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Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro era um entusiasta do desporto. Gostava particularmente de esgrima, mas praticava outras atividades

Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro era um entusiasta do desporto. Gostava particularmente de esgrima, mas praticava outras atividades

Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro. Ilustrador, ceramista e artista completo /premium

Apesar do percurso artístico exemplar, Manuel Gustavo foi incapaz de sair da sombra do seu pai. Por altura do 100º aniversário da sua morte, uma nova exposição recupera a sua obra de ilustração.

Talvez não tenha havido ninguém que tenha trabalhado mais para a perpetuação do trabalho de Rafael Bordalo Pinheiro do que o seu filho mais velho, Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro. Desde cedo que Manuel Gustavo trabalhou de perto com o pai, colaborando com ele em vários projetos, nomeadamente nos jornais humorísticos por ele fundados, mas desenvolvendo paralelamente um percurso próprio, de conciliação do mundo antigo com o novo, que passou pela banda desenhada e pela ilustração infantil, que davam ainda os primeiros passos em Portugal.

Após a abertura da Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, em 1884, tornou-se presença regular nas instalações da empresa. Depois da morte do pai, em 1905, ficou responsável pela fábrica, dedicando-se à cerâmica e desenvolvendo um estilo próprio que conjugava a matriz tradicional caldense com elementos da arte moderna, nomeadamente da Arte Nova. Vários problemas financeiros acabaram por ditar o fim da empresa, mas Manuel Gustavo fez de tudo para a impedir que a obra de Rafael Bordalo Pinheiro caísse no esquecimento. Com a ajuda de antigos trabalhadores, criou a Fábrica Bordallo Pinheiro, ainda em funcionamento. Foi também indispensável na abertura do museu, um projeto do amigo Cruz de Magalhães, em 1916.

A ilustração que Manuel Gustavo fez para homenagear o pai. O desenho mostra-o em pose, a ser modelado por Rafael Bordalo Pinheiro (Créditos: Museu Bordalo Pinheiro | EGEAC)

Em contrapartida, o seu percurso artístico acabou engolido pela figura maior do seu pai. Não apenas por causa da fama do ilustrador e ceramista português, mas talvez sobretudo por causa da postura que o próprio Manuel Gustavo tinha em relação a ele. Numa ilustração de 1903, feita para um álbum oferecido a Rafael Bordalo Pinheiro por altura da sua homenagem no Teatro D. Maria II, em Lisboa, representou-se como a “pior obra” do pai. “Acho que ele próprio se apagou. Não foram apenas os outros que o apagaram”, comentou Mariana Caldas de Almeida, especialista na vida e obra Manuel Gustavo e responsável pela nova exposição temporária do Museu Bordalo Pinheiro, organizada para assinalar os 100 anos da morte do filho do caricaturista.

Com o título Histórias Desenhadas, a pequena ambiciona pretende fazer aquilo que Manuel Gustavo não foi capaz de fazer — afastá-lo da figura do pai. Com 29 peças, esta apresenta cronologicamente “os pontos fundamentais da obra do artista, numa perspetiva muito específica, a da obra desenhada, mas que nos permite perceber perfeitamente a evolução e a originalidade de Manuel Gustavo e a forma como ele se despegou do pai”, explicou Mariana Caldas de Almeida ap Observador.

A informação reunida na Sala da Paródia é complementada por quatro exposições virtuais, que percorrem a vasta produção artística de Manuel Gustavo e os momentos mais marcantes da sua vida. Estas estão online desde 8 de setembro, data da morte de Manuel Gustavo, e a exposição física poderá ser visitada a partir desta quinta-feira (com limitações no acesso,  devido à lotação controlada). Em conjunto, mostram que o filho mais velho de Rafael Bordalo Pinheiro “é um artista com valor e que faz sentido ser recordado”.

