Os lisboetas foram claros, foram intencionais e foram exigentes. Optaram por uma lógica de gestão eficaz, em vez de derivas ideológicas. Optaram pela ambição do desenvolvimento, em vez do desalento dos críticos. Optaram por propostas tecnicamente robustas, em vez de ideias vagas.

Os cidadãos são perspicazes e percebem que as grandes cidades só evoluem se tiverem ao leme protagonistas que reúnam, em simultâneo, visão de futuro e capacidade de execução. Preferiram estes aos céticos. Não foi uma questão de xadrez político nem de alianças partidárias. Foi sobretudo uma questão de valorizar um projeto para a cidade e de escolher quem traz mais competências para a sua implementação. Como deve ser.

A coligação “Por ti, Lisboa”, liderada por Carlos Moedas, ganhou, ganhou bem, somou dezenas de milhares de votos, e afirmou-se como o espaço central da estabilidade, da responsabilidade e da capacidade para a ação. Temos especiais obrigações, é claro. Mas todos os eleitos – os que trabalharão no executivo e os que terão as tarefas de fiscalizar – devem parar para refletir, escutar bem o que as pessoas que andam na rua disseram, e atuar em conformidade, para o bem comum.

Foi-nos dito que os lisboetas pretendem respostas consistentes para as questões relevantes do dia a dia, adotando soluções concretas para corrigir erros antigos no modelo da limpeza urbana, ultrapassando hesitações na área da segurança, e realizando programas de grande envergadura nos domínios dos transportes e mobilidade, na habitação e na qualificação do espaço público.

Foi-nos dito que os lisboetas esperam uma Câmara Municipal de Lisboa que traga valor para todos, que aposte em profissionais capacitados e não em políticos partidários, que atue com uma obsessiva orientação ao utilizador, agilizando processos, reduzindo tempos de resposta, fomentando a transparência e informação ao cidadão, integrando as melhores práticas e ambicionando níveis de serviço dignos das organizações mais eficientes do país e do mundo.

Foi-nos dito que os lisboetas não querem a imposição da cultura woke, nem admitem ocupações da propriedade privada, nem aprovam subidas de impostos, nem consideram os investidores e as empresas como “especuladores”, nem desconfiam da liberdade das famílias, nem apreciam manifestações radicais e exibicionistas que infernizam a vida do cidadão comum.

Foi-nos dito que os lisboetas esperam que a cidade continue a afirmar-se como um polo cultural de grande pujança, na arte contemporânea, na música, no cinema, no teatro, no design, na moda, com novos equipamentos, com instituições livres e enérgicas, com oferta de matriz local mas nível internacional, com uma descomplexada articulação entre o município e os programadores de vários espectros, sem a tirania do pensamento único tão típico da esquerda.

Foi-nos dito que os lisboetas reconhecem a dinâmica gerada na inovação, esperam consolidar os ganhos de escala alcançados através da Fábrica dos Unicórnios e de todos os hubs tecnológicos instalados nos últimos anos, assim como aplaudem os fortes níveis de investimento e a efetiva criação de dezenas de milhares de empregos para jovens e profissionais qualificados, e sim, pretendem continuar a dar passos audazes nesta senda do futuro.

Foi-nos dito que os lisboetas sabem bem o que querem. Vontade reformista e não circo reivindicativo. Confiança na vitalidade da sociedade civil e não estatismo cinzento. Eficácia na administração dos serviços e não experimentalismo ideológico. Diálogo com o setor privado e não prepotência dirigista da esquerda.

Os lisboetas falaram, com a sua personalidade tão especial, com voz autónoma, decidida, autêntica. Os lisboetas não endossam a sua vontade aos putativos mestres da bolha, que andaram entretidos com cenários e conjecturas. Porque os lisboetas são os donos de si próprios. E do seu futuro.

Agora é trabalhar, trabalhar, trabalhar. Fazer cidade, desenvolver, modernizar, concretizar. Vamos ter bons anos pela frente. Como os lisboetas quiseram e merecem.