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Biólogos Peter e Rosemary Grant foram os primeiros a observar o fenómeno de seleção natural em animais
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▲Biólogos Peter e Rosemary Grant foram os primeiros a observar o fenómeno de seleção natural em animais

FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVADOR

▲Biólogos Peter e Rosemary Grant foram os primeiros a observar o fenómeno de seleção natural em animais

FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVADOR

Peter e Rosemary Grant, os biólogos que em 40 anos nas Galápagos viram o que Darwin só sonhou

O casal esteve em Mértola numa conferência que reuniu os grandes nomes da biologia evolutiva e visitaram a futura Estação Biológica. Aos 88 anos, continuam a acompanhar os "seus" tentilhões.

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Charles Darwin foi quem formulou a teoria sobre a evolução das espécies e a seleção natural, mas foram Peter e Rosemary Grant os investigadores que a viram acontecer à frente dos seus olhos, ao dedicarem 40 anos da sua vida ao estudo dos tentilhões batizados com o nome do pai da biologia evolutiva. Observaram coisas que Darwin acreditava serem impossíveis e, aos 88 anos, os dois biólogos partilham as descobertas da sua investigação — que continua ativa nos dias de hoje— em conferências e palestras por todo o mundo.

Tudo começou em 1973, quando o casal chegou pela primeira vez às ilhas do Equador com a intenção de ficar dois anos. Começaram logo a recolher resultados de interesse, o que justificou o prolongamento do estudo e, quatro anos depois, em 1977, quando as condições se reuniram, conseguiram observar e provar o fenómeno teorizado por Darwin — a seleção natural. Durante seis meses, a cada ano, estudaram o comportamento e fisiologia de 18 espécies desta ave na ilha Daphne Major, bem como as populações e como variavam as características físicas das aves face às alterações climatéricas. Em 2016, publicaram 40 Years of Evolution através da chancela da “sua” Universidade de Princeton, EUA, e em abril, estiveram em Mértola, onde foram as estrelas de um evento científico inédito.

Arroz e atum nas Galápagos, favas e galinha no Alentejo

Os Grant, que figuram entre os biólogos evolutivos mais influentes da atualidade, estiveram nas “Mértola Evolution Conferences”, a primeira edição de um fórum de discussão científica cujo tema foi a especiação (processo evolutivo que leva à formação de novas espécies, partindo de um ancestral comum) e foram conhecer a futura Estação Biológica de Mértola. É a terceira vez que visitam Portugal  — onde, em Lisboa, viram a “melhor exposição” sobre o bicentenário de Darwin — e depois de uma sessão de birdwatching, renderam-se às favas e à galinha frita com tomate. À mesa do restaurante “A Paragem” da aldeia de Corvos, sentavam-se nove biólogos e investigadores internacionais das universidades de Princeton (EUA), Uppsala (Suécia) e Cornell (EUA).

Os pratos em tudo diferem do arroz e atum que comeram durante seis meses na ilha de Daphne Major, onde desenvolveram a sua investigação. “Íamos trocando a liderança da cozinha, mas acabei por me especializar no pequeno-almoço e no almoço, porque eram as refeições mais fáceis de preparar”, relata Peter Grant ao Observador, explicando que a “cozinha” consistia em equipamento muito básico de campismo, que ficava ao lado do microscópio numa pequena gruta na ilha. “Costumávamos fazer a piada de que numa noite teríamos atum e arroz e, na noite seguinte, algo completamente diferente: arroz e atum“, recorda o biólogo. Ao jantar era mais do mesmo, mas com autoria da “chef” Rosemary e com ajuda do seu “tuna repair kit” (kit de reparação do atum, na sua tradução literal), especiarias e ervas que ajudavam a diferenciar os pratos de um dia para o outro. Tanto o atum enlatado como o arroz e a água potável, nas doses necessárias para sobreviver a seis meses de missão, tinham que ser levados pelos investigadores.

  • Peter e Rosemary Grant, em entrevista ao Observador
    FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVADOR
  • Peter e Rosemary Grant, em entrevista ao Observador
    FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVADOR

Décadas depois, ao almoço foram abordados os mais diversos temas, desde a paixão louca pelo futebol que une Portugal e o Reino Unido — Peter Grant é fã do Crystal Palace, clube sediado próximo da zona do sul de Londres onde nasceu, e Rosemary “não quer saber” deste desporto  — até aos esforços de “desextinção” animal que já “ressuscitaram” lobos-terríveis — os quais consideram, em larga maioria, um “desperdício” de fundos que deveriam ser canalizados para a conservação animal.

