, introduzindo materiais contemporâneos em uma jia inspirada em um projeto real anterior.”, descreve a leiloeira. A duquesa e o décimo duque de Beaufort não tiveram filhos, e após a morte deste em 1984, o ducado e a propriedade de Badminton passaram para a duquesa, enquanto as joias pessoais permaneceram nas suas mãos até 1986, quando foi vendido a particulares.
▲ O anel de safira e diamante, o puppy' Van Cleef, a cruz que pertenceu ao bailarino Rudolf Nureyev e a pulseira que a imperatriz de França ofereceu à filha de um membro sénior da corte de Napoleão III
“Tendo passado por coleções privadas desde a sua venda em 1986, o colar agora retorna ao mercado pela primeira vez em muitos anos, oferecendo aos colecionadores uma rara oportunidade de adquirir uma joia de origem excecional e três gerações de história real britânica.”, lê-se na nota divulgada pela Philips esta terça-feira. Cravejado de diamantes de corte circular, o colar apresenta vinte e uma pérolas cultivadas medindo aproximadamente 5,85 mm a 13,50 mm, estimando-se que o seu valor de licitação possa ascender aos 180 mil euros.
Os destaques da venda passam ainda por um diamante de 1,35 quilates Fancy Vivid Blue, um colar Boucheron com pérolas naturais e diamantes de 1891, uma cruz dourada da coleção do lendário bailarino Rudolf Nureyev ou o referido “Puppy” em ouro e esmeraldas da Van Cleef & Arpels, de 1966. De Harry Winston a Lalique, de Boivin a Lacloche Frères, este conjunto deixa em evidência alguns dos mais reconhecidos fabricantes da área.