Assinaram com caneta vermelha, uma carta a choramingar à União Europeia de Radiodifusão a exclusão de Israel da Eurovisão.

Juízes populares. Julgam os outros por tudo o que os próprios se julgam. São todos exemplares. São, são. Até usam toga.

Juntaram as mãozinhas a 70 antigos participantes da competição porque entendem que a emissora pública israelita deve ver a serventia da casa por cumplicidade ao que chamam genocídio. Paulo de Carvalho, Fernando Tordo, Lena de Água, António Calvário, Salvador Sobral, Ana Reis, precisam de regressar a escola primária. Israel, nas suas moleiras, está a exterminar palestinianos de Gaza e arredores.

Extermina e a população de Gaza cresce. Extermina e avisa que vai bombardear. Extermina e dá-lhes luz e água. Medicamentação errada, cuidado, traz transtornos. Quem quer efectivamente exterminar Israel e judeus é o Hamas. É. O Estatuto de Fundação do Hamas, escrito em agosto de 1988, defende a extinção do Estado de Israel. Ides ler, ilustres artistas. Para extinguir o Hamas mata todos os israelitas e todos os judeus e todos nós vamos derreter ao lado do Lúcifer.

Que visão poética, não é? Não se lhes pode dizer que o Hamas é uma associação criminosa e terrorista. Ui. Ofendem-se. O Hamas resume-se a um grupo de resistência. É isso e o Jerónimo de Sousa ser do Sporting. Terroristas.

Os cantores associaram-se aos letrados da sopa, a organização não-governamental Artists For Palestine e ao movimento Boycott, Divestment, Sanctions, o famoso carrasco BDS, para demonstrar anti-semitismo camuflado de anti-sionismo. Pacheco Pereira, de caminho, e com paciência e pastilhas para a azia, que ouça os bois pelo nome. Disse algures em texto, no jornal Público, não venham cá com essa coisa anti-semitismo. Venho, venho. Anti-semitismo.

Salvador Sobral, quando Israel ganhou o festival, aqui neste país com muito inúteis a passear a pasta, quase enfartou de tanta raiva. O coração novo deu-lhe felizmente vida, mas vida só vida não serve para nada. Fernando Tordo já chamou aos músicos portugueses atrasados mentais. Paulo de Carvalho postou na página do Facebook repetidas vezes que é mentira ter recebido um obsceno balúrdio por um concerto com o filho. Fiquemos por aqui. Não saber a diferença de um rio e de um torneira pode ser fatal.

A espinha que lhes atravessa a laringe e não lhes desce está na concorrente israelita ter sobrevivido ao massacre de 7 de outubro. No festival de música Nova fingiu-se morta. Yuval Raphael. Vinte e quatro anos. Viva e sabe o que fazer da vida, ao contrário de gente com alma raquítica.