Apanhar tentilhões e educar duas filhas: o dia-a-dia nas Galápagos

A primeira visita a Daphne Major deu-se em 1973 e ao longo de 40 anos, o dia dos dois biólogos na ilha começava com o nascer do sol pelas 5h da manhã, para começar a “apanhar” os tentilhões presos numa rede colocada na noite anterior. Peter era o responsável pelas medições dos pássaros, tanto dos bicos como das suas dimensões gerais, e Rosemary tratava das análises ao sangue e colocava pequenos elásticos coloridos nas suas patas para conseguirem identificar os milhares de aves que habitavam Daphne Major. Após libertarem os animais, ficavam a fazer “birdwatching” até à hora de almoço.

“Cobríamos as áreas um do outro quase exatamente e, por isso, nunca duplicámos tarefas, sempre de uma forma complementar. Muitas vezes, o Peter dava a volta à ilha num sentido e eu no outro, de modo a cobrirmos o máximo de terreno“, conta Rosemary ao Observador. Percorrendo a ilha de cima a baixo, os biólogos analisavam todos os fatores possíveis. “Gravávamos o canto de todos os machos [as fêmeas não cantam]. Registávamos também o que comiam, a sua dieta e a oferta de alimentos na ilha, porque varia enormemente de um ano para o outro”, continua.

  • Peter e Rosemary Grant, em entrevista ao Observador
    FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVADOR
  • Peter e Rosemary Grant, em entrevista ao Observador
    FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVADOR
  • Peter e Rosemary Grant, em entrevista ao Observador
    FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVADOR

Antes da segunda edição diária da saga arroz com atum, tomavam banho no Oceano Pacífico, apesar de não existir uma praia ou porto para facilitar o acesso ao mar. O anoitecer na linha do Equador era “repentino” e, devido à ausência de luzes artificiais na ilha, pelas 19h já estavam completamente rodeados de escuridão e era hora de voltar à tenda. “Muitas vezes perguntam-nos se levávamos um livro para ler ou alguma coisa para nos entretermos. Ao final do dia, nós estávamos exaustos, mesmo aos 35 anos”, revela Peter.

Quando as filhas do casal, Nicola e Thalia, tinham oito e seis anos foram pela primeira vez à ilha onde os pais trabalhavam. “Elas vinham connosco e faziam os seus próprios pequenos projetos. Foi mesmo maravilhoso estarmos só nós os quatro numa ilha desabitada durante três ou quatro meses de cada vez. E, surpreendentemente, demo-nos muito bem“, contam os biólogos, remetendo para a possibilidade de “não existir qualquer influência externa” que pudesse espoletar zangas familiares — algo que “definitivamente não aconteceu”, brinca Peter.

Começaram como alunas da escola caseira de Rosemary Grant e “pequenas ajudantes” na observação das aves até que, anos mais tarde, os “pequenos projetos” se transformaram em investigações próprias do foro ecológico. Nicola, a mais velha, acabou por estudar Medicina. Mas Thalia, a mais nova, continua com uma ligação profunda ao arquipélago. Licenciou-se em Biologia na Universidade da Califórnia, e publicou diversos estudos sobre a fauna das Galápagos. Hoje em dia dedica-se à história das várias ilhas, tendo lançado um livro sobre o tema enquanto promove e organiza visitas guiadas ao território equatorial, em conjunto com o marido.

"Diziam-me: vais-te casar, não precisas de ir para a universidade. Eu respondia que preferia seguir a biologia do que me casar"
Rosemary Grant, bióloga

“Durante a sua adolescência, uma delas disse, num tom algo sarcástico: mãe, pai, vocês fizeram muitas coisas mal, mas uma coisa que fizeram bem na nossa educação foi levar-nos todos os anos às Galápagos“, recorda Peter. “Elas adoraram estar nas Galápagos e acreditam que, ao levá-las connosco, lhes prestámos um grande serviço”.

“Um passo para o lado, três em frente”. Rosemary, uma pioneira na investigação

Rosemary Grant dedicou-se à investigação quando era “extremamente difícil” para uma mulher entrar no meio académico. “As raparigas estavam numa escola, os rapazes noutra, e nós éramos ensinadas a um nível inferior ao dos rapazes”, conta a bióloga nascida em 1936 e criada no norte de Inglaterra. Apesar deste entrave, sempre quis ir para universidade. Recebeu muitos “nãos” da família. “Diziam-me: vais-te casar, não precisas de ir para a universidade. Eu respondia que preferia seguir a biologia do que me casar“. Convenceu a família a deixarem-na fazer o exame de admissão ao ensino superior, mas apanhou papeira.

