Sequestrado, torturado e executado. À laia da tradição caseira. Odai Naser Saadi Al-Rubai . O corpo do jovem palestiniano de 22 anos, atirado na porta da casa dos pais, foi um retalho de violência. Tinha sinais de tortura severa, o nervo cardíaco estourado, estava amarrado pelo pescoço e pelas mãos, sofreu múltiplas feridas e queimaduras, hemorragia interna, fracturas na cabeça, pelve e costas. Ter participado dos protestos contra o grupo terrorista Hamas valeu-lhe a morte sentenciada por antropófagos, que juram rezar pela sua gente. Rezam, rezam. Esse livro, que não é de orações, tem, só tem páginas de sangue.

Oday juntou-se a muitas centenas de conterrâneos contra o terror que desgoverna Gaza desde 2007, o ano em que o Hamas expulsou a Autoridade Palestiniana aos tiros e instalou-se, até hoje. Para quem come queijo em demasia, lembre-se que são 18 anos sem eleições, sem liberdade, sem a possibilidade de ter vontade própria. Ditadura, os palestinianos vivem debaixo desse céu estrume, servem de escudos humanos, e há grandes democratas pelo mundo fora, incluindo o Bloco de Esquerda e o PCP, que enaltecem o regime. Manos de ideologia.

O silêncio obsceno das organizações de direitos humanos e daqueles que se apresentam advogados de defesa da Palestina apresenta-se como um cartão- de visita escabroso. Calar significa consentir e a boca costurada é cumplicidade. Não venham cá com canções de isto e aquilo. Estão no colo do Hamas, e um dia também vão tombar, não pensem que se livram da queda.

A saída para as ruas, é uma acção rara, não que a vontade popular não quisesse ter querido se expressado antes. A repressão bárbara a que são sujeitos desencorajou-os. Sabem que vão para a vala. Como foram os irmãos da Fatah, cujas cabeças o Hamas atou-as a tubos de escape e, com patas a fundo, a corrida acabou já o último suspiro ia no fundo do esgoto. Outro factor que tê-los-á inspirado é terem conhecido as consequências do cessar do fogo. Gostaram. Claro. Merecem. Evidente.

Mas, com o Hamas existe sempre um quilo de mas. O gangue quebrou acordo com Israel. Recusa entregar os reféns. Os bombardeamentos voltaram. Qualquer país com um palmo diante da testa faria e fará o mesmo. De novo, o povo é castigado pelos manda chuvas sanguinários. O regresso da guerra conduziu ao descontentamento total. Quer lá saber o Hamas disso. Contudo, do susto não se livram. Centenas de residentes de Beit Lahia, no norte da Faixa de Gaza, manifestaram-se pelo fim do conflito e pelo fim da autocracia do Hamas. Cartazes com tinta garrida a escarrapachar um direito básico: as crianças na Palestina querem viver. Videoclipes captaram habitantes locais a gritar em voz alta “Fora o Hamas” e alguns foram explícitos: “Terroristas do Hamas” e “O povo quer derrubar o Hamas”. Viu-se uma concentração de moradores em frente ao Hospital Indonésio, bandeiras brancas agarravam-se às mãos de desesperados. Viu-se também capangas do Hamas à paisana a tentar boicotar.

Não obstante a força animalesca, não conseguiram ganhar à pergunta de ordem: o Hamas não abdica do poder para proteger o povo. Porquê? Talvez o Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente, sediado algures em Portugal, e saiba a resposta. Os ilustres activistas , que se saiba, não se importaram com a morte de Odai Naser Saadi Al-Rubai. Copiam os outros ovos moles, estão silenciosos. Quiçá, fazem figas pelos seus opressores. Os tenores e barítonos e sopranos altos da democracia que lhes convém, juntaram-se às pseudos organizações feministas, que nunca abriram a goela para se solidarizar com as reféns israelitas violadas por canibais.

Os Gazianos saltaram a barreira do medo, arriscaram as suas vidas protestando o absolutismo do Hamas e, sequer, meia linha a esquerda.net lhes dedicou. Enquanto o miserável desdém cobarde reina em cabeças vazias, no campo de refugiados de Jabalia, no norte de Gaza, dezenas queimaram pneus e ecoaram: queremos comer. Na cidade de Khan Younis, no Sul, berrou-se “abaixo o Hamas”.

O Hamas não comentou os protestos, apenas alguns delirados meios de comunicação social, em Gaza, quiseram deixar passar os acontecimentos sob o enquadramento de manifestação para parar a guerra. Aldrabões. Houve igualmente tentativas de passar que se tratava de comícios contra Israel; jornalismo de primeira linha sanitária. Eram e são contra o causador da desgraça palestiniana: Hamas.