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São 8 am. E começamos pelas reuniões em São Bento sobre a habitação, que terminaram sem novas conclusões. O CHEGA pede a intervenção do Presidente da República e o PS fala em intransigência por parte do Executivo. O primeiro-ministro recebeu em São Bento os líderes dos maiores partidos da oposição, mas depois de várias horas de reunião não houve qualquer acordo ou avanço. O CHEGA admite manter o diálogo com o governo, mas pede a intervenção do Presidente da República e volta a responsabilizar o PS pela crise na habitação. Já os socialistas criticam o que dizem ser a intransigência por parte de Luís Montenegro nas negociações sobre a lei das rendas. E Miguel Vitor Dias, apesar dos apelos do presidente para o diálogo, não foram marcadas novas reuniões.
Depois de quase duas horas de reunião, José Luís Carneiro foi rápido a dizer que não há nenhum acordo com o governo.
Houve uma intransigência naquilo que era mais essencial e aquilo que é mais essencial é efetivamente construir uma nova solução que dê dinamismo ao mercado de arrendamento, que veja os mais jovens que nos ouvem por este país proteger as pessoas mais idosas dos despejos.
O secretário-geral do PS critica a intransigência de Montenegro no que toca à lei das rendas e adianta que não há mais conversas previstas.
Não ficou marcada qualquer outra reunião e também se decidiu não haver razão para constituir nenhuma equipe de trabalho.
Ainda em cima da mesa ficam algumas medidas fiscais que vão ser discutidas na especialidade do Orçamento do Estado. Com o encontro bem mais rápido, André Ventura insiste num acordo a três e volta a pedir a intervenção de António José Seguro.
Talvez o presidente da República, que também é socialista, deva ter aqui alguma intervenção. Eu não tenho esse contacto.
O líder do CHEGA que mantém a pressão sobre o PS para não ficar sozinho na fotografia com o governo.
Parece-me francamente inaceitável que um dos grandes responsáveis da crise de habitação em Portugal, chegado o momento de a resolver, diga que não tem nada a ver com isso e espera que o CHEGA resolva, entre aspas, o problema. Parece-me sinceramente muito estranho e muito hipócrita.
O CHEGA vai manter reuniões com o Ministério das Finanças para avaliar o impacto das 50 medidas que propõe e a fechar o dia para anúncio do CDS e Hugo Soares do PSD, garantem que a abertura para negociar existe.
Se não somos nós que estamos a dizer que não à negociação, não somos nós, julgo eu, que estamos a ser intransigentes.
Os três maiores partidos, depois de um dia que devia ser de procura de consensos e que terminou sem quaisquer acordos.
Foi assim que decorreram as reuniões em São Bento sobre habitação. Hoje o governo reúne-se com os restantes partidos com assento parlamentar, já sem o primeiro-ministro e na Assembleia da República. É convidado a este jornal o líder parlamentar do PS, que também esteve na reunião de ontem. Eurico Brant Dias, muito bom dia. Obrigada por estar conosco esta manhã.
Não gosto.
Não ficou marcado mais nenhum encontro com o governo para discutir habitação. Isto quer dizer que o apelo do Presidente da República não foi suficiente para continuar o diálogo?
O apelo do senhor Presidente da República foi, eu não diria suficiente, foi mais do que suficiente. Aliás, manifestamente vimos a intervenção do senhor primeiro-ministro às 8 da noite, quando anunciou que tinha feito um convite ao líder do Partido Socialista e ao líder do CHEGA para fazer reuniões. Isso significa que o senhor Presidente da República foi eficaz. Agora, o senhor Presidente da República não manda necessariamente, como se consegue perceber na vontade do primeiro-ministro, em estabelecer um diálogo frutuoso. E é impossível que o senhor Presidente da República possa decidir pelo senhor primeiro-ministro aquilo que só lhe diz respeito. E aquilo que diz respeito ao senhor primeiro-ministro era criar as condições para que o diálogo pudesse frutificar. Depois de ter partido para este processo de forma errada, eu não digo apenas com medidas erradas, que isso é um facto, mas depois de infelizmente ter avançado com esta lei das rendas com o acordo com o CHEGA e com o voto da Iniciativa Liberal, e por outro lado, mantendo aquela obsessão que 2.300 € são uma renda moderada em Portugal. 2.300 € não são renda moderada em Portugal. Qualquer português que ganhe 2.300 € e que esteja agora a conduzir o carro a caminho do trabalho, sabe que se tiver um salário de 2.300 € paga bastante mais imposto e o salário mediano em Portugal pouco passa os 1.000 € e que por isso, perante essas duas circunstâncias, perante a manifesta intransigência, que foi a palavra que usámos em dois aspetos centrais, é muito difícil prosseguir uma base negocial quando o governo insiste que a base negocial é aquilo que apresentou na Assembleia da República.