Foi aí que surgiu o primeiro “passo para o lado”, que influenciou o título da autobiografia que viria a escrever em 2024: “Um passo para o lado, três em frente“. A diretora da escola dizia que era “a vontade de Deus” Rosemary não entrar na universidade, mas a jovem não desistiu dos seus sonhos e foi à procura de emprego para amealhar dinheiro para poder financiar uma tentativa futura. Pouco tempo depois, entrou na Universidade de Edimburgo onde acabou por se licenciar em Zoologia. Em paralelo, Peter também mergulhou nesta área científica, recebendo o seu diploma da Universidade de Cambridge.

  • Rosemary Grant, na ilha Daphne Major nas Galápagos
  • Peter Grant, na ilha Daphne Major nas Galápagos

Os seus caminhos cruzaram-se meses mais tarde, em 1960, quando Rosemary se deslocou até ao Canadá para começar a dar aulas na Universidade de British Columbia, onde Peter começou, ao mesmo tempo, o seu doutoramento. Conheceram-se e demoraram apenas um ano a casar, enquanto Rosemary ensinava e Peter fazia a sua investigação numa vertente mais ecológica. Passaram por vários institutos de ensino superior norte-americanos, como Yale e McGill, como investigadores, até que em 1973 partiram pela primeira vez à descoberta das Galápagos.

Porém, o percurso académico de Rosemary continuava suspenso devido à falta de financiamento para poder começar o seu próprio doutoramento. “Fui convidada para ir dar uma palestra, na Universidade de Uppsala, e introduziram-me como Drª Grant. Eu disse-lhes: não, não sou Drª Grant, porque não tenho um doutoramento“, lembra Rosemary ao Observador, revelando que a pessoa que a introduziu na conferência, horas mais tarde, ofereceu-se para ser o seu orientador de doutoramento. Uma vez que se tratava de uma universidade sueca, a bióloga viu as suas dificuldades monetárias a serem resolvidas, não precisando de pagar pela obtenção do grau académico.

Rosemary Grant sublinha que sempre recebeu um grande apoio do marido. “Foi literalmente um passo para o lado e três para a frente. Muitas mulheres e pessoas com dificuldades semelhantes pediram-me para escrever sobre a minha história, porque as iria ajudar a superar os problemas que enfrentavam. E assim o fiz”, conclui a bióloga.

  • Peter e Rosemary Grant, na visita guiada à Estação Biológica de Mértola, conduzida pelo investigador Paulo Célio Alves
    FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVADOR
  • Antigo silo à margem do Rio Guadiana está a ser convertido e reabilitado para dar casa à Estação Biológica de Mértola
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  • A Estação Biológica de Mértola encontra-se na margem esquerda do Rio Guadiana, oposta ao centro histórico da cidade
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  • Rosinda Pimenta, vice-presidente da Câmara Municipal de Mértola, também esteve presente na visita guiada à Estação Biológica
    FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVADOR

Um estudo ao longo de 40 anos nas pegadas de Darwin

Charles Darwin acreditava que a evolução das espécies era um processo lento e gradual, e que mudanças significativas das características dos organismos demoravam milhares ou milhões de anos a manifestar-se. Para o pai do evolucionismo e da seleção natural, era impensável que estas mudanças fossem observáveis e medidas num curto espaço de tempo. Contudo, pouco mais de 100 anos após a publicação do seu livro sobre o tema — “A Origem das Espécies por Seleção Natural” —, os Grant acabaram por “desafiar” a teoria de Darwin, verificando que, afinal, este processo evolutivo pode acontecer “de um ano para o outro”.

“Eu [Rosemary] tinha interesse em entender como é que a variação genética e fenotípica se mantém durante a especiação. E o Peter tinha exatamente a mesma questão mas numa perspetiva ecológica. Então, logo na semana em que nos conhecemos, já estávamos a discutir este problema”. E também se apaixonaram.

Em 1973 fizeram a primeira viagem rumo a uma ilha sem presença humana no coração do arquipélago das Galápagos. Daphne Major era ideal para aprofundar o seu entendimento sobre “como se gera biodiversidade a partir de um pequeno ponto de partida“. Peter e Rosemary dizem que existem 18 espécies de tentilhão ao longo das várias ilhas, e que todas terão evoluído de um ancestral comum há cerca de um milhão de anos. Assim, surgiu a questão de entender como é que neste espaço de tempo — relativamente curto em termos biológicos — foram criadas tantas novas espécies com características tão distintas, mas um antepassado em comum.

Entenderam que uns tentilhões possuíam bicos fortes de maiores dimensões mais adequados para comer sementes mais duras, e outros com bicos menores e pontiagudos para insetos e outro tipo de sementes, algo que havia sido teorizado, mas nunca quantificado. Este fator, acoplado com os fenómenos meteorológicos que atingem a região de uma forma regular, convenceram-nos a ficar além dos dois meses previstos.

