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Juventude na Rádio Observador com Judite França, Helena Garrido e com o Alexandre Borges. São a equipa desta tarde. Vamos começar pelo nosso serão de ontem. Eu sei que os ouvintes da Rádio Observador e do Vence Doré têm uma grande curiosidade em saber como é a nossa vida fora do ar, fora da rádio. Pois bem, pipocas, duas horas e meia de debate, a 11 na RTP, na última noite. Helena, o teu serão também foi tão espetacular como o meu?

Eu fiz batota.

Não me digas.

Eu só vi a primeira ronda e depois estive a ver hoje. Porque eu tinha muita coisa ainda para trabalhar, que tinha de fazer ontem mesmo. Mas vi.

Mas viste.

Mas vi e penso que vale a pena ver. A sério, estou a falar a sério. Acho que vale a pena ver. Vale a pena ver por vários motivos. Primeiro, porque é uma oportunidade também de vermos o desempenho da Liga dos Últimos, que há o debate que foi feito nas rádios, que até foi o Ricardo que nos chamou a atenção para irmos ver.

Foi feito na Antena 1.

Na Antena 1, que foi feito na Antena 1 com os três candidatos. E há este debate dos todos contra todos. Aliás, merece aqui uma menção à RTP, TV e Antena 1, porque se não fosse a RTP, estes debates com a Liga dos Últimos não são suficientemente atrativos para o setor privado avançar para isso. Quando muitas vezes criticamos o facto de existir, eu não sou crítica ao facto de existir um setor público de comunicação social, e faço aqui uma declaração de interesses, apesar de ser colaboradora da RTP TV.

Exatamente.

Uma declaração de interesses. Eu considerei, acho que o debate foi bastante interessante e um dos aspetos que eu até gostaria de sublinhar, parece um absurdo, mas não é, na minha perspectiva, obviamente, é o Manuel João Vieira. Penso que vale a pena ouvir com atenção as propostas do Manuel João Vieira, porque ele reduz ao absurdo algumas questões que nos deviam fazer alguns cliques. Por exemplo, quando ele diz que proibia a doença e consagrava na Constituição da República Portuguesa o direito à felicidade, ele está a elevar ao patamar do absurdo alguns direitos que nós temos consagrados na nossa Constituição.

Mas como ele diz, muitos não são cumpridos, os que já lá estão não são cumpridos.

Exatamente. E portanto, se é pra não cumprir, então vamos colocar o direito à felicidade, a proibição das doenças e esse tipo de aspectos. Depois, claro que os outros candidatos, eu diria o candidato que eu agora lamentavelmente-

Humberto Correia.

Não.

André Pestana.

O André Pestana. Obrigada. O André Pestana está em mais uma lógica de sistema, que é um tipo de linguagem que nós reconhecemos. No caso do Humberto Correia, não é. E vale a pena também ouvi-lo. E muito focado, de facto, num dos problemas fundamentais do país, que é a habitação. E eu muito concentrado nisso. Dito isto, tudo o resto foi um bocadinho, eu não diria mais do mesmo, porque assistimos a um Governo E-mail que agora virou o seu ataque também para António José Seguro, que não lhe deu réplica. E desse ponto de vista, António José Seguro merece uma nota bastante positiva por conseguir ser disciplinado o suficiente para não lhe dar réplica. Sendo certo que é mais fácil para António José Seguro não dar réplica, ser acusado de não ser capaz de decidir, e de Mário Soares ter dito que ele era um indeciso, do que para Marques Mendes não dar a réplica a Governo E-mail quando ele insiste em o acusar de facilitador de negócios. Não sei se, deixas-me continuar?

Deixo, mas voltamos a ti, Helena. Vamos ouvir também o Alexandre pra ver se partilha dessa tua visão.

Partilho. Praticamente partilho até da forma como a Helena dividiu o debate. Eu aguentei uma hora ontem, depois pensei: "Amanhã também é dia".

