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Martim e o exemplo de quem parte, torce mas nunca verga para tornar os sonhos realidade (a crónica do FC Porto-Gil Vicente)

Este artigo tem mais de 6 meses

Martim Fernandes voltou a ser titular, teve um duelo difícil com Touré mas encheu-se de fé para marcar pela primeira vez pelo FC Porto para fechar o jogo depois da expulsão de Martín Fernández (3-0).

Martim Fernandes voltou a ser titular agora como lateral direito (deixando Alberto Costa no banco) e estreou-se a marcar pela equipa principal do FC Porto
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▲Martim Fernandes voltou a ser titular agora como lateral direito (deixando Alberto Costa no banco) e estreou-se a marcar pela equipa principal do FC Porto

MIGUEL RIOPA

▲Martim Fernandes voltou a ser titular agora como lateral direito (deixando Alberto Costa no banco) e estreou-se a marcar pela equipa principal do FC Porto

MIGUEL RIOPA

O jogo em Guimarães terminou com um triunfo “a ferros” pela margem mínima, a partida na Rep. Checa com o Viktoria Plzen só deu para o empate em cima do minuto 90 apesar da vantagem numérica durante toda a segunda parte. O FC Porto teve a folga extra de dez dias num mês de janeiro que todos os principais clubes nacionais consideram ser um dos períodos mais complicados da temporada mas não conseguiu fintar todas as dificuldades para manter a senda vitoriosa e até para marcar golos. Um chegou para vencer o Benfica na Taça de Portugal, um chegou para bater o Vitória na Liga, um não chegou para mais do que a igualdade na Liga Europa. E era neste contexto que chegava mais uma partida complicada para os azuis e brancos no Dragão, desta vez frente ao surpreendente Gil Vicente já depois das vitórias de Sporting e Benfica.

FC Porto-Gil Vicente. Diogo Costa defende remate de Santi García (0-0, 25′)

“É um jogo que vai exigir muito de nós. O Gil Vicente, desde o início do Campeonato, está muito bem em termos de resultados e, especialmente, de exibições. É uma equipa que consegue ser perigosa de várias maneiras e joga um futebol muito bom, com algumas parecenças ao nosso. Respeito muito o que estão a fazer e será um jogo que vai exigir muito do nosso lado, até porque são uma equipa física. Em alguns parâmetros, correm mais do que nós. E espero que esse esforço físico se veja no jogo. Precisamos de estar prontos para isso. Recusam vir defender? É como jogaram sempre… Na primeira volta foi ela por ela. Estão a ter resultados que vêm de uma grande mentalidade e abordagem. Do nosso lado, espero a competitividade, o desejo e o espírito porque vai ser um jogo aberto dos dois lados”, apontara Francesco Farioli no lançamento, antes de voltar a destacar o aumento das dificuldades na segunda volta para chegar aos três pontos na Liga.

“As margens estão a ficar mais próximas a cada dia que passa e vemos isso em todos os jogos e fins de semana. E o facto de estarmos a medir forças com dois gigantes, com uma equipa que já tem duas Ligas dos Campeões, outra que tem dois Campeonatos consecutivos, uma que tem um dos treinadores mais bem sucedidos de sempre… Dizer que o Campeonato é fácil é totalmente errado. Cada jogo exige muito de nós e, com o Gil Vicente, teremos mais um exemplo do quão competitiva é esta Liga, olhar para a energia que teremos de colocar nos detalhes. É uma Liga bastante difícil, sim, tão complicada quanto esperava. Mas tento sempre preparar-me para os piores cenários. Não estou surpreendido”, destacou, olhando para aquilo que tem sido o trajeto de Sporting e Benfica e relativizando a atual vantagem “confortável” no topo.

Defendendo Samu depois de dois penáltis consecutivos falhados e anunciando a “boa notícia” da recuperação física de Victor Froholdt depois da lesão contraída na Rep. Checa, o técnico italiano abordou também essa queda no número de golos marcados pelos azuis e brancos. “É verdade que só marcámos um golo nos últimos jogos mas se recuarmos à Liga Europa… Falhámos um penálti, estivemos três vezes à frente do guarda-redes, tivemos vários remates defendidos em cima da linha. Acho que foram 2,6 de expected goals. Contra o Vitória, houve um penálti falhado, uma bola no poste, alguns momentos muito bons. Estamos a criar uma quantidade decente de oportunidades. Se falarmos de eficácia, sim, faz mais sentido. É algo que também está relacionado com o momento da equipa e é uma questão de alguns centímetros. Precisamos de manter a calma. Se avaliarmos as exibições de uma maneira mais racional, estamos bastante bem. É importante manter o ritmo, evoluir nas coisas em que é preciso melhorar e, em simultâneo, não perder o foco”, defendeu.