A exposição "Histórias Desenhadas" vai estar patente no Museu Bordalo Pinheiro de 24 de setembro a 28 de fevereiro de 2021

ANDRÉ DIAS NOBRE / OBSERVADOR

Um artista numa família de grandes artistas

Manuel Gustavo, o primeiro filho de Rafael Bordalo Pinheiro e de Elvira Ferreira de Almeida, nasceu às quatro da tarde do dia 20 de junho de 1867, no 2.º andar do n.º 120 da Travessa das Parreiras a Santa Marta, em Lisboa, onde o casal vivia. Rafael e Elvira estavam casados há apenas um ano e Bordalo Pinheiro dava ainda os primeiros passos na carreira de artista, em que Manuel Gustavo foi devidamente integrado — muitos dos momentos da sua infância foram registados pelo pai em desenhos. Um dos mais antigos, feito em 1868, mostra Rafael Bordalo Pinheiro, no dia do seu aniversário, a 21 de março, a segurar o filho bebé. Manuel Gustavo, que tantas vezes foi retratado pelo tio, o pintor Columbano Bordalo Pinheiro, foi-o primeiramente pelo pai — no mesmo ano de 1868, desenhou-o a sanguínea. Tinha então 17 meses de idade.

Em 1875, quando Manuel Gustavo tinha 8 anos, Rafael, que se tinha começado a afirmar como caricaturista e desenhador de humor, estabeleceu-se no Rio de Janeiro a convite do jornal humorístico O Mosquito. Elvira e a filha, Helena, juntaram-se-lhe no ano seguinte. Para não interromper os estudos, Manuel Gustavo ficou em Lisboa, entregue aos cuidados dos avós paternos, Manuel Maria Bordalo Pinheiro e Maria Augusta Carvalho Prostes, que viviam na Ajuda. Na casa de Alcolena, os serões eram passados a desenhar, uma prática introduzida por Manuel Maria, pintor e escultor. Terá sido assim, sob o olhar atento do avô, que Manuel Gustavo terá dado os primeiros passos enquanto artista, que o seu pai procurou também incentivar.

Rafael fez um retrato rápido do filho a sanguínea quando Manuel Gustavo tinha apenas 17 meses (Créditos: Museu Bordalo Pinheiro | EGEAC)

Ao fim de quatro anos em terras brasileiras, onde colaborou de forma assinalável com a imprensa de humor local, e de 20 dias a bordo de um paquete, Rafael Bordalo Pinheiro regressou a Lisboa (um regresso que não correu exatamente como esperava por causa de um surto de febre amarela no Brasil, que o obrigou a ficar de quarentena no Lazareto, episódio que resultou num opúsculo, publicado em 1881). Em junho desse ano de 1879, fundou o seu primeiro grande semanário satírico, O António Maria, que funcionou até 1898. O título era uma referência a António Maria Fontes Pereira de Melo, então presidente do Conselho de Ministros (pela segunda vez) e um dos alvos preferenciais de Bordalo Pinheiro que, no editorial do primeiro número do jornal, deixou bem claro qual seria a matéria da sua sátira — o ambiente político português. Manuel Gustavo frequentava o primeiro ano dos liceus.

Em 1884, Rafael Bordalo Pinheiro fundou o seu mais importante empreendimento, a Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, com o apoio de Ramalho Ortigão e dos seus irmãos Maria Augusta e Feliciano. Manuel Gustavo, então com 17 anos, acompanhou o processo e tornou-se visita frequente nas instalações da empresa, projetadas pelo próprio Bordalo Pinheiro. É também desse ano que data a estreia de Manuel Gustavo na imprensa satírica portuguesa, com uma história desenhada para o n.º 257 de O António Maria, publicado a 1 de maio, que abre a nova exposição do Museu Bordalo Pinheiro. O espaço museológico tem em sua posse o desenho original (em tinta da china sobre papel), mas por motivos de conservação não pôde ser incluído na mostra, que inclui apenas a página 144 onde o “herdeiro” de Rafael Bordalo Pinheiro fez a sua estreia.

