O Cinanima – Festival Internacional de Cinema de Animação de Espinho dá esta sexta-feira início à edição comemorativa dos 50 anos e, com 167 filmes selecionados para competição, “ainda surpreende” a organização com obras que buscam a ousadia da felicidade.

A confissão é de André Ramada, um dos programadores do certame que levará a várias salas da referida cidade do distrito de Aveiro e a outros espaços da Área Metropolitana do Porto um programa que este ano se estende por 17 dias e também integra exposições, cineconcertos, masterclasses, homenagens, retrospetivas, uma residência artística e várias iniciativas em escolas, universidades e bairros – exibindo nessa componente paralela mais 226 obras.

“Nesta edição, os filmes a competir apresentam um leque muito variado de técnicas, dentro das quais destacamos a ousadia dos realizadores na procura de novas formas de criar”, explica André Ramada. “Com filmes feitos inteiramente com espuma de café, pintados em azulejo ou mesmo bordados à mão, 50 anos depois ainda somos surpreendidos pela criatividade e frescura de técnicas que continuam a surgir”, realça.

Entre os temas dominantes na competição continuam traumas do passado, alguns reflexos de nostalgia e preocupações quanto ao futuro, mas, “ao contrário de outros anos, em que essas questões eram colocadas, por norma, numa perspetiva pessimista, desta vez dá-se o contrário: recorre-se à comédia”.

O programador do festival explica que se nota entre as obras a concurso “uma nova onda de despreocupação, aceitação e até mesmo ridicularização, por não se entender o porquê das coisas nem como tudo funciona e, mesmo assim, se ousar ser feliz”.

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O mote da edição de 2026 é, aliás, “O Sonho Comanda a Vida”, verso que, retirado ao poema mais famoso de António Gedeão, reflete o sentido de missão do festival e justifica a homenagem ao designer e ilustrador João Machado, autor dos emblemáticos cartazes do certame, e a Henrique Alves Costa (1910–1988), crítico e divulgador de cinema.

Quanto às obras portuguesas na edição de 2026 do Cinanima – Festival Internacional de Cinema de Animação de Espinho, têm como tema dominante a habitação e a busca pelo sentido de pertença, segundo os organizadores do evento.

O certame terá 33 filmes nacionais em competição: dez realizados por profissionais, que disputam o Prémio António Gaio, e 23 dirigidos por estudantes, em categorias para maiores e menores de 15 anos.

“Celebrar meio século de Cinanima é, inevitavelmente, festejar 50 anos de animação mundial e cinco décadas de cinema português”, sempre com uma “aposta constante na novidade”, o que continua a assegurar ao certame o “lugar de relevância que conquistou” e permite mantê-lo como “um dos poucos festivais de cinema portugueses qualificáveis aos Óscares” da academia norte-americana.

Entre as várias propostas que evocam esse percurso, o programa de 2026 incluirá a apresentação a 19 de novembro, no Teatro Municipal de Vila do Conde, do estudo intitulado “50 anos de representação feminina através dos arquivos do Festival Cinanima”.

A investigação em causa foca-se no percurso das mulheres na animação portuguesa e, mapeando o percurso dessas cineastas, pretende promover a sua visibilidade e homenagear “as suas trajetórias, resistências e conquistas”.

Para apresentar o estudo foram convidadas realizadoras que “simbolizam cinco décadas” de animação nacional e têm histórias pessoais para partilhar sobre o trajeto do setor desde 1976: Cátia Peres, Marina Estela Graça, Regina Pessoa, Alice Guimarães, Marta Andrade e Carina Corso.