“Limitações? Acho que estamos numa fase muito boa. Nos últimos três jogos, em vários parâmetros, temos tido os melhores números da temporada. E isso significa que a equipa está num nível físico muito positivo, capaz de jogar vários jogos num curto espaço de tempo. Não tenho quaisquer dúvidas nesse aspeto. Estamos prontos, acho que a energia está nos níveis certos e a importância deste jogo é clara. A chegada do Oskar deu-nos também a oportunidade de aumentar a profundidade nas nossas alas. Temos mais energia. Na realidade, o Pepê, o Borja e o William carregaram a responsabilidade de duas posições durante 32 jogos. É um pedido muito pesado, especialmente com o nosso estilo de jogo, que exige muito com bola e ainda mais sem ela. Quando falamos do nosso registo defensivo, acreditamos que tudo tem a ver com a defesa mas boa parte, talvez até a maior parte, venha do trabalho que os jogadores da frente fazem. Agora que temos essa profundidade, há mais oportunidades para rodar, para estarmos mais frescos e isso aumenta as oportunidades de sermos mais eficazes em frente à baliza”, explicara Farioli sobre esses números recentes.

Apesar de ter 17 anos, o polaco entra, toca na bola e os adeptos portistas começam de imediato a levantar-se das cadeiras, um pouco à semelhança do que já acontecia com William Gomes no lado contrário. E é isso também que acontece quando há uma bola parada, cientes de que muitas vezes é meio caminho andado para chegar ao golo. No entanto, o que poucos poderiam imaginar era que o 2-0 que veio sentenciar a partida uns minutos antes de uma bola no poste do Gil Vicente (e a expulsão com vermelho direto de Martin Fernández um minuto e meio depois de entrar em campo) chegaria na sequência de um canto mas com remate sem hipóteses de zona central fora da área de Martim Fernandes, lateral que depois de jogar de nariz partido 70 minutos frente ao Benfica continuou a ser opção nos encontros que se seguiram sempre à frente de Alberto Costa e mostrou outra vez a importância do ADN FC Porto neste tipo de jogos mais disputados em que enfrentou um dos principais destaques ofensivos dos minhotos, Tidjany Touré, levando a melhor.

Ficha de jogo

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FC Porto-Gil Vicente, 3-0

19.ª jornada da Primeira Liga

Estádio do Dragão, no Porto

Árbitro: António Nobre (AF Leiria)

FC Porto: Diogo Costa; Martim Fernandes, Thiago Silva, Bednarek, Kiwior; Pablo Rosario, Froholdt (Eustáquio, 82′), Gabri Veiga (Rodrigo Mora, 61′); Pepê (Oskar Pietuszewski, 77′), Borja Sainz (William Gomes, 61′) e Samu (Deniz Gül, 77′)

Suplentes não utilizados: Cláudio Ramos, Alberto Costa, Alan Varela e Francisco Moura

Treinador: Francesco Farioli

Gil Vicente: Dani Figueira; Zé Carlos, Marvin, Buatu, Konan; Zé Carlos Ferreira (Bamba, 68′), Santi García, Luís Esteves (Joelson Fernandes, 77′); Murilo (Bermejo, 87′), Tidjany Touré (Hevertton Santos, 77′) e Gustavo Varela (Martín Fernández, 68′)

Suplentes não utilizados: Lucas Azevedo, Sergio Lillo, Agustín Morales e Carlos Eduardo

Treinador: César Peixoto

Golos: Samu (37′, g.p.), Martim Fernandes (75′) e William Gomes (86′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Murilo (35′), Zé Carlos Ferreira (36′), Gabri Veiga (36′) e Kiwior (90+4′); cartão vermelho direto a Martín Fernández (69′)

O Gil Vicente teve a primeira “vitória”, o FC Porto deixou cedo a primeira impressão digital de uma pegada ofensiva que continuou bem latente ao longo da partida. Perante condições climatéricas com muito vento que fizeram com que os minhotos invertessem a habitual ordem das equipas no Dragão, o Gil Vicente tentou dar uma imagem de equipa predisposta a lutar por mais do que o ponto frente ao atual líder do Campeonato mas foram os azuis e brancos a criar a primeira oportunidade com perigo, com Gabri Veiga a recuperar uma bola a meio-campo a Zé Carlos Ferreira para lançar a transição e ver Borja Sainz a arriscar o remate em zona central de fora da área que passou perto da baliza de Dani Figueira (3′). O espanhol estava apostado em fazer a diferença e chegou mesmo a marcar pouco depois dos dez minutos iniciais, numa recarga após defesa de Dani Figueira que acabaria invalidada pela posição de fora de jogo na altura do passe de Samu (12′).