Ou seja, Eurico Brant Dias, a expectativa do PS era que o governo partisse de facto aqui de uma folha branca para estas negociações. Foi aí que esteve a maior clivagem. Houve algum ponto concreto. Enumerou aqui vários, mas a discordância foi neste ponto ou foi na atitude geral do governo?
A expectativa que tínhamos não era que o governo sequer reconhecesse o erro, porque sabemos que em política é muito difícil ter às vezes atores políticos que perante manifestamente aquilo que está a acontecer no país, reconheçam que as medidas que tomaram foram erradas. Mas sempre dissemos que esta lei das rendas era uma base de acordo com o CHEGA, assim como os 2.300 € de renda moderada era um acordo da AD com o CHEGA e com a Iniciativa Liberal, e que as bases de um entendimento para uma política de habitação duradoura, porque é isto que está em causa. O senhor Presidente da República não nos pediu para colocarmos uns pensos e umas pequenas ligaduras nas propostas do governo. O que o senhor Presidente da República pede, e eu acho que é do interesse de todos os portugueses, é termos uma política de habitação duradoura, com continuidade, que vá para além de uma legislatura. Isso faz-se a partir do estabelecimento de uma base Política alargada que não pode estar na base dos 91 deputados da AD, dos 89 do PSD e dos dois do CDS. O governo, quando diz que a autorização legislativa, que nem é uma proposta de lei, nem é uma lei em concreto, é uma autorização legislativa para que o governo possa decretar de forma autônoma, a partir daquela base, com acordo escrito com o Chega, o Partido Socialista não sente sequer que tenha condições para que as suas propostas possam ser discutidas. Aliás, uma delas foi chumbada pelo PSD e pelo Chega, que é a famosa garantia pública para o desenvolvimento de seguros para inquilinos e para proprietários.
E para proprietários e para inquilinos. Depois da reunião com o PS, o Chega já disse que não fica sozinho no entendimento com o governo e que precisa de um acordo a três. O PS não pode ficar com o ônus de não viabilizar esse tal compromisso alargado?
Não, o PS está disponível para um compromisso alargado.
Mas nas condições do PS.
Não é nas condições do PS, é nas condições de todos. Mas as condições de todos incluem também as do PS. Eu peço imensa desculpa, é evidente que as condições de todos são também as do PS, porque se não forem as do PS, então o Partido Socialista só assinava o papel com as condições dos outros. Vamos ver. As condições do Partido Socialista são aquelas que nós consideramos importantes para que o mercado de arrendamento em particular, mas a habitação lato sensu, possa melhorar. Eu quero só dizer uma questão, porque teve uma parte da sua pergunta que eu não quero deixar sem resposta, que tem a ver com a ideia de que o Chega não quer ficar sozinho na fotografia. O Chega já ficou sozinho na fotografia. Foi o Chega que viabilizou os 2.300 € e que assinou um acordo escrito com o governo para viabilizar a lei das rendas. Eu percebo a dificuldade que um partido populista tem sempre que percebe que as suas posições não são populares, mas essa foi uma opção do doutor André Ventura e da liderança do Chega, não foi do Partido Socialista.