Fraquíssimo.

Também viste o resto.

Fraquíssimo.

Vi uma hora e meia hoje. Só pra estar mais lúcido, Ricardo, pra estar no pleno da minha atenção.

Olha que querido, Alexandre, é isso mesmo.

Foi por isto, porque eu queria continuar a ver, mas não.

Pobre amigo.

Vou refrescar.

Tu viste mesmo as duas?

Claro. Eu não só vi como depois me permutiei.

E deste notas.

Logo, ali.

Exato.

Mas não vale a pena ir a ler, porque não vale a pena ler o que eu escrevi, porque já era muito tarde.

Estás a ver? É por isso que guardámos pra hoje. Mas concordo totalmente com a Helena. Nós que tantas vezes somos críticos da campanha, dos debates e de como as coisas funcionam, eu achei, de facto, muito interessante o debate, até no sentido em que estava ali materializada uma quantidade de coisas de toda a campanha e toda a pré-campanha, porque às vezes parece que estamos nisso há anos. E que revela bem, digamos, que esta é, pelo menos, a eleição presidencial mais interessante em 20 anos.

Exatamente.

Pelo menos. E tenho muitíssima coisa a dizer, vamos ver se, de facto, temos tempo pra tudo, mas diria, antes de observar caso a caso, que acho que há uma primeira forma de ver estes debates que nós devemos ter sempre em conta, que é imaginá-los sem som Porque é uma maneira como toda a gente o apreende, mesmo quando não dão por isso. As pessoas que estão a ver, mas não a ouvir, que é como muita gente consome televisão em casa à noite. Vêem, não estão a ouvir, mas vêem, recebem sempre alguma informação. Há as pessoas que vêem, mas não compreendem, as pessoas que estão, mas não dominam os dossiês, não entendem certas referências, porque obviamente nem toda a gente acompanha a política com a mesma atenção que nós, por exemplo. E até para quem acompanha e compreende, há o que consome inconscientemente na linguagem visual das coisas. E na linguagem visual das coisas, correu muito mal a Marques Mendes. E analisaremos isso com mais detalhe, a questão Almirante Marques Mendes, em que eu devo dizer que, na minha opinião, perderam os dois. Mas o dano causado à candidatura de Marques Mendes por este ataque das últimas semanas, particularmente dirigido por Gouveia e Melo, mas não só, é rever, convido as pessoas a olharem, é impressionante a inquietude, o desconforto de Marques Mendes desde o início do debate, podia ser cortado às fatias. É tão palpável que podia ser cortado às fatias. Ele em todos os planos em que aparece está desconfortável, a mexer-se na cadeira, a ir buscar um papel, que fica esse mistério. Ninguém sabe o que é que estava escrito naquele papel. Se voltarem ao momento quente do debate, em que ele está claramente preparadíssimo para a hora e o instante em que vai sair a acusação de facilitador.

Gouveia e Melo tinha os nomes escritos no papel das empresas.

Esse tinha, esse precisamos. Claramente, esse precisamos exatamente. Marques Mendes tinha folhas A4 na mão, que foi buscar, em que mexeu repetidamente durante o debate. Percebia-se que ele estava ausente e foi tirá-las quando vem, assim que salta a referência do Gouveia e Melo ao facilitador, mas já não consegue, já não chega a dizer nada do que tem ali, porque ainda diz a coisa do: "Diga-me um." Parecia o Manuel Serrano: "Diga-me um." E de repente, Gouveia e Melo diz os nomes daquelas empresas, que para mim não valem nada, porque não ficámos com explicação nenhuma, mas que mostraram que deu bem para ver no rosto de Marques Mendes a surpresa com que ele estava à espera.

Vamos também ouvir a doutora Judite França.

Eu acho que houve dois momentos que marcaram o debate, esse despique.

Não é isso, Judite, é se ficaste acordada.

Ah!