No cimo da folha, o artista apresenta o filho, que assina a ilustração como Bordalo Pinheiro (Filho), ao “público em geral e aos leitores”. A história desenhada descreve uma noite de bebedeira do seu autor (Créditos: Museu Bordalo Pinheiro | EGEAC)

A estreia no jornal satírico foi “o início de uma obra vastíssima”, como apontou Mariana Caldas de Almeida ao Observador. “Ele começou por colaborar ativamente no António Maria, primeiro com estas histórias desenhadas, que são historietas muito simples, muito ligadas aos tempos e costumes. Vemos que o traço ainda é muito ingénuo, muito imaturo.” Com o fim abrupto do António Maria em 1885 (nesse ano só saíram três números, a 3, 10 e 21 de janeiro), esta colaboração passou a fazer-se no Pontos nos iis, um novo semanário humorístico dirigido por Rafael Bordalo Pinheiro. Apesar de graficamente menos ambicioso por não fazer uso da cor, o jornal era claramente uma continuação de O António Maria, quer na forma quer no conteúdo. No caso de Manuel Gustavo, a nova publicação possibilitou-lhe uma participação mais ativa, de que são exemplo alguns números expostos na mostra Histórias Desenhadas.

Num período de maior maturidade, era comum pai e filho colaborarem no mesmo desenho. Mariana Caldas Almeida, que fez o levantamento dos jornais em que Manuel Gustavo participou ao longo da sua vida, encontrou 17 desenhos conjuntos assinados pelos dois. “O exercício interessante é tentar perceber o que é do Rafael e o que é do Manuel Gustavo, o que é que nos indica o traço do um e o traço do outro”, disse, apontando que “o traço do Rafael [é] muito mais minucioso, muito mais pormenorizado. Muito mais romântico. O do Manuel Gustavo [é] muito mais moderno, mais ondulante, mais sintético.”

Uma banda desenhada publicada no "Século Ilustrado" (à esquerda) e o Gafanhoto, o primeiro herói infantil português (à direita)

Paralelamente ao trabalho desenvolvido junto de Rafael Bordalo Pinheiro, o jovem artista foi colaborando noutros projetos, primeiro de amigos do seu pai e mais tarde em jornais e revistas portugueses de grande tiragem, como O Comércio do Porto ou O Século Ilustrado. “O Século Ilustrado era uma revista [semanal do jornal O Século] que tinha muitas páginas ilustradas por artistas. A última era sempre dedicada à banda desenhada, o que, na altura, era interessante. A banda desenhada era ainda muito pouco divulgada”, disse Mariana Caldas Almeida, que nos conduziu pelas páginas de jornais e revistas expostos na Sala da Paródia.

Manuel Gustavo colaborou nessa página, e também com uma das primeiras revistas portuguesas de banda desenhada para crianças, O Gafanhoto, dirigida por Henrique Lopes de Mendonça e por um irmão do seu pai, Tomás Bordalo Pinheiro. A personagem que lhe deu nome, o Gafanhoto, foi uma criação de Manuel Gustavo, assim responsável pelo primeiro herói infantil português. “A revista foi lançada em 1903 e ele criou esta figura. A revista tinha muitos autores importados, mas ele fez uma série de elementos gráficos. É interessante por ser a primeira revista de ilustração infantil [em Portugal], algo desconhecido na altura”, referiu também a especialista. O Gafanhoto fechou em 1910, com a queda da monarquia e o início da república.

A afirmação enquanto desenhador

O início do novo século trouxe a Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro a afirmação por que esperava. A oportunidade surgiu em 1900, quando o pai fundou, num período já de grande cansaço, outro jornal humorístico, A Paródia. Nesta nova publicação, Rafael deu a Manuel Gustavo maior liberdade, que este usou para explorar algumas inovações no campo das artes gráficas.

Foi neste jornal, repleto de cor, que apresentou alguns dos seus melhores trabalhos gráficos, onde se destacam o uso de frisos com motivos repetitivos, muitas vezes florais e com animais, que depois aplicou na cerâmica. A influência da Arte Nova é também evidente, nomeadamente no desenho das molduras que enquadram as ilustrações. “A Paródia é o sítio onde se afirmou como desenhador moderno, já muito distinto dos registos que vimos até agora. O uso da cor é flagrante e importantíssimo na forma como os desenhos são trabalhados”, afirmou a curadora da exposição Histórias Desenhadas.

Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro em 1907, ano da sua primeira exposição de cerâmica mas também do fecho da Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, que entrou em falência (Créditos: Museu Bordalo Pinheiro | EGEAC)

Evidente é também a “preocupação social”, “que é também uma preocupação moderna”. “Ultrapassa a questão política, a questão pessoal. O político é caricaturado, e passa a representar a sociedade e os próprios problemas da sociedade”, explicou a especialista. E foi precisamente por causa da caricatura de um político, do rei D. Carlos, que A Paródia acabou por fechar em 1902, reabrindo depois com um novo nome: Paródia: comédia portuguesa.

Rafael Bordalo Pinheiro morreu a 23 de janeiro de 1905, com 58 anos. A sua morte foi um duro golpe para Manuel Gustavo, que assumiu a direção de muitos dos projetos artísticos do pai, incluindo da Paródia, que continuou a publicar-se até 1907, mas com uma demarcada ausência da sua parte — a cerâmica e a fábrica das Caldas da Rainha tinham-se tornado a sua grande prioridade. Em maio de 1906, inaugurou a sua primeira exposição, no ateliê da Rua António Maria Cardoso, em Lisboa. As críticas foram encorajadoras: ”Foi um sucesso. Pela primeira vez em Lisboa deixou de ser o homem do sport, o atirador de sala d’armas, o remador das regatas de Cascais, para ser exclusivamente, o Artista”, escreveu um jornal, fazendo referência ao gosto bem conhecido de Manuel Gustavo pelo desporto, sobretudo pela esgrima. Entre os seus trabalhos de ilustração contam-se inclusivamente um programa para o hipódromo de Belém ou um menú para um evento ligado à esgrima.

Foi na "Paródia", o último jornal humorístico fundado por Bordalo Pinheiro, que Manuel Gustavo se afirmou enquanto ilustrador

ANDRÉ DIAS NOBRE / OBSERVADOR

O fim da Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha e o nascimento da Bordallo Pinheiro

Apesar das críticas encorajadoras ao seu trabalho de ceramista, os negócios não iam de vento em poupa. Em 1907, uma grave crise financeira, levou à falência da Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, que Manuel Gustavo geria desde a morte do pai, e à sua venda em hasta pública. Mas o ilustrador não baixou os braços — no ano seguinte, procurando dar continuidade ao trabalho de Rafael Bordalo Pinheiro, abriu a Fábrica Bordallo Pinheiro, ainda hoje em funcionamento. Após uma longa batalha judicial com Manuel Godinho Leal, que tinha comprado a empresa por 7.600 escudos, conseguiu reaver os moldes originais, inspirados pelas tradições locais, e continuar a produzir as peças pelas quais a fábrica é ainda hoje conhecida. Para isso, contou com a ajuda de muitos antigos trabalhadores que rapidamente se juntaram ao novo projeto e com o apoio da imprensa e de especialistas, como José de Figueiredo e José Queirós.

À frente da Fábrica Bordallo Pinheiro, Manuel Gustavo inovou ao conjugar a matriz mais tradicional da cerâmica caldense com as correntes artísticas modernas, nomeadamente a Arte Nova. Da sua vasta e eclética obra, destacam-se as chamadas “terracotas policromadas”. Estas peças, que integraram a exposição de 1907 no ateliê de Lisboa e que foram também expostas no Porto, chamaram a atenção dos críticos pela sua novidade. José Queirós, especialista em cerâmica, afirmou que eram “uma nova expressão de arte na cerâmica portuguesa, senão na cerâmica universal”.

