Momentos-chave
- Seguro aproveita "adversários que se entretêm a atacar uns aos outros" para alargar apelo ao voto à direita
- Jorge Pinto alerta para necessidade de distinguir voto útil de voto oportunista
- "Não ando aos zigue-zagues a fazer de conta que vou desistir", provoca António Filipe, que vê candidatura em crescendo
- Jorge Pinto critica políticas da saúde e alerta: Presidente deve ser "bombeiro do sistema"
- Catarina Martins acredita que falhas na Saúde são "estratégia" do Governo. "Ninguém é assim tão incompetente"
- Sondagem. Seguro continua na frente, Cotrim entra no pódio e Gouveia e Melo cai
- Mendes pede concentração de votos e ataca adversários: "Esta gente não está preocupada com a estabilidade"
- Seguro "irritado" com mais um caso na saúde e com candidatos que "não estão disponíveis para dar contributo”
- Hugo Soares assume apelo "ao PSD e aos que votaram PSD" para votarem em Mendes e diz que "não é frete"
- Ventura: "Posso tirar selfies, mas não vou ser o Presidente do dizer, vou ser o Presidente do fazer"
- Ventura: "Os meus principais adversários passam a vida a decidir se são contra o Governo ou pró-Governo"
- "Seguro é fixe", ouviu-se em Lisboa. Socialista garante ver "candidatura a crescer"
- Cotrim chamava Montenegro para pedir que demitisse a ministra da Saúde. Mas não fazia "birra"
- Seguro não negoceia "nada" à esquerda e "feliz" com declarações de Jorge Pinto no debate
- Ventura, em 2016, acreditou que Marcelo "podia ser diferente" e que seria rosto da "mudança"
- Ventura ambiciona vitória "mais folgada possível" e diz que Mendes está em "fase descendente" porque se "colou ao Governo"
- Ventura culpa ministra e Governo por morte no Seixal e mais um nascimento em quartel de bombeiros
- Seguro quer "destruir visão de condomínio" na área do ambiente
- Cotrim aperta cerco a Mendes: “Governo tem em mim um aliado mais fiável”
- Duarte Cordeiro vai à campanha de Seguro dizer aos socialistas que "é um desperdício" votar no almirante
- Jorge Pinto não foi contactado por Seguro (nem falou com Catarina Martins ou António Filipe)
- Catarina Martins: "Nunca propus a ninguém na comunicação social o que pudesse ser feito pessoalmente"
- "Jorge Pinto? Se apelou a alguma desistência foi à dele próprio", atira António Filipe, entre críticas a Seguro
- "Não é suposto ser oposição ao Governo". Mendes lamenta que adversários "queiram todos criar dificuldades à estabilidade"
- Esquerda não respondeu a apelo de união, por isso "é evidente que a minha candidatura vai até ao fim", garante Jorge Pinto
- A agenda dos candidatos para esta quarta-feira
Histórico de atualizações
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Bom dia!
Este liveblog fica por aqui.
Continue a seguir a nossa cobertura ao minuto da campanha para as eleições presidenciais do dia 18 de janeiro.
Quinto dia de campanha arranca com os candidatos divididos pelo país
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Gouveia e Melo com rendimentos só da Marinha e um Alojamento Local gerido pela ex-mulher
Almirante não declarou rendimentos de AL numa propriedade sua porque é a mulher que o explora. Insistiu em declarar rendimentos à saída das Forças Armadas, depois de o TC dizer que não era preciso.
Gouveia e Melo com rendimentos só da Marinha e um Alojamento Local gerido pela ex-mulher
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Marisa Matias considera que "não faz sentido" discussão sobre desistências à esquerda
Marisa Matias fez a sua primeira aparição na campanha de Catarina Martins para dizer que “não faz sentido” o debate sobre desistências à esquerda. “Muita gente provavelmente vai ter que fazer sacrifícios no voto na segunda volta, é escusado começar a fazer já na primeira.”