Queremos só saber da tua vida.

Isso é que é importante.

Não da tua opinião.

Com grande esforço e tenacidade.

Depois que ainda por cima não estavas nada bem.

Não estava. Portanto, foi preciso palitos nos olhos. Mas houve dois momentos que marcaram o debate: o despique entre Gouveia e Melo e Marques Mendes, que ainda tentou roçar ali António José Seguro, mas António José Seguro respondeu muito bem. E eu acho que o facto de António José Seguro ter aquela capacidade de parecer sempre calmo ajuda-o imenso nestas circunstâncias. Noutras, parece demasiado calmo. Mas nestas ajuda. E depois houve aquele momento que ninguém percebeu exatamente o que se passou com Jorge Pinto.

Chama-se harakiri.

Em direto.

Em direto.

Ninguém percebeu exatamente o que é que aconteceu ali. Mas em relação a Gouveia e Melo e em relação a Marques Mendes, houve as famosas críticas de facilitadores e a réplica foi: o senhor especializou-se na ordinarice e ali no meio da lama, o fato branco e imaculado de António José Seguro, que foi quem, além de Cotrim, saiu mais ileso deste debate, que é o que é preciso. Nestas alturas, o que é preciso é sair ileso dos debates e que as campanhas corram bem na estrada. É isso que é preciso. A questão da desistência de Jorge Pinto foi uma coisa muito estranha, mas foi um momento de acordar no debate.

E tiraste os palitos.

Tirei os palitos. Porque quando ouvi: "Não será por mim que António José Seguro não será presidente." Bom, isso quer dizer alguma coisa. E depois Catarina Martins criticou-o por não lhe ter telefonado. Se lhe tivesse telefonado, tinha mudado alguma coisa?

Sim, tudo aquilo que fez estranho.

Fica aí na dúvida.

Mas por acaso acha que ela tem alguma razão? Desde o início, a questão das alianças à esquerda ou das desistências.

Eu não digo que não. Se tu queres fazer um pacto com os outros.

Não é em direto que o faz.

Com certeza ligas. Mas a questão é: mesmo que tivesse ligado, tinha alterado alguma coisa? Fica na dúvida.

E Catarina desistia também?

Desistia se ele tivesse ligado.

É que era o ponto que estava em cima da mesa, é ele ter ligado para desistir.

Há um mal anterior a esse, que eu acho que é uma coisa que nunca fez sentido nenhum no argumento de Jorge Pinto.

É verdade.

É que ele propôs isto, de facto, desde o início, mas ele foi o último a chegar. Isto nunca fez nenhum sentido. Quer dizer, como é que alguém que é o último a chegar a apresentar-se como candidato, diz que vem para unir. Quer dizer, António Filipe foi o primeiro a apresentar a candidatura. Depois Catarina Martins também apresentou e o Bloco, depois até o PS apresentou. E como sabemos, à 25ª hora apareceu um candidato do LIVRE, que vem dizer: isto queria o quê? Isto nunca fez sentido.

Alexandre, é que parece que ele está numa espécie de apelo: ajudem-me a desistir. Já é aquilo que nós sentimos. Parece que está nos a pedir: ajudem-me a desistir. Porque a forma como se embrulha neste tipo de discurso, já parece que está a pedir uma fuga qualquer.

Sim, para sair disto com alguma dignidade.

Numa candidatura que começou já com vários percalços, porque primeiro atirou-se com a candidatura, depois afinal era preciso validar a candidatura.

O LIVRE não atina. Uma das grandes vitimas deste debate e desta campanha é o LIVRE

Parece-me que até de um modo geral não se tem sido muito justo com a campanha de Catarina Martins, que pessoalmente me parece ótima.

Está certinha.