Quatro destas terracotas podem ser vistas na nova mostra do Museu Bordalo Pinheiro, juntamente com outras peças de cerâmica que mostram como o artista aliou tradição e modernidade — dois pratos de uma série de oito dedicados a animais e uma jarra amachucada, um modelo do pai a que o filho acrescentou uma banda em prata com frisos com motivos repetitivos e a frase “Por Bem”, no estilo Arte Nova. A introdução de referências modernas é, aliás, um dos traços mais marcantes do seu trabalho. Nas suas ilustrações, abundam frisos e ondulações típicas da Arte Nova, que servem para enquadrar desenhos que são a ponte perfeita entre o seu tempo, que é já o tempo da modernidade, e o tempo do seu pai.

Quando foram expostas, as "terracotas policromadas" receberam rasgados elogios da crítica. Um especialista chamou-lhes "uma nova expressão de arte na cerâmica portuguesa"

ANDRÉ DIAS NOBRE / OBSERVADOR

Nos anos seguintes, Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro continuou a realizar exposições e a dedicar-se à cerâmica. De tal forma que acabou por se tornar mais conhecido como ceramista do que como desenhador, apesar da relação de várias décadas com a ilustração. Esta história teve um novo e importante capítulo em 1913, quando se tornou colaborador regular da Ilustração Portugueza, uma revista de grande tiragem criada pela empresa do jornal O Século em 1903. De acordo com Mariana Caldas de Almeida, trata-se de “um período muito pouco conhecido da obra” do ilustrador. “Ele colaborava semanalmente. Ilustrava crónicas, normalmente assinadas por Júlio Dantes e por Mário de Almeida, que tratavam de diversos assuntos, mas já muito diferentes do que eram os temas do século XIX — a Grande Guerra, as modas femininas, a emancipação feminina. É outro mundo, completamente diferente do do Rafael.”

Na década de 1910, Manuel Gustavo envolveu num outro importante projeto — a criação do Museu Bordalo Pinheiro. O artista era amigo de Artur Cruz de Magalhães, fundador do espaço museológico e admirador incondicional de Bordalo, e colaborou ativamente na abertura do museu, em 1916. “Ele doou dezenas de peças da sua coleção. Muitas das peças que estão no museu, sobretudo as de cariz mais pessoal, [eram dele]. A camisa, as medalhas, o quadro do Columbano — fazia tudo parte da coleção pessoal do Manuel Gustavo.” O que não foi doado em vida, foi doado depois da morte — quando morreu, o artista deixou indicações à mulher, Angelica Barreto da Cruz, para que deixasse tudo ao museu dedicado ao seu pai. “Ele percebeu que o museu tinha uma importância grande ao nível da defesa da obra do pai e quis fazer parte disso”, comentou Mariana Caldas de Almeida.

Um retrato de Manuel Gustavo com uma dedicatória para Cruz Magalhães, fundador do Museu Bordalo Pinheiro, em Lisboa. Os dois eram amigos chegados (Créditos: Museu Bordalo Pinheiro | EGEAC)

Tal como se quis envolver nos inúmeros projetos que Rafael Bordalo Pinheiro deixou de modo a garantir que o seu legado perdurava. “Sempre defendeu a obra do pai de uma forma fortíssima”, disse ainda a especialista, acrescentando que, apesar de a fábrica de cerâmica das Caldas da Rainha ter sido “herança”, Manuel Gustavo se agarrou à atividade com “muita força”. “A partir de 1905, depois da morte do pai, dedicou-se intensamente à cerâmica, e não só para defender a obra do Rafael. Continuou a fazer exposições com peças do Rafael, mas queria inovar sobre isso. Na Fábrica Bordallo Pinheiro, criou uma série de outras peças, que têm uma linguagem muito diferente das do seu pai. São muito mais simples, mais estilizadas, mais depuradas, mais modernas.”

Essa atenção que deu à cerâmica nas últimas décadas da sua vida fez com que ficasse “mais conhecido como ceramista”, mas Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro foi muito mais do que isso — “foi um artista completo”. Passados 100 anos da sua morte, a 8 de setembro de 1920, é sobretudo assim que o museu que ajudou a criar quer que seja lembrado, como um artista talentoso, versátil e diferente do seu pai.

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