Em Portugal, está definitivamente instalada a cultura do ódio contra quem tem alguma coisa, por isso desengane-se se acha que somos um povo de brandos costumes.
A escala do ódio intensifica-se consoante o sucesso alcançado, a profissão que exerce, o carro que conduz e a casa que habita. Se for proprietário, o termómetro do ódio aumenta substancialmente e se for proprietário de mais do que uma casa, aproxima-se de um limite perigoso. Não interessa os sacrifícios que fez ao longo da vida, não interessa o que trabalhou, nem interessa se o que tem são de heranças já trabalhadas e suadas pelos seus antepassados.
Ter alguma coisa ofende quem não tem, por isso há quem defenda (nomeadamente a extrema-esquerda) que mais vale ninguém ter nada, a não ser eles próprios. Desta forma ninguém ambiciona nada, ninguém compara nada e ninguém se ofende com nada.
Ao mesmo tempo que este sentimento se tem vindo a instalar, recentemente, uma reportagem veio denunciar um caso no Funchalinho, em Almada, de uma família de Okupas (pessoas que ocupam ilegalmente casas que não lhes pertencem, arrombando-as).
Esta peça não mostrou uma ocupação envergonhada, muito pelo contrário, mostrou o desplante de uma família que se instala, sem qualquer pudor, como se os outros fossem o problema. Depois da ocupação, fazem-se as “tradicionais” puxadas elétricas, seja diretamente à rede, ou então aos vizinhos.
Quando os proprietários tentam despejar estes Okupas para recuperarem as suas próprias casas o insólito acontece: a polícia só pode atuar com uma ordem judicial, que pode demorar anos.
Em Espanha, este fenómeno é um flagelo que se espalhou, e muitos são os casos que se tornaram conhecidos do público, um dos quais retratava uns proprietários que ficaram com o salário penhorado, porque durante o processo de desalojamento, o proprietário continua a ter de pagar as faturas dos serviços básicos, como é o caso da luz e da água.
Em Espanha, as ocupações são feitas em habitações secundárias, mas também já aproveitam as ausências dos proprietários e também dos arrendatários para arrombarem as casas e ficarem por ali a viver. Imagine regressar depois de um dia de trabalho e não poder entrar, porque uma família ocupou a sua casa.
Em Portugal, o caso do Funchalinho chamou a atenção para este problema, que já é uma realidade no nosso país, nomeadamente nas habitações públicas. Em muitos bairros municipais das grandes cidades, como é o caso do Porto, (nos bairros de Aldoar, Lordelo e Ramalde) ou de Lisboa, as ocupações ilegais sucedem-se, e no caso da capital estima-se que ascendam a cerca de 800 as casas ocupadas. Se é verdade que é inaceitável existirem casas municipais vazias quando há famílias que precisam delas, não podemos aceitar, nem normalizar estas ocupações ilegais, porque em cada um destes casos há uma família que espera, que cumpre a lei e que é prejudicada.
Como sociedade não podemos aceitar que quem cumpre as regras seja ultrapassado, desrespeitado e se sinta abandonado, enquanto vê os outros que violam a lei passar-lhes à frente, impunes. Isto demonstra uma total falência das instituições, uma completa imoralidade e quando isso acontece, a revolta instala-se junto de uma maioria silenciosa que desiste do respeito e da decência, no dia em que já não tiver mais nada a perder.