É, pelo menos do ponto de vista televisivo. E portanto, na guerra Bloco-Livre, em que parecia que o Bloco estava condenado à extinção e o Livre era o único caso de sucesso na esquerda, aqui parece-me que vai correr muito mal. Acho que Catarina vai claramente ter um resultado melhor que o do Bloco atual. E o Livre, vamos ver, mas aquilo ontem foi uma coisa, eu ainda estou à espera que o INEM chegue. Eu sei que a gente vai falar disso na segunda parte, mas o Jorge Pinto da Costa atirou-se para o chão às 10 e pouco e ainda não chegou ninguém para o ajudar.

O mais interessante é que o Jorge Pinto-

Hoje disse que ficava até o fim.

Hoje já ficou?

Sim, porque todos os outros disseram que não desistem.

Ele disse que só fazia sentido se desistissem todos. Desde a primeira hora que ele sabe que o candidato do PC nunca iria desistir.

Não por ele.

Mesmo que se coloque alguma probabilidade no caso do Bloco de Esquerda, o candidato do PC nunca desistiria.

Exato, é ingénuo. Aliás, ele mesmo ontem conseguiu dar o único momento interessante a António Filipe, que foi a determinação com que António Filipe disse que estava em candidatura. É como estar a assistir ao fim deste homem, uma coisa satélite.

Como estas eleições presidenciais estão recheadas de paradoxos. Não sei se ele está a fazer isso para beneficiar António José Seguro.

Pois, pode ser.

Ao contrário. Eu estou a trabalhar para um mau resultado para que não votem em mim e votem em António José Seguro.

Se a estratégia é essa, está a conseguir.

É uma coisa já um bocadinho intrincada. Bastante intrincada.

Digna de seriado.

Exatamente.

Helena. Bom, ainda vamos voltar.

Ainda vamos voltar a este tema. Tenho mais uma coisinha para dizer.

Mas queres dizer, se for uma coisinha rápida.

É muito rápida, porque desde que Seguro lidera a tracking poll, eu acho que começa a recuperar a atração dos eleitores do próprio PS. E portanto, tem capacidade de absorver esse voto para além do voto da AD e do voto de Govemo Melo, e acho que é nisso que está apostado.

Ainda vamos dar notas a este debate no arranque da segunda parte do "E o Vencedor É?". Ainda temos que falar também sobre o mais recente caso a envolver o INEM. Arranca agora a segunda parte de "E o Vencedor É?", com a Judite França, a Helena Garrido e o Alexandre Borges. Ainda não demos as notas ao debate. Helena, tens notas? Ainda tens mais qualquer coisa a dizer sobre o debate de ontem, não é?

Tenho. Eu não tenho notas para todos, mas para o debate no seu conjunto vai um 18, porque considero que é muito importante e depois a minha melhor nota vai para o Manuel João Vieira, na esperança de que as pessoas percebam a redução ao absurdo de algumas das suas propostas. Depois, a pior nota vai para o Govemo Melo, pela campanha muito feia que está a fazer. Sabe perfeitamente que ninguém consegue argumentar quando se atira assim com nomes de empresas. E esta, e esta e aquela. Ou não sabe, por causa do facto de ter um currículo muito limitado. Na prática, só teve um emprego e, portanto, o seu mundo, de alguma forma, é limitado. Mas os advogados são fundamentais para concretizar investimentos e fazer negócios em qualquer parte do mundo, por maioria de razão num país como Portugal, que tem um sistema legal altamente complexo, como todos sabemos, e todos se queixam quando se querem concretizar investimentos, às vezes até investimentos estruturantes, como o exemplo da Startups Campus, que é um investimento importantíssimo para o país. O que eu não entendo é porque Marques Mendes não se consegue defender. E mais uma vez não teve capacidade, na minha perspetiva. Teve um bocadinho melhor do que no passado, mas eu penso que desde aquele debate, ele não recuperou. Animicamente, ele não está a ser capaz de perceber que o seu trabalho não é um trabalho negativo. Ensaiou, disse: "Eu fiz pontos e fazer pontos é muito importante para quem é..."

