Um ano, um mês, um dia. De facto, o tempo é uma condição inesgotável e no setor tecnológico é, sem dúvida, alucinantemente rápido. As mudanças a que assistimos, resultantes dos avanços tecnológicos deste século, são absolutamente revolucionárias. Em 25 anos, o paradigma operacional das empresas alterou-se, o status quo laboral tem vindo a sofrer mudanças e a disponibilidade/acesso generalizado a novas tecnologias é uma realidade. Consequentemente, as tendências do investimento e regulação tecnológica evidenciam isto mesmo.
Para este ano de 2025, consideramos que serão de destacar os seguintes aspetos: (i) alterações na Concorrência no setor Tecnológico; (ii) continuidade da AI big wave; (iii) proliferação e investimento em data centers; (iv) Cibersegurança; (v) crescente regulação Europeia; (vi) Computação Quântica e a procura do Santo Graal; e as (vii) ações judiciais com especial enfoque das class actions. A respeito de todos os pontos que identificámos, estes espelham, por um lado, as oportunidades em crescendo e, por outro, os riscos resultantes do contínuo desenvolvimento.
Por conseguinte, este ano que se inicia promete ser um período de grande atividade e transformação para o setor tecnológico, com a Inteligência Artificial (IA) a desempenhar um papel central nas estratégias de fusões e aquisições (M&A). As empresas tecnológicas continuarão focadas em operações que promovam o crescimento e a escalabilidade, onde provavelmente surgirão investimentos estratégicos relevantes em matéria de infraestruturas, em particular, no que se refere a data centers. A IA generativa será um motor da atividade de M&A, com várias empresas em busca de parcerias, joint ventures e alianças estratégicas para desenvolver capacidades nesta área.
Já no que se refere ao ambiente regulatório para as empresas tecnológicas, este é cada vez mais complexo. A Comissão Europeia iniciou várias investigações no setor da Tecnologia, Media e Comunicações, abordando questões como a vinculação de serviços, acordos de exclusividade e a Lei dos Mercados Digitais. Em Portugal, a Autoridade de Concorrência tem-se vindo a pronunciar sobre a utilização de novas tecnologias, em particular, no que se refere à IA. Neste particular, o aumento do escrutínio, num contexto protecionista e onde a proliferação de normas mais rígidas sobre investimento estrangeiro é cada vez mais nítida, poderá colocar pressão em determinadas estratégias de crescimento das empresas do setor tecnológico.
Com a vitória de Donald Trump nas eleições americanas, assistiremos, por outro lado, a uma menor carga regulatória para as empresas tecnológicas nos Estados Unidos. Durante o seu primeiro mandato, Trump prometeu revogar a Ordem Executiva de Biden sobre IA, de modo a promover a inovação. A este respeito, a Ordem Executiva da sua própria “autoria” priorizou a pesquisa e o desenvolvimento de IA, ao invés de marcos regulatórios. Embora o escrutínio sob a perspetiva do direito da concorrência continue, especialmente para grandes empresas tecnológicas, espera-se que seja menos impactante do que se verificou sob a administração Biden.
As empresas tecnológicas continuarão a transformar as suas equipas de trabalho, impulsionadas por mudanças nas formas de trabalho aceleradas pela pandemia, riscos geopolíticos e crises económicas. Em 2025, este panorama continuará a evoluir, influenciado pelos rápidos avanços tecnológicos e estratégias empresariais para aumentar a flexibilidade, eficiência e diversificação. A este respeito, as empresas tecnológicas liderarão o desenvolvimento e implementação de soluções de IA no ciclo de vida dos trabalhadores para melhorar a produtividade e a eficiência.
Finalmente, a matéria relacionada com a Cibersegurança e a gestão dos riscos associados a práticas cibercriminosas continuará a estar na agenda de 2025. A este respeito, com o desenvolvimento do pacote regulatório da União Europeia em matéria de Cibersegurança, as empresas priorizarão investimentos para promover a cibersegurança, alterarão estruturas orgânicas para cumprir obrigações legais e promoverão soluções para mitigar riscos, seja em matéria de seguros, equipas especializadas para reagir a ameaças e/ou litígios no seguimento de violações de dados e de segurança.
O ano de 2025 será, assim, um período de intensa atividade e transformação no setor tecnológico, com a IA a desempenhar um papel central nas estratégias de crescimento e inovação, especialmente no M&A. As empresas focarão a sua expansão através de infraestruturas, como data centres, e procurarão estabelecer parcerias estratégicas. O ambiente regulatório apresentará desafios na Europa, com maior escrutínio, enquanto nos Estados Unidos, a administração Trump poderá oferecer um ambiente mais favorável à inovação. A transformação das equipas de trabalho e a cibersegurança continuarão a ser prioridades, com investimentos em medidas de proteção contra ameaças cibernéticas e por forma a garantir o cumprimento de exigências regulatórias. Por tudo isto, entendemos ser fundamental que as empresas se adaptem rapidamente às mudanças, de modo a assumirem uma posição de liderança nos mercados onde operam, com vantagens competitivas diferenciadas.