Um sal para resolver a desidratação de “incontáveis pássaros em toda a Europa do Norte” e que “à medida que dissolve, deixa apenas resíduos biodegradáveis que enriquecem o solo e beneficiam a vegetação próxima”?

A “solução inovadora”, dizem várias publicações partilhadas nas redes sociais, está a ser utilizada na Suécia. Mas a Administração Sueca dos Transportes já desmentiu a informação, numa resposta enviada à agência de notícias Reuters.

A porta-voz da agência do governo sueco, Katarina Woffram, fala mesmo em “fake news. A Suécia nunca usou o produto que está a ser anunciado nas redes sociais e não planeia fazê-lo.

Quando mais nenhum outro método antiderrapante funciona, o país utiliza cloreto de sódio comum, com uma pureza mínima de 97%, explica a porta-voz. Katarina Woffman aponta também que, há 20 anos, o país tentou usar uma mistura de sal e açúcar em pequenas áreas, para testar o produto.

Na sua página oficial de internet, a Administração Sueca de Transportes explica que o país “possui quase 10 mil quilómetros de rodovias estatais e cerca de um quarto delas recebe sal, pois nenhum outro método antiderrapante funciona. Salgamos as estradas com alto volume de tráfego e onde frequentemente ocorrem mudanças bruscas de temperatura”.

Quanto às preocupações ambientais levantadas pelas publicações em análise neste artigo, a agência governamental sueca adianta que estão “cientes dos efeitos negativos do sal, mas sem ele, principalmente o tráfego pesado, seria interrompido”.

“O sal tem efeitos ambientais negativos. O sal pode afetar a vegetação e os corpos de água próximos às rodovias. Além disso, pode agravar o problema da ferrugem. Na nossa missão de combater o risco de pistas escorregadias em vias movimentadas, não existem, atualmente, alternativas com menor impacto ambiental. Estamos a trabalhar para aprimorar os métodos e buscamos constantemente reduzir a quantidade de sal utilizada”, explica a Administração Sueca de Transportes.

Conclusão

A Suécia não está a utilizar “um sal de estrada ecológico e comestível derivado da beterraba”. A informação foi desmentida pela porta-voz da Autoridade Sueca dos Transportes. Katarina Woffram diz que o país nunca usou o “alegado produto” e que utiliza sal comum, com uma pureza de 97%, para descongelar as estradas do país — que no ano passado registou temperaturas de -40ºC.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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