Vamos ver. Não é algo de muito bem visto.

Ora bem.

Um facilitador, alguém que ganha muito dinheiro.

Com esse nome.

Exato. Eu não estou a dar a minha opinião.

Eu não me estou a bater.

Não, é pelo menos a sensação que tenho, é que não é algo de bem visto em Portugal.

Não é.

Se calhar, se fosse nos Estados Unidos, era o melhor.

Não, agora com a regulamentação do lobby, vai ser tudo, esperemos, bastante mais fácil, embora os advogados quiseram manter-se de fora, mas essa é outra questão. Eu penso é que ele está em margem para explicar, para ser pedagógico e contribuir também para que esta atitude contra quem faz negócios, quem investe.

Numa campanha, pode ser difícil.

Muito difícil. E o António José Seguro, um 16.

16. Alexandre, vamos às suas notas.

Olha, eu dei seis positivas, três neutros e três negativas.

Vamos às notas.

Dá 12, porque são os 11 candidatos, mais o Carlos Daniel apresentador, a quem daria 18, e é a minha melhor nota. Pontuo-o pela coragem de fazer isto De facto, de enfrentar os 11 ao mesmo tempo. Duas horas e meia? Nós tivemos dificuldade em ver as duas horas e meia. Imagina estar lá a conduzir a conversa.

Mas Carlos Daniel é fantástico. Deixa-me só interromper-te e subscrever.

É isso, mas é verdade. De facto, Carlos Daniel é um profissional notável e mais uma vez esteve a um nível altíssimo. Depois fez 30 e tal minutos de primeira ronda sobre um tema internacional. É verdade que a Venezuela aconteceu agora, mas é espantosa a ausência da discussão sobre os temas internacionais nesta campanha. E ali foi muito importante e interessante, e corajou-se tê-la, abrir o debate durante tanto tempo com isto. Aguentar Manuel João Vieira sem rir, também não é para todos.

O Cotrim não aguentou.

O Cotrim não aguentou, mas foi divertido isso. Acho que dentro da lógica da linguagem não verbal, o que importa, Cotrim e André Ventura mostraram o à vontade com que estão e riram das piadas. Vejam lá como é que estava a postura do almirante, com aquilo a tentar ficar muito sério. "Eu não me rio disto, eu sou uma pessoa muito séria." E finalmente, a ronda final de pergunta extraordinária de Carlos Daniel. As notas, portanto, 18 para Carlos Daniel. Para mim, devo dizer que tenho ouvido mais que o vencedor teria sido seguro, eu acho que foi André Ventura, mas bom, saíram os dois. André Ventura e António José Seguro são quem mais têm a ganhar com esta guerra entre o almirante e Marques Mendes. Portanto, eu diria um 15 a Ventura, que deu show, deu de calcanhar. E eu sou normalmente sempre crítico de Ventura, tenho que dizer a ele, deu de calcanhar então no final do documentário, até conseguiu ser fofo para Marques Mendes. Conseguiu dizer: "Olha, não se lembrou de nenhum comentário relativo. Tantas vezes disse mal de mim, mas eu estou aqui, aceito o seu pedido de desculpas." Pôs Marques Mendes a rir-se até com ele. Dou 15 a Ventura, 14 a António José Seguro. Acho que António José Seguro ganhou mais com a desgraça dos outros do que propriamente com muitas das coisas que diz. Cotrim de Figueiredo, um 13, esteve bem. Catarina Martins, para mim, 13, também esteve bem. Humberto Correia, para mim, uma agradável surpresa, teve 13. Aproveitou muito bem o seu tempo neste debate tão longo, em que havia tão pouco tempo para falar. É notável como um homem sem qualquer espécie de experiência de comunicação social aproveitou tão bem todas as palavras dele, foram a contar.

Foram focadas.

Exatamente.

E com pouca formação.

Com pouca formação.

