A temporada passada do FC Porto não foi perfeita, mas a conquista da Primeira Liga acabou por mascarar várias desilusões: a eliminação da Taça de Portugal nas meias-finais, a queda da Liga Europa nos quartos de final e, principalmente, o facto de nem sequer ter chegado à final four da Taça da Liga. Agora, um ano depois da derrota com o V. Guimarães que acabou por deitar por terra a corrida por um troféu, os dragões procuravam corrigir o equívoco.

De forma curiosa, contudo, até parecia que o FC Porto não chegava na melhor das fases aos quartos de final da Taça da Liga. Com nove vitórias em nove jornadas do Campeonato, algo que vai garantindo a liderança isolada e absoluta, a equipa de Francesco Farioli leva três derrotas em três jornadas da Liga dos Campeões, duas delas muito recentemente, o que não deixava propriamente uma sensação de confiança. Um mindset que, na verdade, ficou bastante claro no triunfo difícil e marginal do último sábado em Barcelos, frente ao Gil Vicente — mas que o treinador italiano queria afastar já a partir desta quarta-feira.

Ficha de jogo

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FC Porto-Académico de Viseu, 1-0

Quartos de final da Taça da Liga

Estádio do Dragão, no Porto

Árbitro: Sérgio Guelho (AF Guarda)

FC Porto: Cláudio Ramos, Nehuén Pérez (Bednarek, 78′), Chris Smalling (Pablo Rosario, 54′), Dominik Prpic, Martim Fernandes, Alan Varela, Hwang In-beom, Seko Fofana (Victor Froholdt, 78′), Souza (Zaidu, 73′), Gabriel Mec (Pepê, 73′), Santiago Giménez

Suplentes não utilizados: João Costa, Kiwior, Alberto Costa, Gabri Veiga, Borja Sainz, Mateus Mide, André Silva

Treinador: Francesco Farioli

Académico de Viseu: Juan Soriano, Tomás Domingos, Hugo Gambor, Nikos Michelis, Gustavo Costa, André Ceitil, Cristian Ferreira (Alejandro Mestanza, 70′), Lorougnon Gohi (Nils Mortimer, 61′), Soufiane Messeguem (Cihan Kahraman, 70′), Valery Fernández (João Guilherme, 61′), Mohamed Bouldini (André Clóvis, 61′)

Suplentes não utilizados: Marcos Lavín, Miguel Brau, Pedro Barcelos, Luís Silva, Andro Babic, Anthony Correia, Robinho

Treinador: Bruno Pinheiro

Golos: Santiago Giménez (gp, 45′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Chris Smalling (15′), a Gustavo Costa (39′), a Soufiane Messeguem (63′), a João Guilherme (90+5′)

“O jogo na Liga contra o Académico de Viseu já foi complicado e depois disso eles tiveram uma sequência fantástica de resultados. Disse muitas palavras boas sobre eles e estão a provar que estava certo, os resultados são prova disso. Amanhã será um jogo diferente, mas temos de estar preparados para o que será o jogo, para irmos com tudo. Vamos valorizar todos os jogos que temos. A forma como preparámos o primeiro jogo de pré-época ou estes quartos de final é igual, com o mesmo desejo e ambição, e amanhã será assim. Para nós o símbolo da competição não faz diferença na preparação. São momentos diferentes e existe a necessidade de ter todos os jogadores prontos. Esta época vai ser longa e temos de ter isso em consideração, mas dando sempre o peso certo às competições”, atirou o técnico dos dragões na antevisão.

Assim, num dia em que o Estádio do Dragão cumpria uma interdição no setor reservado às claques devido a uma decisão do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol na sequência de um incidente na visita da época passada a Alvalade, Francesco Farioli fazia uma revolução até para lá do expectável. Nehuén Pérez, Chris Smalling e Dominik Prpic formavam uma linha de três centrais, com Souza e Martim Fernandes nos corredores, e Gabriel Mec era titular perto de Santiago Giménez. Do outro lado, num Académico de Viseu com cinco vitórias consecutivas no Campeonato e acabado de bater o Sporting em Alvalade, Bruno Pinheiro deixava André Clóvis no banco e tinha Mohamed Bouldini como referência ofensiva.

