Era uma jornada estratégica. A visita do Real Madrid ao Valencia acontecia 24 horas antes de o Atl. Madrid receber o Barcelona no Metropolitano, ou seja, três pontos dos merengues eram também a possibilidade de encurtar distâncias para os colchoneros, para os catalães ou mesmo para os dois. Ganhar este sábado, para a equipa de José Mourinho, era obviamente obrigatório. 

E o cenário, na verdade, era bastante confortável. O Real Madrid deslocava-se a Valencia vindo de sete vitórias consecutivas em todas as competições, já que não perde pontos desde a derrota com o Atl. Madrid no dérbi do fim de setembro, e durante a semana teve um triunfo brutal na Liga dos Campeões, alcançando a reviravolta contra o AEK nos descontos depois de ter estado a perder por duas vezes. Na antecâmara do jogo deste sábado, portanto, José Mourinho estava confiante.

Eles nem precisam de Nadal para fazer game, set, match: Real Madrid vence AEK com reviravolta

“A equipa está bem. Chegámos de Atenas às 3h da manhã e ficámos logo aqui para tentar ter um par de horas de sono a mais. Ontem só fizemos recuperação e o feedback dos jogadores é positivo. Vai ser complicado, mas não vamos dramatizar. O jogo de amanhã? Gostava que perdessem os dois, mas não é possível. Mas claro que alguém vai perder pontos e essa é a melhor das notícias. O que acontecer, com toda a honestidade, dá-me igual”, atirou o treinador português.

Assim, no Mestalla, José Mourinho lançava Yan Diomande, Jude Bellingham e Arda Güler no apoio a Kylian Mbappé, sendo que Vinícius cumpria o último de quatro jogos de castigo. Bernardo voltava a ser titular no meio-campo, perto de Tchouaméni, e Fede Valverde surgia adaptado a lateral-direito — com Trent Alexander-Arnold e Dumfries no banco. Do outro lado, num Valencia que está em zona de despromoção, mas que vinha de uma vitória contra o Elche, Javier Aguirre tinha Umar Sadiq e Danjuma no ataque, com o ex-Famalicão Justin de Haas no eixo defensivo.

Ainda antes do apito inicial, de forma natural, o Mestalla parou para uma homenagem arrepiante a Jesús de Miguel, jogador do Tenerife que morreu no início da semana na sequência de um choque com um adversário. Todos os jogadores entraram com camisolas com o nome do avançado e o árbitro transportou uma enorme coroa de flores que colocou no centro do relvado, sendo que o facto de a jornada da La Liga não ter sido adiada foi motivo de muita polémica nos últimos dias. Ao minuto 9, o jogo parou para mais uma salva de palmas a Jesús de Miguel.

Numa primeira parte de um sentido único quase absoluto, o único sinal de vida da equipa de casa apareceu ainda dentro dos 20 minutos iniciais, com Aaron Mayol a rematar para uma boa defesa de Courtois (19′). Antes da meia-hora, contudo, o ascendente dos merengues concretizou-se mesmo e através de um remate forte, cruzado e rasteiro de Fede Valverde, de fora de área (28′). Pouco depois, Arda Güler aumentou a vantagem ao aparecer ao segundo poste, a atirar de primeira, na sequência de um cruzamento de Jude Bellingham na esquerda (36′). Ao intervalo, o Real Madrid estava a vencer o Valencia confortavelmente.

Javier Aguirre mexeu no início da segunda parte, lançando Luis Rioja, e a lógica manteve-se: o Real Madrid dominava, o Valencia via jogar, ainda que tudo mais morno e sem a intensidade da primeira parte. Stole Dimitrievski ganhou algum protagonismo, defendendo oportunidades de Arda Güler (55′), Mbappé (56′ e 58′) e Bellingham (65′), Courtois foi testado do outro lado por Danjuma (67′) e entretanto, já à beira do último quarto de hora, o inevitável acabou mesmo por acontecer: contra-ataque letal, Güler serviu Mbappé e o francês, na cara do guarda-redes, não falhou (75′). 

Até ao fim, José Gayà ainda foi expulso com cartão vermelho direto depois de uma entrada dura sobre Mbappé, Brahim Díaz, Eduardo Camavinga, Endrick e Thiago Pitarch ainda tiveram minutos, mas já nada mudou. O Real Madrid venceu o Valencia, somou a oitava vitória consecutiva e fica agora à espera de saber o que fazem Atl. Madrid e Barcelona, no Metropolitano, depois de mais uma exibição brutal e convincente de Arda Güler.