[Clique nas imagens para ver os melhores momentos do FC Porto-Gil Vicente em vídeo]

No entanto, e apesar desse arranque, o Gil Vicente nunca perdeu a identidade e cresceu nos minutos que se seguiram, assumindo o comando da partida no Dragão fruto da capacidade em que levar perigo à baliza do adversário por variadas formas: Luís Esteves tentou surpreender numa primeira instância para defesa fácil de Diogo Costa (13′), Santi García arriscou também a meia distância para intervenção mais apertada do 99 dos azuis e brancos a dois tempos (15′), Tidjany Touré conseguiu receber na área descaído sobre a esquerda para o remate que bateu num defesa portista e saiu para canto (17′), o mesmo Touré apareceu ao primeiro poste para desviar de cabeça ao lado (18′). Os minhotos mostravam que estavam na Invicta para discutir o encontro, tendo o grande mérito sem bola de condicionar logo a primeira fase de construção dos dragões para gerar a dúvida no FC Porto em posse, até perante posições muito estáticas em campo. Com isso, os minutos foram passando sem mais lances de perigo e com meia hora de jogo disputada sem golos.

Aos poucos, o FC Porto foi crescendo. Como? Por influência de Samu, que foi recuando no terreno sabendo jogar de costas para a baliza e deixando o espaço para as desmarcações de rutura ou pelas diagonais dos alas ou pelas entradas dos médios que não o “fixo” Pablo Rosário. Foi assim que Borja Sainz voltou a ter outra ameaça travada por fora de jogo depois de um primeiro corte de Zé Carlos Ferreira (31′), foi assim que Gabri Veiga conseguiu avançar vários metros sem oposição antes de tentar o remate desviado por Konan no limite para novo canto (33′). Faltando mais argumentos na bola corrida, foi a bola parada que trouxe frutos e para espantar “fantasmas”: Murilo agarrou Samu ao segundo poste, António Nobre assinalou de imediato essa infração confirmada pelo VAR e o avançado espanhol voltou a assumir a marcação de um penálti após falhar nas duas últimas partidas, batendo agora Dani Figueira para inaugurar o marcador (37′) e fazer o 1-0 que se registava ao intervalo sem que o Gil Vicente tivesse capacidade de reação a esse golo sofrido.

Com o vento ainda a soprar de forma forte no Dragão, a ponto de Dani Figueira bater com toda a força as bolas paradas mas a ver a trajetória travar na zona do meio-campo, o FC Porto foi tentando ainda mais subir linhas de pressão para forçar esses pontapés longos que acabariam sempre por favorecer os dragões. Todavia, nem mesmo essas dificuldades impediram que fossem os minhotos a criar a primeira boa situação da etapa complementar, com Gustavo Varela a rodar bem sobre Thiago Silva na área antes de rematar muito ao lado (50′). O jogo estava mais lento, com menos ligação, sem balizas ou chegadas interessantes ao último terço e a “pedir” algo de novo para se revitalizar, com Farioli a fazer as duas habituais alterações à hora de jogo com as entradas de Rodrigo Mora e William Gomes antes de Peixoto lançar Bamba e Martín Fernández.

Apesar de continuar a ter a área como zona reservada perante a “imponência” de Bednarek e Thiago Silva, o Gil Vicente não se encolhia quando a bola chegava ao último terço. Tidjany Touré teve mais uma tentativa de longe para defesa segura de Diogo Costa (63′), Gustavo Varela também arriscou de meia distância com um “míssil” travado pelo guarda-redes portista para a frente (66′), Luís Esteves teve a melhor oportunidade na sequência de um livre direto descaído sobre a esquerda que bateu com estrondo no poste (67′).

Os minhotos estavam mais crentes de que podiam surpreender, uma entrada mal calculada de Martin Fernández acabado de entrar mas sem tocar na bola deitou tudo a perder ao atingir Thiago Silva com o pé alto e a ver vermelho direto (69′). Estava dado primeiro tiro no pé do Gil Vicente e o segundo não ia demorar muito: os minhotos viram o FC Porto trabalhar um canto a partir da esquerda a fazer rodar a bola para a zona central, não “acreditaram” naquilo que poderia acontecer e Martim Fernandes encheu-se de fé para marcar o primeiro golo de sempre pelos azuis e brancos, dissipando as dúvidas em relação ao vencedor do jogo (75′). William Gomes aumentou para 3-0 após recuperação de Pablo Rosario e fechou as contas (86′).

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