O bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, alertou esta quinta-feira para a situação dos doentes em lista de espera cirúrgica no Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), salientando que “é um problema” agravado pelo incêndio que ocorreu em 2024.
“Confesso que estava à espera que o reinício de uma atividade plena se desse de forma muito mais rápida (após o incêndio), porque o que está aqui em causa não são propriamente números e um projeto de arquitetura, mas pessoas e a sua saúde, a sua vida”, afirmou aos jornalistas, à saída de uma reunião com a direção clínica do HDES, em Ponta Delgada.
O bastonário destacou a “perspetiva de futuro”, com a reconstrução do HDES, mas salientou que “também há que olhar para o presente, porque as pessoas, hoje, precisam desses cuidados de saúde” e está-se a “andar a passo de caracol e a saúde não pode esperar”.
Carlos Cortes identificou que as áreas cirúrgicas, médicas, complementares de diagnóstico “estão a sofrer o impacto duma calamidade que aconteceu há dois anos, de que se está a demorar a arrancar”.
O bastonário considerou que o HDES necessita de mais médicos, enfermeiros, pessoal de diagnóstico, para além de outros recursos humanos, uma vez que há “um problema estrutural de um hospital que precisa de ser reforçado” e que, mesmo antes do incêndio de 2024, “já era demasiado pequeno” face às necessidades.
Carlos Cortes destacou a necessidade de mais blocos operatórios e camas de internamento e, embora reconhecendo que os problemas da região são transversais a todo o país, lembrou que nos Açores existem especificidades derivadas da dispersão geográfica.
“Enquanto no continente um doente pode ser facilmente transferido de um hospital para outro, apanhando a via aérea em situações de maior urgência”, nos Açores “há que ter garantias suplementares, com cuidados de fim de linha”, disse.
Carlos Cortes falou ainda da necessidade de apostar no Orçamento do Estado nos cuidados de saúde, considerando que no HDES há que investir “ainda na situação de calamidade que está a atravessar, porque não está a dar uma resposta em pleno”.
Segundo o boletim informativo mensal da Unidade Central de Gestão de Inscritos para Cirurgia dos Açores, publicado pela Direção Regional da Saúde, “em julho de 2026 aguardavam em LIC (lista de espera cirúrgica) um total de 13.945 utentes”.
É o valor mais elevado desde que há registos disponíveis na página da Direção Regional da Saúde (2017).
Em 13 de outubro, o Governo Regional revelou que o número de consultas e exames complementares de diagnóstico aumentou este ano no HDES, apesar de a unidade hospitalar funcionar num edifício modular, após o incêndio de 2024.
“Temos um aumento de quase 8% no total de consultas realizadas. A 31 de agosto deste ano, temos mais de 30 mil consultas, mais 10% de primeiras consultas”, indicou a secretária regional da Saúde, Mónica Seidi, durante uma audição na comissão de Assuntos Sociais da Assembleia Legislativa Regional.