O movimento Voz aos Estudantes recolheu cinco mil assinaturas para exigir o fim dos exames nacionais, alegando que penalizam os alunos mais pobres e favorecem quem pode pagar para se preparar melhor.

“A realização de exames não é justa, porque não garante uma igualdade de oportunidades no ensino e no acesso ao ensino superior, como se pode confirmar pelos rankings de escolas conhecidos esta sexta-feira”, disse à Lusa João Baldaia, dirigente do movimento Voz aos Estudantes.

Para o aluno do 12.º da Escola Secundária Marco de Canaveses, os exames acabam por deixar “muitos estudantes para trás”, em especial os de agregados familiares mais pobres e de zonas mais carenciadas.

Por outro lado, acrescenta o dirigente, os exames privilegiam quem “pode pagar a sua educação, ter explicações e preparar-se melhor” para provas feitas em “três horas que resumem três anos de trabalho”.

Nos primeiros 50 lugares dos rankings, que ordenam as notas nos exames nacionais de escolas públicas e privadas, aparecem apenas quatro escolas públicas e a primeira surge só no 38.º lugar, segundo uma análise feita pela Lusa aos dados divulgados pelo Ministério da Educação.

[Duarte Lima admite ter estado com Rosalina Ribeiro na noite em que a herdeira milionária desapareceu mas nega ter sido a última pessoa a vê-la com vida. Conta que, depois da reunião que tiveram, no Rio de Janeiro, levou a cliente até Maricá, para um encontro com uma mulher chamada Gisele. É uma versão que não bate certo com as primeiras provas recolhidas pelas autoridades brasileiras. Enquanto Duarte Lima se torna, para a polícia, o principal suspeito do homicídio, perde força a outra linha de investigação. Olímpia Feteira era inimiga assumida da antiga companheira do pai mas garante que nunca desejou a morte dela. E, ao contrário de Duarte Lima, disponibiliza-se para prestar todas as informações necessárias à polícia brasileira. Já pode ouvir o segundo episódio de “As Sombras de Duarte Lima”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]

Os resultados dos alunos do secundário que realizaram provas em 2025 mostram ainda que mais de oito em cada dez notas máximas foram atribuídas a um estudante sem Apoio Social Escolar (ASE) e a maioria das escolas públicas com melhores classificações nos exames são as que têm menos alunos carenciados.

Para João Baldaia, estes dados não surpreendem, até porque nas escolas estas desigualdades são uma realidade bem conhecida.

A Voz aos Estudantes lançou um abaixo-assinado “que conta já com cerca de 5.000 assinaturas”.

“Não consideramos normal que, perante as injustiças que se revelam concretamente nestes dados (rankings), bem como nos dados de acesso ao Ensino Superior, se continue a insistir nos exames nacionais enquanto forma de avaliação dos estudantes, ignorando a desigualdade que provocam”, escreve o movimento numa carta enviada esta sexta-feira às redações.

Para os jovens, a divulgação de rankings de escolas, ordenados tendo em conta as notas dos exames nacionais, vem comprovar o “caráter profundamente injusto e elitizante dos exames”.

Os alunos defendem em alternativa aos exames uma valorização da avaliação contínua, para permitir que todos os estudantes tenham uma “verdadeira igualdade de oportunidades no seu sucesso escolar e no acesso ao Ensino Superior”.