Foi esta semana entregue no Parlamento uma petição com mais de 9.500 assinaturas, promovida pela Associação Nacional de Cuidadores Informais, com um apelo claro: o reconhecimento pleno dos cuidadores informais e ex-cuidadores, no acesso efetivo aos seus direitos e a urgente atualização do Estatuto do Cuidador Informal.

Este movimento cívico, legítimo e profundamente humano, levanta uma questão que não pode continuar a ser adiada. Estamos a falar de milhares de mulheres e homens que cuidam 24 horas por dia, sete dias por semana, sem férias, sem direito ao descanso, muitas vezes sem qualquer tipo de apoio, e não podemos esquecer os cuidadores que, para além de um trabalho remunerado, assumem depois do serviço ou ao fim de semana o papel de cuidadores – num esforço sobre-humano, invisível para muitos.

Como cidadão atento, como profissional de saúde e como candidato a futuro Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, assumo este tema como uma prioridade política e social. O Concelho tem de olhar com empatia e compromisso para aqueles que asseguram o bem-estar de familiares e amigos em situação de dependência. Muitos fazem-no por amor, mas o amor, por si só, não basta. É preciso suporte, estrutura e políticas públicas que valorizem quem cuida.

Nesse sentido, proponho um conjunto de medidas concretas e realistas, com impacto direto na vida dos cuidadores informais, entre as quais a criação de Gabinetes nas Freguesias para a sinalização, capacitação e apoio psicológico aos cuidadores informais; a implementação da “Casa do Cuidador”, um espaço de descanso, alívio e de pausa merecida; a criação de parcerias com o comércio local, oferecendo descontos através do Cartão Municipal do Cuidador Informal; a atribuição de bolsas de apoio financeiro aos cuidadores em situação de maior vulnerabilidade; e a disponibilização de serviços de teleassistência, especialmente para cuidadores idosos ou isolados.

Importa referir que, atualmente, dos cerca de 16.500 cuidadores com estatuto reconhecido, apenas 6.000 têm acesso ao subsídio de apoio. Em Vila Nova de Famalicão, há entre 450 e 500 cuidadores reconhecidos, mas estou certo de que são muitos mais os que, na prática, cuidam sem reconhecimento.

A política só faz sentido quando se traduz em proximidade, justiça e ação concreta. E cuidar de quem cuida é, para mim, um dever de consciência e de humanidade.