“Estamos numa eleição profundamente fragmentada. A primeira volta é o lugar em que as pessoas podem, verdadeiramente votar com gosto e com vontade naquela pessoa que a representa melhor”, disse a bloquista, que se candidatou às últimas duas eleições presidenciais.
Marisa Matias criticou a atual campanha por se “discutir muito mais negócios e conflitos de interesses putativos do que qual é o papel da Presidência”, que considerou que deve ser a prioridade. Além das áreas da Saúde e Habitação, a antiga eurodeputada também elegeu a questão ambiental como prioritária na agenda do futuro inquilino do Palácio de Belém.
Pediu para a exploração dos recursos naturais em Portugal não considerar “apenas o fator do lucro, que vai ajudar umas poucas empresas a acumular muito, mas não é uma resposta para o país”.
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Seguro aproveita "adversários que se entretêm a atacar uns aos outros" para alargar apelo ao voto à direita
Esta noite, num comício em Santarém, António José Seguro apontou aos “adversários que se entretêm a atacar uns aos outros” enquanto a sua candidatura “discute os problemas do país”, diz imediatamente antes de convidar todos a apoiarem a sua candidatura, incluindo os descontentes à direita.
VASCO COELHO/OBSERVADOR
O socialista continua a aproveitar a contenda entre Mendes e Gouveia e Melo, que ontem marcou o debate entre todos os candidatos, não só para se diferenciar como para alargar o apelo ao voto. “Venham de onde vierem, da esquerda, da direita ou do centro, cada português é muito bem vindo porque todos fazemos o país”, afirmou tentando chegar ao voto de indecisos mas também com os descontentes com outras candidaturas de outras áreas políticas.Seguro acredita que “os portugueses já viram a diferença” e é “por isso é que todos os dias chegam mais homens e mulheres” à sua candidatura.
Num comício da Casa do Campino — onde voltou a ter o partido a mobilizar apoiantes e também a presença de alguns deputados socialistas, caso de Filipe Neto Brandão ou Hugo Costa (que é também presidente do PS-Santarém) — , Seguro voltou a colocar o voto na sua candidatura como aquele “que conta” numa altura em que “à espreita estão os inimigos da democracia”.
Pelo meio vai ainda garantindo que não criará instabilidade com o Governo e que “nunca será um primeiro-ministro sombra em Belém”, mas diz também que não será “um presidente de facção”, Promoverá, promete, um “equilíbrio necessário para bem de Portugal”.
VASCO COELHO/OBSERVADOR
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Jorge Pinto alerta para necessidade de distinguir voto útil de voto oportunista
“Percebo a pressão para ceder ao voto útil. Mas na verdade o que é que esta pressão diz de nós enquanto democracia?”, disse Jorge Pinto em resposta a uma questão colocada por um apoiante na última ação de campanha do dia.
Criticando a intenção de “votar no menos mau”, o candidato apoiado pelo Livre quis vincar a diferença entre voto útil e voto oportunista.
“Votar no candidato que achamos melhor, isso sim é voto útil. O resto é voto oportunista, faz-se de tudo para chegar ao poder”. Questionado ainda sobre a sua estratégia para atrair os mais moderados, Jorge Pinto explicou que passa por “ir para a rua”.
“Andar pela rua, falar com as pessoas. Não filmamos, mas mostramos que podemos fazer uma campanha diferente”, rematou.
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"Não ando aos zigue-zagues a fazer de conta que vou desistir", provoca António Filipe, que vê candidatura em crescendo
Depois de um dia marcado por uma recusa categórica por parte de António Filipe ao convite à desistência em bloco sugerida por Jorge Pinto, o candidato voltou a deixar farpas ao adversário do Livre, garantindo que a sua posição é estanque. “Esta candidatura não é uma candidatura satélite de nenhuma outra, e não ando aqui aos zigue-zagues a fazer de conta que vou desistir às segundas, quartas e sextas e a dizer que vou até ao fim às terças, quintas e sábados.”