"O processo [de seleção natural] era conhecido em associação com a atividade humana nos hospitais e nos sistemas agrícolas com a resistência a produtos químicos, por exemplo, que evoluía através de uma série de gerações. O que não se sabia, no entanto, é que se poderia verificar o mesmo fenómeno em organismos de vida tão longa como as aves [que podem viver até aos 17 anos]"
Peter Grant, biólogo

Na quarta visita à ilha deram de caras com os fenómenos El Niño e La Niña, responsáveis por trazer chuvas torrenciais ou períodos de seca intensa na região tropical do Pacífico “uma ou duas vezes por década”, mas de uma forma completamente imprevisível. “Num ano muito chuvoso, uma determinada população pode ser composta por pouco mais de mil indivíduos. Durante as secas, cerca de 80% a 90% dessas aves podem morrer“, explica Rosemary Grant ao Observador.

Foi exatamente isso que aconteceu. Em 1977, durante um intenso período de seca, as pequenas sementes que outrora foram abundantes em Daphne Major tornaram-se escassas, obrigando os tentilhões com bicos pequenos e pontiagudos a encontrar alimentos alternativos. Assim, os sobreviventes foram os com um bico maior e com maior capacidade de quebrar sementes maiores. Rosemary e Peter notam que o tamanho do bico é uma característica hereditária e, uma vez que sobreviveu a maioria das aves com esta particularidade, as gerações seguintes já cresceram com bicos maiores, de acordo com as medições constantes dos biólogos. Num espaço de dois anos, conseguiram observar a seleção natural, devido à seca, e a evolução da espécie, com um aumento do tamanho dos bicos para assegurar a sobrevivência.

Anos mais tarde, chuvas torrenciais abateram-se sobre a ilha e nestas condições, os tentilhões com bicos mais pequenos revelaram estar mais aptos para sobreviver, existindo uma maior abundância de sementes. De uma forma inversa, repetiu-se o fenómeno que haviam observado alguns anos antes. Estas instâncias marcaram a primeira vez que se registaram e quantificaram as mudanças associadas ao processo de seleção natural fora de um ambiente controlado, explica Peter Grant.

“O processo [de seleção natural] era conhecido em associação com a atividade humana nos hospitais e nos sistemas agrícolas com a resistência a produtos químicos, por exemplo, que evoluía através de uma série de gerações. O que não se sabia, no entanto, é que se poderia verificar o mesmo fenómeno em organismos de vida tão longa como as aves [que podem viver até aos 17 anos]”, afirma o biólogo, acrescentando que para a maioria das pessoas, “era um conceito inconcebível“.

  • Quatro espécies observadas por Darwin nas Galápagos
    Universal Images Group via Getty
  • Um tentilhão-terrestre-grande fotografado nas Galápagos
    LightRocket via Getty Images

Ao longo dos 40 anos na ilha remota do Equador, os dois biólogos conseguiram também observar o processo de hibridação em animais, algo que não era conhecido antes de terem embarcado nesta aventura em 1973. Numa altura em que conheciam literalmente todos os tentilhões que habitavam a ilha, chegou o “Big Bird” (“Grande Pássaro”, na sua tradução literal), uma nova espécie que terá vindo de uma ilha vizinha. Tinha um “canto único” e “uma plumagem que se destacava” das espécies nativas de Daphne Major. Em 1983, dois anos após a chegada do novo habitante, passaram a existir três machos e duas fêmeas desta espécie, através do cruzamento com os residentes originais. “22 anos mais tarde, a população chegou a ultrapassar os 200”, lembram Peter e Rosemary, que conseguiram acompanhar mais de seis gerações desta nova linhagem. “Quando tentámos publicar um artigo sobre a hibridação que observámos, foi negada a publicação. Diziam que os pássaros não hibridizam“, contam ainda.

Os biólogos, ambos com 88 anos, não visitam a ilha Daphne Major desde 2019, mas garantem que continuam a acompanhar a investigação que se mantém ativa sob tutela do biólogo sueco Leif Andersson. Os Grant mantêm um “enorme desejo” de ainda voltar àquela que foi a sua segunda casa, mas reconhecem que o trabalho está bem entregue. Reúnem semanalmente por videoconferência com Andersson, que também os acompanhou até Mértola, para receber atualizações dos “seus” tentilhões — pelo que se despediram, ao final do dia, com um “vejo-te na terça-feira, por Zoom”.

Peter e Rosemary servem de inspiração para milhares de biólogos em todo o mundo, e acreditam que a Estação Biológica de Mértola, última paragem da sua vista, será uma “experiência natural empolgante”, com os seus quartos destinados a cientistas e investigadores e o seu centro educativo. “Acho que corre o risco de vir a ter demasiado sucesso. E depois o que é que se faz? O mundo inteiro vem a Portugal e toda a gente vai visitar Mértola”, profetiza Peter Grant.

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