Um juiz está a avaliar se as publicações da procuradora-geral de Nova Iorque Letitia James, nas redes sociais, podem comprometer a sua imparcialidade na investigação de uma alegada violação em grupo na Universidade de Cornell. O caso foi levado a tribunal por um dos homens acusados, que pede o afastamento da procuradora por considerar que James já demonstrou ter tomado partido antes de assumir a investigação.
De acordo com a Associated Press, em causa estão comentários publicados por James antes de ser nomeada. A democrata classificou o caso de violação como “horrível e inaceitável” e referiu-se à mulher que apresentou a queixa como uma “sobrevivente”. No final de setembro, a procuradora-geral partilhou nas redes sociais uma notícia sobre o processo e escreveu: “Tenho-a presente nos meus pensamentos e nas minhas orações. A ela e a todas as sobreviventes: não estão sozinhas. Estamos convosco”.
Esta quinta-feira, durante uma audiência em tribunal, os advogados do homem que contesta a nomeação defenderam que estas declarações demonstram falta de imparcialidade. “Há milhares de pessoas neste Estado — juízes reformados, mediadores, antigos responsáveis pelas forças de segurança e procuradorias de outros distritos — que poderiam conduzir esta investigação”, argumentou Andrew Miltenberg, advogado do arguido.
A procuradora-geral não esteve presente na audiência. Ainda assim, já garantiu que a investigação será “orientada exclusivamente pelos factos, pelas provas e pela lei”. Justificou ainda as suas declarações, afirmando que demonstravam empatia. “O que precisamos agora, mais do que nunca, na nossa vida política, é de mais empatia“, disse, garantindo que a investigação seria conduzida sem influência política: “A política fica à porta do meu gabinete”.
O juiz James R. Farrell não chegou a tomar uma decisão durante a audiência, mas questionou os representantes do Estado sobre a legitimidade das publicações da procuradora. “Concorda que não é correto um procurador fazer este tipo de declarações?“, perguntou. A procuradora-geral adjunta Kaitlin Vigars respondeu que, para afastar James, seria necessário demonstrar um prejuízo efetivo para o arguido.
[Duarte Lima admite ter estado com Rosalina Ribeiro na noite em que a herdeira milionária desapareceu mas nega ter sido a última pessoa a vê-la com vida. Conta que, depois da reunião que tiveram, no Rio de Janeiro, levou a cliente até Maricá, para um encontro com uma mulher chamada Gisele. É uma versão que não bate certo com as primeiras provas recolhidas pelas autoridades brasileiras. Enquanto Duarte Lima se torna, para a polícia, o principal suspeito do homicídio, perde força a outra linha de investigação. Olímpia Feteira era inimiga assumida da antiga companheira do pai mas garante que nunca desejou a morte dela. E, ao contrário de Duarte Lima, disponibiliza-se para prestar todas as informações necessárias à polícia brasileira. Já pode ouvir o segundo episódio de “As Sombras de Duarte Lima”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]
Também a governadora de Nova Iorque, Kathy Hochul, manifestou confiança na escolha. “Tenho toda a confiança de que a nossa procuradora-geral fará aquilo que sempre fez: analisar os factos, examinar os registos e tirar as conclusões adequadas”, disse.
O caso remonta a 2024, quando uma antiga estudante de Cornell, identificada nos documentos judiciais como Jane Doe, apresentou uma queixa contra vários homens, acusando-os de a terem violado durante uma festa numa fraternidade universitária. A mulher alegou que alguns dos envolvidos a pressionaram a consumir cetamina, deixando-a demasiado intoxicada para dar consentimento. Em 2024, o procurador do distrito decidiu não avançar com acusações criminais.