Num restaurante cheio em Beja, o candidato ainda brincou com a situação: “Se eu agora chegasse aqui e admitisse sequer a hipótese de desistir, o menos que me podia acontecer era vocês todos irem embora e eu ficar aqui sozinho a pagar a conta”.
E mais: o comunista vê a candidatura em crescendo e nota entusiasmo à volta da “alternativa” de esquerda que apresenta para o Palácio de Belém. “Esta candidatura tem vindo a afirmar-se e tem vindo a crescer nesta campanha eleitoral”.
António Filipe pede “coragem” para enfrentar uma “longa luta” contra a “direita hegemónica”, e mostra orgulho no que diz ser “a candidatura dos trabalhadores”. “Entre os que defendem os interesses dos 1% por cento dos mais ricos e os que defendem os interesses dos outros 99, eu estou com os outros 99”.
O candidato reitera que o Presidente da República, mesmo não governando, “não é um corta-fitas“, e tem o dever de “cumprir a Constituição”, o que significa “cumprir os direitos sociais, económicos e culturais”, e opor-se a retrocessos nos direitos dos trabalhadores, à destruição do SNS e aos problemas na habitação.
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Jorge Pinto critica políticas da saúde e alerta: Presidente deve ser "bombeiro do sistema"
Na última ação de campanha do dia, no Ateneu Popular no Montijo, Jorge Pinto diz que o Presidente da República “não precisa (nem deve ser) polícia do Governo”.
“Mas é o bombeiro do sistema”, sublinha. E apontou ao governo de Luís Montenegro num dia marcado pela morte de um idoso que esperou 3h por ser socorrido.
“As políticas da saúde estão a correr mal. Têm de ser melhoradas”, vincou. E defendeu que o chefe de Estado “tem de estar presente”.
Um outro momento em que o Presidente da República devia ter marcado presença, acrescentou o candidato apoiado pelo Livre, foi no caso de Cinfães, quando uma criança imigrante teve dedos decepados por colegas num conflito na escola.
“Um Presidente da República tem de ir falar com esta mãe; esta mulher brasileira. Pode ir dizer-lhe: ‘O país está consigo. O que aconteceu ao seu filho não é normal'”.
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Catarina Martins acredita que falhas na Saúde são "estratégia" do Governo. "Ninguém é assim tão incompetente"
Catarina Martins diz que Marcelo Rebelo de Sousa “devia estar neste momento sentado com o Governo a conversar sobre Saúde”, na sequência do caso do idoso que morreu após uma espera de três horas por assistência do INEM. Outros candidatos, como Ventura e Cotrim, assumiram que pediriam a demissão de Ana Paula Martins se fossem Presidentes.
“O Presidente da República não está a fazer nada e que ninguém diga que é por estarmos em período eleitoral, porque a gripe não espera”, atirou a bloquista, defendendo que o Chefe de Estado deve utilizar “todos os instrumentos à sua disposição” para cumprir o princípio constitucional de acesso da população à Saúde.
Catarina Martins acusa também o Executivo de ter substituído as administrações hospitalares locais pela “máquina partidária do PSD” e sugere que os problemas na Saúde não são resultado de incompetência. “Só pode ser uma estratégia do Governo, nenhum Governo é assim tão incompetente.”
Por fim, Catarina Martins denunciou também a ligação da ministra Ana Paula Martins a um dos seus ex-secretários de Estado, Eurico Castro Alves, que diz ser “um homem ligado a negócios na área da Saúde”. E termina propondo um novo tema para a campanha eleitoral: “Temos ouvidos falar dos negócios, da Saúde, mas temos ouvido pouco falar em negócios na Saúde.”
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Gouveia e Melo: "O assunto internacional naturalmente favorece a minha candidatura, mas não quero abusar disso"
Henrique Gouveia e Melo diz que não está na intervenção “por vaidade”, mas porque sentiu que “a situação internacional era perigosíssima”, que a “democracia tinha sinais de desgaste” e que os “portugueses precisavam de uma pessoa diferente sem partidarismos”.