Ficou clara. Eurico Brilhante Dias, muito obrigada por ter estado com nós hoje de manhã neste jornal das 8:00. Bom dia também para o líder parlamentar do Partido Socialista, que fez parte da comitiva de ontem que se reuniu com o governo. Não houve qualquer princípio de entendimento, como ouvimos também, não ficou marcada qualquer próxima reunião. E vamos voltar a este tema no jornal das 9:00. Vamos estar em direto com o deputado do Chega, Eduardo Teixeira. Entretanto, os protestos continuam lá em Lisboa e Porto e mantém-se o braço de ferro com as Câmaras Municipais por causa dos mercados de Natal. O movimento A Campada rejeita mudar o local dos protestos. Começamos por Lisboa. A Câmara propôs três locais alternativos para os protestos, assim como a possibilidade de manter uma tenda simbólica no Rossio durante o mercado de Natal, mas A Campada de Lisboa volta a rejeitar, defende que é a tradicional feira que deve ser deslocada e acusa Carlos Moedas de fingir que fala com os manifestantes. Também no Porto, o movimento A Campada garante que não vai sair da Praça Dom João I para dar lugar a um mercado de Natal. O assunto foi discutido pelos manifestantes ontem à noite, na chamada Assembleia Popular. Entretanto, os manifestantes tentam encontrar formas de lidar com a chuva. Que já se faz sentir. Em Lisboa, há 100 tendas montadas no Rossio, no Porto são 60. Era assim ao início desta manhã. Alguns dos manifestantes colocaram paletes de madeira por baixo das tendas para evitar a entrada da água. Há também toldos a proteger, sobretudo as cantinas, onde têm sido oferecidas refeições. Ainda sobre este tema das acampadas, vão ser hoje ouvidos pelo Ministério Público os 86 manifestantes da acampada de Lisboa que foram detidos durante uma das operações de segurança por parte da PSP no Rossio. O selecionador nacional divulgou hoje a lista de convocados para os próximos jogos. Acontece um dia depois de Cristiano Ronaldo ter anunciado o fim da carreira internacional. Foi num vídeo publicado nas redes sociais, depois de Ronaldo ter entrado em conflito com o selecionador nacional no último estágio da equipa. Na História do Dia, da Rádio Observador, a jornalista da seção de desporto, Mariana Fernandes, explica que CR7 comunicou a decisão apenas ao presidente da Federação Portuguesa de Futebol e nunca falou com Jorge Jesus. Diz também Mariana Fernandes que esta foi uma jogada de antecipação.
Cristiano Ronaldo sabia que ia ser convocado hoje por Jorge Jesus, sabia que ia fazer parte da convocatória de Jorge Jesus para os próximos dois jogos da seleção nacional e não queria ser convocado e deixou isso bem claro a Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol. E não pretendia porque achava que passou pouco tempo daquilo que aconteceu no estágio de Copenhague. Pedro Proença tentou fazer um pouquinho de controle de danos, tentou também perceber do lado de Jorge Jesus até que ponto é que o selecionador estaria disposto a não convocar Cristiano Ronaldo para adiar este problema até março, até a próxima data dos compromissos das seleções nacionais. Jorge Jesus nunca quis fazê-lo, estava sempre disponível e bastante intransigente na ideia de convocar Cristiano Ronaldo. Ronaldo antecipou-se e comunica isso a Pedro Proença muito pouco tempo antes de divulgar o vídeo, nunca o comunica a Jorge Jesus.
Mariana Fernandes, jornalista do Observador, na História do Dia. Sem Cristiano Ronaldo dentro das opções, Jorge Jesus divulgou hoje a lista de convocados para os últimos dois jogos desta fase de grupos da Liga das Nações. Portugal joga dia 14 frente à Dinamarca, em Braga, dia 17 frente ao País de Gales, em Cardiff. A conferência de imprensa do selecionador nacional está marcada para o meio-dia na Cidade do Futebol. E pode ser acompanhada em direto aqui na Rádio Observador. Vai ter comentários do Gabriel Alves, João Pinto e do Pedro Henriques. 08h12. Antes dos Momentos de Glória, Carla, que outras notícias marcam esta véspera de fim de semana? Mário Centeno é o preferido dos portugueses para ser primeiro-ministro. Conclusão de uma sondagem do ICS e do ISCTE para a Sílvia Expresso. O inquérito avaliou cinco possíveis nomes. O antigo ministro das Finanças, ex-governador do Banco de Portugal, lidera as preferências. Em segundo fica José Luís Carneiro, secretário-geral do PS. O antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho surge em terceiro lugar. Luís Montenegro fica em quarto. André Ventura ocupa a última posição. Donald Trump revela que vai anunciar um grande acordo para a Ucrânia, que pode incluir a Europa. O presidente norte-americano não dá detalhes, mas afirma que todos os envolvidos vão ficar entusiasmados. A promessa de Trump foi feita esta noite aos jornalistas na Casa Branca. O envolvimento da Europa no acordo de paz para a Ucrânia tem sido defendido tanto por Kiev como pelos parceiros europeus. Ainda de volta ao futebol, o Benfica venceu o Lech Poznan por 3 x 1 no Estádio da Luz. Soma assim quatro vitórias em quatro jogos nesta fase da Liga Europa. O Torreense também venceu na Liga Europa, o Ararat da Arménia por 3 x 2. O Braga empatou 0 x 0 no terreno do Arus para a Liga Conferência.