Foi trabalhar para fábricas e para a construção civil em França.

Já está disponível uma entrevista que a Judite França fez com o Luís Soares. Humberto Correia está disponível em podcast, já publicámos.

Temos que ouvir isso. E devo dizer que acho que o próximo presidente da República, que em princípio não será Humberto Correia, deveria convidar aquele homem para conversar de vez em quando. Nos médios, deixarei André Pestana, António Filipe e o Manuel João Vieira. Não vou dar uma nota tão positiva quanto a da Helena. Eu acho muito interessante, apesar de tudo, que Manuel João Vieira-

Alexandre, tenho que te interromper.

Desculpa, vou muito rápido. As negativas: Marques Mendes, oito, o almirante, sete, a desgraça que foi Jorge Pinto, perdoe-me, mas aquilo lá está, foi harakiri ao primeiro instante. Não interessou mais nada do que ele disse a seguir, porque já estava morto para aquele debate. Mas diria só isto, que para mim é o mais importante. De facto, tem a ver com a campanha muito feia, para usar as palavras da Helena, e que eu subscrevo, do almirante que eu ouvi em email. O almirante, de facto, ou não tivesse a sua experiência em submarinos, eu acho que o que ele se arrisca a ter conseguido foi levar ao fundo a campanha de Marques Mendes. Não sei se isso o vai beneficiar ou não, talvez num lugar vago, de facto, para a segunda volta, mas ele é a contradição total daquilo que defende, não só por estar rodeado de parti darite, mas por estar sempre a dizer que não faz a baixa política. Ele passou esta campanha a fazer baixa política. Ontem voltou a fazê-lo. Quando tem a oportunidade de falar, de defender alguma coisa sobre política internacional, serviu foi para atacar Seguro outra vez com uma entrevista de Mário Soares há não sei quantos anos e para atirar a Marques Mendes.

A minha nota é para Carlos Daniel e dou-lhe um 18, porque de facto não surpreende, porque é sempre muito bom como moderador, mas quando tem 11 pessoas para moderar e quem modera debates com quatro, sabe Deus. Portanto, acho que com 11 é de se lhe tirar o chapéu.

Vamos ainda à questão do INEM, que marca hoje o dia, Judite.

Nós ficamos a saber que em relação ao INEM faltam macas, mas no fim de contas, falta sempre o mesmo, que é faltam pessoas que recebam os doentes, porque nós estivemos a falar com o Miguel, ajuda-me.

Soares Oliveira.

Soares Oliveira, antigo presidente do INEM, assim é que é, que explicou que os trabalhadores do INEM ou os bombeiros não deixam o paciente sem que outra equipa dentro do hospital receba o doente. Ou seja, ele não pode ser despejado ali sozinho, sem maca, sem nada. Portanto, ele tem que ser recebido por alguém.

E aqui o INEM alega que estamos a falar do caso de um homem que terá morrido devido à falta de assistência. Esteve três horas à espera de uma ambulância no Seixal e aqui o INEM diz que fez tudo bem, mas que não havia ambulâncias disponíveis porque estavam presas no Hospital da Armada.

Por causa das macas.

Por causa das macas. As ambulâncias não podem sair do hospital sem levar a própria maca.

Vamos chegar à conclusão de que o ideal é cada ambulância ter duas macas e deixa uma e leva a outra, pelo menos. Mas isto volta tudo à questão, porque se não transferem o paciente e libertam a maca e a equipa que está a fazer aquilo, isto volta sempre ao mesmo. Não há gente suficiente para fazer este trabalho dentro dos hospitais. Ou seja, não há ninguém para receber os pacientes com o mínimo de formação, que sejam enfermeiros, que os recebam e que libertem as macas e a equipa que está na ambulância.

E entretanto, Alexandre, agora o Hospital de Setúbal diz que não teve durante o dia de hoje qualquer maca retida no serviço de urgência.