“Não vou falar da experiência política, mas outros mimos que tenho sido classificado. Eu aos 20 anos já representava Portugal em eventos da NATO sozinho”, diz Gouveia e Melo.
O almirante diz que não podemos “titubear” porque “se não tivermos coragem para dizer a um aliado que não concordamos com ele, perdemos o direito de exigir algo mais tarde”.
Henrique Gouveia e Melo diz que é “apoiante da Ucrânia desde a primeira hora e fiz tudo o que podia enquanto militar para apoiar a Ucrânia na Defesa da sua soberania”. No entanto, adverte, “é preciso ter cuidado com alguns voluntarismos. Quando nós colocamos soldados na Ucrânia, mesmo em paz, corremos o risco de haver violações dessa paz e podermos rapidamente ser envolvidos no conflito.” Gouveia e Melo diz que é preciso não ter “ingenuidade”.
Gouveia e Melo diz que este “assunto favorece” a sua candidatura, mas não quer “abusar” disso. Ainda assim, acrescenta que “os portugueses sabem que podem contar com experiência vivida, não é de livros, é de perceber exatamente o que está em causa, de quem fez operações”.
À semelhança do que tinha defendido de manhã, o almirante insiste que “temos de renovar o Estado e libertá-lo dos boys e das girls”.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
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Pizarro provoca Cavaco: "Não sei se ainda é permitido citar Sá Carneiro nos comícios de Gouveia e Melo"
Manuel Pizarro começa o discurso num jantar com apoiantes de Gouveia e Melo na Póvoa de Varzim a dizer que Gouveia e Melo é o único capaz de “unir verdadeiramente Portugal”.
O antigo ministro da Saúde do PS diz que a assistência naquele evento é a prova dessa capacidade agregadora, que junta por exemplo “Rui Rio e eu, que sou adversário político do doutor Rui Rio”.
Manuel Pizarro começa a atirar aos adversários: “Eles dizem que tem pouca experiência na política”, mas sim “pouca experiência na politiquice”. Diz ainda que também está ali pela sua “sogra, octogenária, que nunca se há-de esquecer de quem comandou a operação das vacinas que nos salvou a vida.
O antigo governante destaca a “inteligência, percurso cívico profissional e capacidade para decidir” do almirante. Pizarro diz ainda que, depois da “lamentável” captura de Maduro, e que Gouveia e Melo foi o único que reagiu “logo de manhã cedo no sábado sem precisar de ligar a nenhum ministro, nem ao líder do partido para saber o que dizer”.
O socialista diz que “Portugal precisa de um homem assim, que toda a vida pôs o interesse nacional”. Pizarro provoca Cavaco Silva e atira: “Não sei se ainda é permitido citar Sá Carneiro nos comícios de Gouveia e Melo, mas vou citar: ‘Primeiro o país, só depois o partido e em último lugar, a pessoa”.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
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Sondagem. Seguro continua na frente, Cotrim entra no pódio e Gouveia e Melo cai
António José Seguro continua na frente das sondagens divulgadas da Pitagórica para a CNN Portugal, TVI, JN e TSF. No inquérito publicado esta quarta-feira, o candidato presidencial apoiado pelo PS passou de 20,7% das intenções de voto para 21%, registando uma ligeira subida.
André Ventura (19,6%) mantém-se em segundo lugar, mas agora é João Cotrim de Figueiredo (18%) a fechar o pódio, ultrapassando Henrique Gouveia e Melo (17,2%) pela primeira vez. Luís Marques Mendes (16%), apesar de um ligeiro crescimento das intenções de voto, continua a ocupar o quinto lugar.
- António José Seguro (21,0%)
- André Ventura (19,6%)
- João Cotrim de Figueiredo (18,0%)
- Henrique Gouveia e Melo (17,2%)
- Luís Marques Mendes (16,0%)
- Catarina Martins (3,3%)
- António Filipe (2,7%)
- Manuel João Vieira (1,0%)
- Jorge Pinto (0,7%)
Para os resultados que conhecidos esta segunda-feira, foi recolhida uma amostra de 608 entrevistas durante os dias 4, 5 e 6 de janeiro de 2026, com um grau de confiança de 95,5%, o que corresponde a uma margem de erro máxima de ±4,06%.
