É expectável há muito, parece já pecar por tardio, ainda não se tornou inevitável. O Manchester United decidiu dar mais tempo a Michael Carrick, acabando por não despedir o treinador inglês numa altura em que os ingleses levam oito jogos sem ganhar, entre cinco derrotas e três empates, na sequência do pesado desaire em Old Trafford perante o Bournemouth.
De acordo com o The Athletic, a decisão foi tomada esta segunda-feira e depois de uma reunião em Carrington, o centro de treinos do clube, onde marcaram presença Jim Ratcliffe, o coproprietário, Omar Berrada, o CEO, e também Jason Wilcox, o diretor desportivo — sendo que a imprensa inglesa tinha adiantado que também Michael Carrick e Bruno Fernandes estiveram em Carrington durante o dia apesar de ser o dia de folga do plantel. Assim, o treinador vai orientar o treino esta terça-feira, de forma normal, e manter-se no banco na deslocação do próximo sábado a Stamford Bridge para defrontar o Chelsea.
Michael Carrick will be given more time to turn Manchester United's fortunes around after a meeting of the club's hierarchy on Monday.
Carrick's position as head coach appeared under serious threat following Sunday's 3-0 defeat at home to Bournemouth, a result which left United… pic.twitter.com/Iiouq9ZpYW
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Carrick, que como jogador fez mais de 300 jogos pelo Manchester United ao longo de mais de uma década, assumiu o comando dos red devils em janeiro e na sequência do despedimento de Ruben Amorim. Inicialmente, ia apenas levar a equipa até ao fim da temporada, mas os bons resultados que garantiram o terceiro lugar na Premier League e o regresso à Liga dos Campeões asseguraram-lhe também a posição de forma efetiva, sendo ainda eleito o Treinador do Ano em Inglaterra. Agora, cinco meses depois de ter assinado contrato como técnico principal, tem cada vez mais o lugar em risco — mas ainda não o perdeu, sendo impossível não colocar a hipótese de o clube não querer despedir o treinador antes de ter um verdadeiro substituto assegurado.
O Manchester United não vence há mais de um mês, desde a goleada ao modesto Sabah no arranque da Liga dos Campeões, e leva oito jogos sem ganhar entre Premier League, Champions e Taça da Liga. Os red devils estão atualmente no 16.º lugar do Campeonato, um ponto acima da zona de despromoção, e todo o filme de terror que o clube atravessa tornou-se ainda mais negro na última semana — entre a goleada frente ao Como em Itália, na quarta-feira, e a derrota deste domingo em Old Trafford, contra o Bournemouth.
A meio da semana, depois do desaire europeu em que foi substituído na segunda parte e saiu visivelmente desagradado, Bruno Fernandes não mediu as palavras na zona de entrevistas rápidas e pareceu deixar críticas às escolhas de Michael Carrick. “Não fizemos muita pressão sobre a bola, não fizemos muitos movimentos bons sem bola. É difícil tentar pressionar, ser corajosos, ter a posse de bola e criar oportunidades. Mas se não formos capazes de fazer isso vai ser muito difícil sair desta situação. É uma decisão do staff não fazer pressão homem a homem. Às vezes podíamos deixar um pouco de espaço atrás e tentar tirar a bola num primeiro momento. Temos de ser mais corajosos na pressão. Temos feito o que o treinador nos pede. Temos passado a mensagem para dentro de campo, daquilo que ele nos exige”, disse o internacional português.
Na altura, o treinador começou por esvaziar o tema, abordando a questão de um ponto de vista mais tático. No fim de semana, porém, a reação foi mais musculada. Bruno Fernandes ficou no banco de suplentes num jogo da Premier League pela primeira vez com Michael Carrick e pela primeira vez desde maio do ano passado, ainda chegou a aquecer durante a segunda parte, mas não entrou. O castigo estava dado — um castigo diferente do de Lisandro Martínez, que arrasou toda a estrutura do clube depois da derrota com o Atl. Madrid na Liga dos Campeões e foi titular no jogo seguinte –, mas o resultado não acompanhou a posição de força de Michael Carrick.
Antes do apito inicial, o inglês justificou a ausência de Bruno Fernandes do onze inicial com uma opção técnica. “É apenas futebol. Quando se tem opções é sempre uma decisão difícil. Temos de tomar a decisão certa para hoje e para a equipa, de modo a conseguirmos o rendimento pretendido”, disse. Depois do apito final, não elaborou. “Há momentos em que tentas mudar o rumo do jogo e fazer a diferença. Foram essas as decisões que tomámos hoje”, acrescentou.
A reação de Old Trafford à derrota contra o Bournemouth foi visível e audível, com muitos adeptos a abandonarem o estádio ainda durante a primeira parte e uma enorme tarja onde se lia “standards”, padrões, a aparecer numa das bancadas mesmo antes do intervalo. Ainda assim, no final do jogo, a resposta dos apoiantes às despedidas da equipa pareceu indicar que as principais críticas e responsabilidades são imputadas aos jogadores e não necessariamente ao treinador, que beneficia de uma réstia de apoio e até ouviu o próprio nome a ser entoado pelos adeptos enquanto dava uma volta ao relvado.
Man United soma o 8.º jogo consecutivo sem vencer ???? Será o adeus de Carrick? #DAZNPremier pic.twitter.com/tGyEKyvySI
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Nas últimas horas, naturalmente, as opiniões multiplicaram-se — e Gary Neville, antigo capitão do Manchester United e antigo colega de equipa de Michael Carrick, defendeu que o treinador teria mesmo de sair. “Vai ser ridiculamente difícil para ele continuar daqui para a frente. Esse é o problema que o clube tem e é horrível dizer isto. Ele tem de ser despedido esta noite. Não apenas pelo bem do Manchester United, mas também pelo bem dele. Têm de tomar essa decisão esta noite”, defendeu o antigo internacional inglês, num cenário que acabou por não se confirmar.
Já Jamie Carragher, no mesmo programa da Sky Sports, também considerou ser “insustentável” manter Michael Carrick. “Ele quer sair. Não quer estar sentado no banco com aqueles jogadores. Conseguem imaginar ir amanhã para o centro de treinos com o Bruno Fernandes depois de não o ter colocado a jogar? Fazê-lo aquecer e depois não o colocar em campo é o insulto final. Quis envergonhá-lo em frente aos adeptos por dizer a verdade e isso mostra uma luta tóxica de poder ao invés de uma gestão sólida do jogo. É um balneário podre, ele quer que acabem com o seu sofrimento já esta noite. Provavelmente, vão tomar uma decisão que vai revoltar os adeptos, mas que é necessária. Os adeptos estão a cantar o nome dele porque a realidade de amanhã é se será ele ou não o treinador”, vincou o antigo central do Liverpool.
Troy Deeney, porém, tem uma opinião completamente contrária. “Estive a ver o jogo com a mente um pouco mais limpa e pensei que, se for mesmo despedido, a culpa não é do Michael Carrick, há outras grandes questões. Gosto de algumas coisas que ele fez, adorei o facto de ter humilhado o Bruno Fernandes. Adorei, é isso que acontece quando humilhas outra pessoa duas noites antes”, atirou o antigo avançado do Watford na talkSPORT.
As decisões para mudar o rumo do jogo, hoje, não envolviam Bruno Fernandes, segundo Michael Carrick ????????????#DAZNPremier pic.twitter.com/k8YBJwXqTN
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