O músico JP Simões vai regressar às canções do álbum “1970”, editado há vinte anos, num concerto em Lisboa, em novembro, anunciou esta sexta-feira a Casa Capitão, que irá acolher o espetáculo.
“Dia 28 de novembro, dez anos depois de ter parado de cantar as suas músicas em português, e vinte anos após a edição do primeiro álbum em nome próprio, ‘1970′, o coimbrão vai voltar a debruçar-se sobre as canções do seu disco de 2006, na Casa Capitão”, refere o espaço lisboeta, num comunicado esta sexta-feira divulgado.
Além das canções de “1970”, é expectável que o alinhamento do concerto inclua também temas de “Boato” (editado em 2009) e de “Roma” (2013), “mais umas quantas do Quinteto Tati e da sua ‘Ópera do Falhado’ [espetáculo estreado em 2003 no Teatro Rivoli] e talvez até de ‘Onde Mora o Mundo’ (2010), gravado com o guitarrista de jazz Afonso Pais para a histórica Orfeu”.
A Casa Capitão refere que convencer JP Simões “a revisitar este material não foi fácil”.
“Nunca quis ser um tipo de me repetir, de viver de créditos. Mas o Gonçalo Riscado — [diretor] da Casa Capitão e um dos primeiros editores que tive, há muitos anos — ligou-me e convenceu-me que podia haver espaço para pegar de novo nas minhas velhas elucubrações, os meus desastres amorosos e as minhas pequenas reflexões”, disse o músico, citado no comunicado.
O alinhamento do espetáculo de 28 de novembro foi feito pelo músico Nuno Ferreira, “colaborador próximo” de JP Simões, que também o acompanhou no disco “JP Simões canta José Mário Branco”, editado em 2024, e nos concertos de apresentação do álbum, de homenagem ao músico José Mário Branco (1942-2019).
“O Nuno Ferreira esteve a fazer novos arranjos para estas canções, incluindo para algumas que nunca tiveram arranjos. A dar-lhes uma nova vida”, revelou o cantautor.
Além de Nuno Ferreira, na guitarra e direção musical, JP Simões subirá ao palco da Casa Capitão acompanhado pelos músicos João Pereira, na bateria, Pedro Pinto, no contrabaixo, e Luís Cunha, no trompete e flauta.
JP Simões editou no ano passado o terceiro e último álbum do projeto Bloom, feito de referências da música anglo-saxónica. “Do not disturb” encerrou uma trilogia iniciada em 2016 com “Tremble like a flower”, que inclui também “Drafty Moon”, de 2021.
O projeto Bloom, que “tem sido de certa forma mais para prazer pessoal”, surgiu da vontade que JP Simões sentiu de “procurar outro tipo de linguagem” e de manter “ligação a determinadas estéticas”, ligadas à música que ouvia, nomeadamente em inglês, contou à Lusa aquando da edição de “Do not disturb”.
O primeiro álbum de Bloom “foi feito sob o signo de Nick Drake, e de procurar as formas modernas do chamado folk alternativo”. O segundo surgiu pouco depois da morte de David Bowie, cresceu muito a partir do último disco do músico inglês, “Blackstar”, mas também da sua presença na vida de JP Simões, “enquanto referência musical e não só”.
O terceiro é um pouco consequência do primeiro confinamento ditado pela pandemia da covid-19, em março de 2020, período “muito frutuoso” para o músico em termos criativos.
“Grande parte deste disco são temas que foram feitos aí e que foram ficando de lado, de certo modo, a amadurecer. Foi o princípio para construir este disco e fechar este percurso paralelo enquanto músico-compositor Nicholas Bloom”, disse.
“Do not disturb” foi o primeiro álbum que gravou em casa e também o primeiro “sem uma única peça de bateria”.
Bloom começou numa altura em que o músico se sentia “um pouco esvaziado” do trabalho em nome próprio.
“Cheguei a uma altura em que fiquei um bocadinho dececionado. Senti que não tinha muito mais a dizer. Então abri este processo paralelo, de Nicholas Bloom, para ir fazendo outro tipo de música”, partilhou.
JP Simões, que também faz parte dos Belle Chase Hotel e do Quinteto Tati, regressou este ano ao trabalho em nome próprio e cantado em português.