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Mendes pede concentração de votos e ataca adversários: "Esta gente não está preocupada com a estabilidade"
Em Évora, Mendes diz que se for eleito Presidente quererá fazer na cidade as comemorações do próximo 10 de junho. Depois, começa a falar da importância da estabilidade. O que o preocupa, diz, é ter chegado à conclusão de que a generalidade dos adversários não está preocupada com isso, mas em criar instabilidade em Portugal.
“Uns são candidatos tipicamente partidários, como o do Chega, e portanto são aqueles que só sabem viver em campanha permanente. Outros, como o do PS, que com a ideia absurda dos ovos e dos cestos quer ser um contrapoder. E depois temos o da IL, que com a divisão que está a criar no espaço da direita e centro-direita só ajuda a favorecer o populismo. E Gouveia e Melo, que se viciou em dissoluções por esta e aquela razão — um dia destes ainda temos mais do que tivemos até agora”.
JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR
“Esta gente não está preocupada com a estabilidade. São fatores de instabilidade. O PR tem de ser o primeiro defensor da estabilidade”.
Lembra os perigos da situação internacional. “Temos candidatos que querem gerar instabilidade quando mais devíamos fazer um esforço para não acrescentar instabilidade cá dentro à de lá de fora”.
Frisa que fala de estabilidade desde o início da candidatur. Por isso sente “grande autoridade para voltar ao tema ainda com mais força”. “Não me vou afastar da minha convicção. Eu quero ser o Presidente da estabilidade, ajudar o Governo a ter condições para governar”.
JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR
Além disso, assim terá autoridade e firmeza para exigir resultados ao Governo em todas as áreas; e ajudará a reforçar políticas importantes como estão a acontecer na baixa de impostos (pela primeira vez nestes últimos dois anos há baixas significativas, regista); e a fazer consensos: “O Governo é minoritário mas tem de durar quatro anos”.
Um Presidente da estabilidade não será do imobilismo, garante; é da mudança também. Elege como áreas essenciais para o diálogo com o Governo e o Parlamento os jovens, porque a “atitude mais criminosa dos últimos anos” é o menosprezo por estes; mas também idosos e reformados, com pensões muito baixas — “alguns mais liberais acham que é uma questão relativamente menor, uma questão de Excel ou estatística, mas em favor da dignidade humana tem de estar no centro das atenções do PR”.
“Dispersar votos ajuda o populismo e o experimentalismo, concentrar votos é a única forma de podermos ter a vitória de uma candidatura que aposta na estabilidade e moderação”, pede. Por isso é preciso concentrar a maior quantidade de votos ao centro, até porque a questão não é tão ideológica como de modelo de exercício da função.
JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR
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Seguro "irritado" com mais um caso na saúde e com candidatos que "não estão disponíveis para dar contributo”
António José Seguro mostrou-se esta tarde “irritado” com os casos como o que foi hoje noticiado, de mais uma morte numa espera pelo INEM: “Casos destes deixam-me completamente irritado”.
Durante a tarde, o socialista voltou à sua proposta de um pacto nesta área porque “não se brinca com a saúde dos portugueses”. Nas declarações aos jornalistas em Lisboa, recusou atribuir culpas ao Governo, rejeitando “o passa culpas”, ainda assim, diz que “há respostas imediatas que têm de ser dadas”.
Atirou também aos seus adversários na corrida a Belém ao dizer ficar também “irritado que outros candidatos digam que não estão disponíveis para dar contributo”.