O hospital agora vem dizer que a culpa não é dele. A culpa não é do INEM, não é do hospital.

A culpa é morrer só estar em hospital.

É isso. Vais entrar exatamente nesse passa-culpas típico. Obviamente, vamos ter de esperar a investigação da IGAS, mas de qualquer modo, há duas coisas, pelo menos, que são evidentes nesta altura. As macas são um pouco a desculpa de mau pagador, de uma forma ou de outra. Mas se houve uma mudança na política do INEM para acudir a estes casos, e se esse foi o problema, aparentemente, se começa por aí, porque passou a haver a escala de prioridades em que antes uma pessoa ligava, tinha um problema e ia uma ambulância, agora é dividido consoante a situação. No caso deste senhor, era só prioridade três, ele podia ficar uma hora à espera. Vários responsáveis explicaram: "Isto não é bom, antes vinha, agora há casos em que temos uma ambulância disponível, mas ela não ocorre porque tem que ficar, no fundo, disponível para as questões de prioridade um ou dois". Que é, devo dizer, estranhíssimo. Aliás, Luís Mendes Cabral disse: "Pois, as chamadas antes não eram priorizadas. Tão depressa tratávamos de um enfarte do miocárdio como uma entorse no tornozelo". Eu não sabia que isto era verdade. Isto é um absurdo.

Tem de haver um sistema. As coisas têm que ter um sistema.

Tem que haver um sistema, mas pelas vezes não havia um. Eu acho muito estranho que não houvesse.

Pelas vezes não havia macas, mas o Hospital de Setúbal diz que há.

Exatamente. Se agora mudas a lógica, crias um sistema que não havia outra altura, isso então já é estúpido. Essa já é uma responsabilidade política. É no pico do inverno e da gripe, após a passagem de ano e o Natal, quando há os encontros familiares e tudo isso que sabemos que são esses grandes momentos de contágio.

Vamos abrir a Helena também. Helena, temos dois minutos.

Muito rapidamente, eu diria que uma das frases que fixei do presidente do INEM foi ele dizer: "O INEM fez o seu trabalho". E o problema é esse, anda cada um a fazer o seu trabalho, mas o trabalho não fica feito.

Mas morre uma pessoa.

Isto está a acontecer em várias áreas da nossa vida. Só que no caso da saúde, nestes casos concretos, estes erros são mortais. E portanto, vale a pena refletir porque cada um anda a fazer o seu trabalho e o trabalho fica mal feito e tem consequências letais para algumas pessoas.

Já para não falar na confiança no sistema.

Claro.

Quando tu ligas para o 112, podes ficar na dúvida para ver se te vão atender. Aparentemente, agora atendem. Depois, quanto tempo vais ficar à espera.

Porque agora já não temos o problema de 112 e passamos a ter um problema de macas. O problema está sempre a ser diferente.

Atenção, há um despacho do governo a dizer aos hospitais para comprarem macas. Isto existe. Eu e o José tivemos hoje a oportunidade de conversar com o Miguel Sousa Oliveira, que explica isto. Há um despacho do governo, da Secretária de Estado, que pede aos hospitais para comprarem macas, porque isto é um problema que se arrasta. Isto não é de agora, já se arrasta há muito tempo. As ambulâncias ficam retidas nas urgências porque as pessoas que são transportadas ficam nas macas.

Nas macas das ambulâncias.

E não podem sair, como é óbvio, desses locais sem ter a maca.

Então, mas os hospitais é que decidiram não comprar macas para isso?

Tentámos ouvir também o presidente dos administradores hospitalares, que não esteve disponível.

Também há uma indicação do governo para cortar despesa nos hospitais.

Sim, Alexandre. Não sei.

Devem ter de abrir concursos públicos, está tudo a fazer o seu trabalho, mas o trabalho não está feito.

Morreu uma pessoa. E o Vencedor regressa amanhã, depois das 08h30 nas Manhãs 360.

Até amanhã.