O Avançado-Centro Morreu ao Amanhecer, primeira pedra do que viria a tornar-se a Companhia de Teatro de Almada, texto do argentino Agustin Cuzzani, estreou-se no Campolide Atlético Clube há 50 anos. A encenação foi de um feroz crítico de teatro do Diário de Lisboa, convocado por um grupo de jovens que queriam experimentar o que era isso do teatro. E a coisa foi ganhando relevo, ao ponto de o segundo espectáculo, Vida do grande D. Quixote de La Mancha e do gordo Sancho Pança — de António José da Silva, o “Judeu” — ter recebido, pela Casa da Imprensa, o prémio de Melhor Espectáculo Amador de 1972. O barco foi ganhando peso e gente para remar e em 1977 era um navio profissional, nobremente instalado no Teatro da Trindade, onde esgotava sessões atrás de sessões. Entretanto, talvez se tenha cansado de uma certa mordomia, de um lugar de estrelato que parecia não bater certo. Em 1978, o Grupo de Campolide muda-se para Almada, instalando-se na Academia Almadense, que viria a habitar até 1987, quando foi inaugurado o Teatro Municipal de Almada — hoje Teatro-Estúdio António Assunção. Pelo caminho, tornar-se-ia a Companhia de Teatro de Almada e mais tarde, em 2006, nasceu o Teatro Municipal Joaquim Benite, que ainda hoje habita.

Joaquim Benite foi o homem-do-leme. Em 1984, como atividade de verão em Almada Velha, criou o Festival de Almada, hoje o maior festival de teatro do país e um dos mais relevantes da Europa. Rodrigo Francisco tinha 7 anos, quando viu, da sua janela, um espectáculo-arruada, um percurso feito pelas ruas do centro história da sua cidade. Memória que ficou guardada até que muitos anos depois, em 1997, vai ajudar a montar o festival, um trabalho de verão como outro qualquer. Tudo havia de mudar. Tornou-se assistente de Joaquim Benite e assumiu o lugar do timoneiro, após a sua morte, em 2012. Mas o propósito do seu criador, de um teatro ligado com a comunidade, mantém-se. A Companhia de Teatro de Almada é, inegavelmente, um dos maiores casos de sucesso do país no que à proximidade com o público diz respeito. Esta é uma conversa entre dois almadenses, que não seriam os mesmos se a história fosse outra.

Rodrigo Francisco tornou-se assistente de Joaquim Benite e assumiu o lugar do timoneiro, após a sua morte, em 2012. Mas o propósito do seu criador, de um teatro ligado com a comunidade, mantém-se

ANDRÉ DIAS NOBRE / OBSERVADOR

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