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Hugo Soares assume apelo "ao PSD e aos que votaram PSD" para votarem em Mendes e diz que "não é frete"
Hugo Soares fala agora num encontro da campanha de Luís Marques Mendes, com cerca de 200 apoiantes, em Évora. Lembra a primeira conversa que teve com Mendes sobre a eventual candidatura a Belém: “Recordo-me de me ter dito, a começar a conversa: para mim, ser candidato é a honra maior da minha vida”. “Uma eleição presidencial não é uma eleição de brincadeira, nem é uma daquelas em que o voto possa ser desperdiçado”.
Lembra que não se está a escolher deputados, em que se pode escolher alguma representatividade. “Cada voto só conta verdadeiramente para eleger o Presidente”, frisa.
Sobre André Ventura, lembra que este assumiu que era candidato por obrigação, “porque não arranjou mais ninguém”, e recorda também que num Conselho Nacional do Chega disse que era um mau sinal para o país que o líder da oposição fosse candidato.
JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR
“Quem sente que tem uma missão nobre a liderar a oposição não pode almejar a ser líder da oposição a partir de Belém. Não serve para PR, está a enganar os portugueses e a brincar com as eleições”.
Depois atira-se a Cotrim. Lembra que a escolha da IL em primeiro lugar era Mariana Leitão, que “brincou” com as eleições e desistiu. Lembra palavras de Cotrim em março: “Isso já está resolvido e bem. Não me fascinaria. A Presidência é muito cerimonial (…) o que ali se faz não é o meu género, não seria feliz”. “Quando alguém concorre por imposição, sem gosto, não sente uma honra de uma vida, não pode mesmo ser PR”.
Para Soares, Mendes está separado de todos os outros candidatos por um oceano, desde logo por o país conhecê-lo e saber o que pensa sobre tudo. “Muitas vezes cria-nos dissabores, menos apoios; termos sido honestos com a nossa consciência cria algumas inimizades, mas a isso chama-se autenticidade. Não fez uma vida a querer agradar a gregos e troianos. Os nossos laranjinhas, e eu próprio, que o digam”.
Fala de Seguro, que se quer “vingar do que lhe aconteceu quando era secretário-geral” e responde sobre muitas matérias que “não são da Presidência” — “exige-se que diga o que pensa”. “É bom que se diga aos socialistas e ao país: só é candidato porque não houve mais nenhum, porque não era a escolha. Eles bateram a todas as portas”.
JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR
“Nós nunca tivemos dúvidas. O nosso candidato foi, desde a primeira hora em que quis ser candidato, Marques Mendes”, dispara. Também olha para Gouveia e Melo, especializado em “logística” — “não chega”. “A desilusão é total. Não é só a falta de ideias, a confusão ideológica. É também a forma como se tem posicionado nesta candidatura. É degradante ver a forma como alguns têm feito a campanha, não afirmando uma ideia mas lançando lama para toda a gente”.
Depois passa para um discurso de defesa de um país com menos impostos, mais salários, mais pensões e ambição — aquela de que o primeiro-ministro fala e que “Mendes tantas vezes tem repetido”. “Quem quer um país que tem neste Governo um Governo ambicioso, só tem um candidato para votar, que é Marques Mendes”.
Diz que não é preciso ter medo da questão de se Mendes vai ser independente: porque se conhece o seu passado e as vezes em que discordou do PSD, “quando tinha de discordar”. Mas também porque os últimos Presidentes também saíram da mesma família política. “Alguém no país aponta o dedo a Marcelo ou Cavaco por terem sido menos independentes? Não há ninguém”.
Hugo Soares diz que veio à campanha “dizer ao PSD que este é o melhor candidato”, assim como aos que “votaram no PSD”. Diz não ter dúvidas de que o PSD está com Mendes, mas também muitos que votaram até muito mais à esquerda. Mas acrescenta: quem viu o debate de ontem percebeu que há dez candidatos que querem ser líderes da oposição em Belém — “não é a missão de um PR”, diz, citando Mendes no debate quase palavra por palavra.
Quem já votou neste espaço político, entende que não deve haver instabilidade política e deixar governar quem o povo escolheu, quem não quer “deitar o esforço dos portugueses borda fora” nem quer que o país “páre” só tem uma escolha “óbvia”. “O PSD não faz frete nenhum em estar mobilizado na sua candidatura”, garante. Não faço esforço nenhum”, garante.
JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR
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Debate presidencial: quem brilhou e quem se sujou?
Despique do “facilitismo” entre Marques Mendes e Gouveia e Melo, Seguro e Cotrim com o fato “branco” sem vestígio de lama e Ventura com “show”. E ainda, o caso do INEM com o problema das macas. Ouça aqui o novo episódio de E o vencedor é… da Rádio Observador.
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Ventura: "Posso tirar selfies, mas não vou ser o Presidente do dizer, vou ser o Presidente do fazer"
“Nunca estivemos tão perto” de uma rutura com o sistema, diz André Ventura, pedindo novamente uma vitória folgada. “O que vai acontecer em Portugal é mesmo uma mudança patriótica, um povo que começa a acordar e que quer uma coisa diferente para o país.”
Apela agora ao voto, chamando quem quer “fazer alguma coisa”. “Não é um dia, é agora, nós somos a transformação. Portugal está a acordar. Quero pedir que no dia 18 não se dê só um toquezinho para acordar, que se dê um abanão. E vai haver um tsunami tão grande que este país vai sentir que acordou todo.”
O candidato a Belém fala agora sobre a “segunda fiscalidade mais pesada sobre as empresas da OCDE” — “Pagamos impostos de um país rico e milionário e quando precisamos de volta o que temos é praticamente nada.”
“Romper com o sistema não significa que não queiramos democracia, é o contrário. Podemos acreditar que a democracia pode ser melhor”, explica.
Ventura realça que muito se tem falado de descentralização: “Não é Lisboa que sabe o que os outros distritos precisam, mas a regionalização que nos querem impingir é [para] criar mais cargos e tachos políticos.” Regressa às vice-presidências da CCDR para dizer que PS e PSD arranjaram os cargos para dar trabalho a presidentes de câmara que terminaram mandatos.
“Eles não querem descentralizar nada, querem tornar Portugal um paraíso de tachos. (…) Quando lá chegarmos vamos exigir responsabilidades a todos aqueles que andaram a roubar ou a desviar indevidamente”, realça, garantindo que “estamos mais perto de ser Marrocos do que ser Suíça porque temos uma cambada de políticos incompetentes”.
“Marcelo nem ele próprio sabia para onde ir, fazia análises, teorias, comentários abstratos. Em 10 anos de Marcelo o que é que melhorou? Eu posso tirar selfies, mas não vou ser o Presidente do dizer, vou ser o Presidente do fazer.”
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António Filipe pede campanha que se foque no "fundamental" e vá além dos "despiques"
Ainda em Aljustrel, o candidato apoiado pelo PCP e PEV queixa-se do foco excessivo que é dado pela comunicação social aos “despiques entre candidatos”, e lamenta que “muito do fundamental que passa pela campanha eleitoral” não mereça atenção. Ainda assim, reconhece que é importante ouvir “aquilo que os candidatos vão dizendo por esse país fora e confrontarmos o que eles dizem com o que eles fizeram”. Mais uma vez, o comunista lembra que muitos dos adversários na corrida optam por lamentar “as consequências das políticas por que optaram no passado”.
António Filipe esteve na tarde desta quarta-feira em Cuba, numa iniciativa dedicada à ferrovia, e veio a Aljustrel falar com os trabalhadores mineiros. Para o candidato, um Presidente da República tem o dever de exercer a sua influência política perante acontecimentos, políticas ou medidas governativas que sejam lesivas do interesse do país, e dá precisamente o exemplo dos problemas do Alentejo: “Há pouco estava na Estação Ferroviária da Cuba. (…) Eu acho que é um dever do Presidente da República vir junto das pessoas, vir junto dos problemas, chamar a atenção para o que se passa aqui com esta dificuldade das acessibilidades, com os adiamentos dos investimentos que são necessários para que as regiões desenvolvam, para que as pessoas se possam fixar, para que haja serviços públicos no interior do país que permitam que as pessoas possam viver nas suas terras”.