Numa primeira parte que nunca foi muito intensa, disputada sempre a um ritmo intermédio e com um ambiente morno, o Académico de Viseu até começou melhor. André Ceitil rematou por cima na sequência de um livre (5′) e Valery Fernández teve uma grande oportunidade para marcar logo a seguir, após um desentendimento entre Hwang In-Beom e Cláudio Ramos, acabando por falhar o alvo ao tentar fazer tudo demasiado depressa (8′).

A jogar com uma linha de três centrais e com os dois laterais muito subidos nos corredores, como autênticos alas, o FC Porto tinha algumas dificuldades para sair a jogar de forma fluida, cometendo alguns erros de posicionamento que o Académico de Viseu ia aproveitando para atacar de forma muito rápida. Ainda assim, os dragões acabaram por conseguir estabelecer-se ao fim do quarto de hora inicial, conquistando aí um ascendente muito ténue que acabaram por levar até ao fim da primeira parte.

Gabriel Mec deixou o primeiro aviso, com um remate de fora de área que passou por cima da trave (14′), e Santiago Giménez quase abriu o marcador ao acertar no poste, com um desvio já na área, na sequência de um cruzamento de Souza na esquerda (25′). Na verdade, o lateral brasileiro emprestado pelo Tottenham foi mesmo o principal inconformado dos dragões nesta fase, criando muitos desequilíbrios no corredor através da velocidade e do pragmatismo com que decidia cruzar e colocar a bola na área, algo que ia sendo muito aplaudido pelas bancadas do Estádio do Dragão.

Depois de tanto Santiago Giménez (37′) como Alan Varela (39′) somarem remates não enquadrados, o golo acabou mesmo por aparecer. Num lance de enorme infortúnio para os viseenses, Juan Soriano desviou um cruzamento em direção ao braço de Hugo Gambor e o árbitro assinalou grande penalidade, com Giménez a converter o castigo máximo para abrir o marcador (45′). Ao intervalo, sem estar a impressionar, mas a cumprir, o FC Porto estava a vencer o Académico de Viseu no Dragão.

Nenhum dos treinadores fez alterações no início da segunda parte e o FC Porto regressou dos balneários claramente a querer resolver a eliminatória, subindo as linhas sem permitir resposta ao Académico de Viseu e assentando arraiais no meio-campo contrário. Ainda assim, os dragões tinham algumas dificuldades para criar verdadeiras oportunidades de golo, com remates prensados ou cantos inconsequentes, e a superioridade que agora já era clara acabava por tornar-se algo inofensiva.

Francesco Farioli teve de mexer ainda dentro dos dez minutos iniciais da segunda parte, com Chris Smalling a lesionar-se no joelho depois de um duelo e a ser substituído por Pablo Rosario. O avançar do relógio acabou por esmorecer a entrada forte do FC Porto, com o Académico de Viseu a aproveitar para subir no terreno — algo que também criava muitos espaços na zona mais recuada e que abria a porta a lances de transição rápida dos dragões, que viram Alan Varela atirar à malha lateral já na área (57′).

Bruno Pinheiro fez as primeiras substituições à passagem da hora de jogo, lançando os titulares André Clóvis, João Guilherme e Nils Mortimer, e a partida foi entrando numa toada mais imprevisível, com muitos passes errados dos dois lados e sem que nenhuma das equipas conseguisse propriamente ter a bola durante longos períodos de tempo. Cláudio Ramos evitou o golo de André Clóvis com uma boa abordagem (65′), Gabriel Mec obrigou Juan Soriano a um voo com um pontapé forte na área (69′) e os viseenses esgotaram as alterações pouco depois com as entradas de Cihan Kahraman e Alejandro Mestanza.

Juan Soriano tornou-se crucial ao evitar o golo de Martim Fernandes com uma defesa enorme após cabeceamento na área (74′) e os viseenses ainda fizeram um forcing final, com Alejandro Mestanza a rematar por cima (81′) e André Clóvis a obrigar Cláudio Ramos a uma defesa atenta (83′), levando Francesco Farioli a colocar ainda os pesos-pesados Zaidu, Pepê, Victor Froholdt e Bednarek. Até ao fim, porém, já nada mudou. Num jogo onde nada foi brilhante e valeu a grande penalidade de Santiago Giménez, o FC Porto venceu o Académico de Viseu no Dragão e garantiu o passaporte para a final four da Taça da Liga graças a um azar que foi uma sorte.