Antes de partir para Beja, para a última ação de campanha do dia, o candidato deixou uma pergunta: “Não venham dizer que isso não são competências do Presidente da República, porque se não for, se as eleições para Presidente da República não servirem para colocar em debate aquilo que são os reais problemas das pessoas, então servem para quê?”
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Ventura: "Os meus principais adversários passam a vida a decidir se são contra o Governo ou pró-Governo"
Num comício em Porto de Mós, distrito de Leiria, André Ventura fala numa “enorme mobilização” e diz ser “a única candidatura que não tem medo das pessoas”: “Nós amamos o povo.”
Recorda o caso da morte de um homem devido ao tempo de espera do INEM. “A Saúde voltou a falhar, tivemos uma vida perdida porque o socorro não chegou a tempo”
“Os meus principais adversários passam a vida a decidir se são contra o Governo ou pró-Governo. Se morre uma pessoa que contactou o serviço que devia ter contactado ou não temos estruturas e não pagamos os impostos suficientes ou pagamos muito mais impostos do que devíamos e não temos os serviços mais básicos”, explica, sublinhando que “um candidato presidencial não pode ficar em silêncio”.
Para Ventura, Marques Mendes está a “segurar o Governo até dia das eleições” e para Seguro “é igual uma coisa ou outra, diga o que disser fica tudo igual”. “Nós não temos medo”, realça.
Enumera problemas na Saúde e diz o que o Presidente chamaria a ministra da Saúde para dizer que é a “última vez” e que se voltasse a acontecer diria: “Num bom governo não premiamos os incompetentes e metêmo-los na rua.”
Continua as críticas ao Governo e as opções que tomou na Saúde, desde “os imigrantes que foram tirados dos médicos de família” aos “1 milhão e meio sem médicos de família”. E diz que o primeiro-ministro “está a ir muito mal”.
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António Filipe: "Esquerda tem de votar num candidato de esquerda, não num candidato mais ou menos"
Agora já no distrito de Beja, onde passou por Cuba e Aljustrel, António Filipe continua em guerra para afastar a pressão de desistência em favor de António José Seguro. Nesta última região, numa sessão com o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira, o candidato lembrou o período de “desaparecimento” do socialista depois de ter saído da liderança do PS. “Desapareceu da vida política, ninguém contou com ele, quando foi preciso combater as políticas da Troika, os cortes dos feriados, os cortes de subsídios e de pensões, os cortes de salários, ninguém pôde contar com ele para nada”.
Desta vez, apontou baterias também a Marques Mendes, “o candidato que apoia o Governo, um homem que liderou o PSD e que foi ministro de Cavaco Silva”, e a Gouveia e Melo, “que procura precisamente disputar o seu eleitorado na área política entre o PS e o PSD”.
António Filipe tem referido ao longo dos últimos dias que avançou para a corrida a Belém quando estes eram os 3 nomes já confirmados, e por identificar uma ausência: a esquerda. “Nós agora temos visto aí algumas pressões: como há muitos candidatos de direita, isto melhor é a gente desistir de haver uma candidatura de esquerda e votar um candidato assim assim, porque ainda há outros que são piores. Caros amigos, isto faz algum sentido? Quando temos uma candidatura de esquerda para afirmar em quem votar, vamos votar em candidaturas que nem de esquerda são e nem de esquerda se assumem?”
“A esquerda tem de votar num candidato de esquerda, não é num candidato mais ou menos”, conclui, explicando que abdicar de votar no candidato preferencial é abdicar do direito do voto.
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Montenegro tem dois "amores": qual será que gosta mais?
Marques Mendes mudou de “pele” e entrou na corrida para ser “o candidato do Governo”. Cotrim também está a tentar ter o “rótulo”, Ventura cresce no silêncio e Jorge Pinto tropeça em cada frase. Ouça aqui o novo episódio de Caça ao Voto da Rádio Observador.