O Ensino Profissional é uma via de ensino que visa proporcionar uma formação mais técnica e prática e que pretende ir ao encontro das necessidades do mercado de trabalho. Assim sendo, constitui um dos percursos possíveis para a conclusão do Ensino Secundário e permite a obtenção de uma Dupla Certificação: a escolar e a profissional. Não obstante, o Ensino Profissional em Portugal ainda tem um longo caminho a percorrer, sob o ponto de vista do valor que lhe dão versus o real valor que tem. A sociedade, os pais e até as escolas encaram o Ensino Profissional como a única via possível para os jovens com comportamentos reiteradamente disruptivos ou com dificuldades na aprendizagem. Poucos são os alunos que chegam ao Ensino Profissional por vocação, motivados e com a intenção de prosseguir estudos, quando terminam o 12.º ano. E essa é a primeira “batalha” de quem leciona Ensino Profissional: motivar os alunos, “agarrá-los”, fazê-los acreditar que são capazes de ir mais longe e mais além, de fazerem mais, de fazerem melhor, de se superarem e não aceitarem o “rótulo” muitas vezes associado aos alunos que escolhem esta via de ensino. Muitos, simplesmente, não têm sequer a noção das capacidades que têm e do quanto podem potenciá-las.
A motivação impõe-se como um fator fulcral no sucesso educativo, mas que ganha especial relevo se falarmos no Ensino Profissional por ser nesta via de ensino que, comummente, encontramos jovens sem projeto de vida e que frequentam a escola até completarem a maioridade, de acordo com a legislação em vigor, ou seja, obrigados.
Dada a especificidade do Ensino Profissional, a motivação constitui-se como o motor, o trampolim que impulsiona os jovens a recriarem a sua relação com a Escola.
Alunos motivados são alunos com sentido de propósito, mais participativos e comprometidos com o seu percurso escolar, o que se traduz, a curto e a médio prazo, numa aprendizagem efetiva e na aquisição consolidada das competências a desenvolver e aprimorar.
Alunos motivados são alunos autónomos, resilientes, criativos, inovadores e empreendedores que em face de dificuldades e adversidades buscam soluções e caminhos alternativos, fatores fundamentais no mercado de trabalho.
Alunos motivados não abandonam a Escola. A perceção sólida de que o Curso escolhido tem relevância na sua vida profissional futura é um fator que mantém os jovens na escola e a concluírem o seu percurso académico.
Que estratégias pode a Escola utilizar para alavancar a motivação no Ensino Profissional?
- Diferenciação Pedagógica com definição de metas claras e exequíveis;
- Ambiente de aprendizagem positivo e com predominância de situações de aprendizagem em contexto prático, como é o “learning by doing”, e a aposta em ambientes de aprendizagem no exterior da escola;
- Realização da formação em contexto de trabalho fora de Portugal. Qualquer Professor tem ao seu dispor a possibilidade de realizar mobilidades europeias ao abrigo do Programa Erasmus+ sem quaisquer encargos para os alunos. É incrível o quanto uma mobilidade europeia pode impactar o futuro de qualquer aluno;
- reconhecimento, feedback e apoio psicológico. Reconhecer o empenho e o sucesso dos alunos é deveras importante, pois isso ajuda muito na aquisição do sentido de pertença à Escola e ao Curso frequentado. Igualmente importante é ter programas na Escola que ajudem os alunos em situações de fragilidade emocional, como são os projetos dos Serviços de Psicologia e Orientação dirigidos aos alunos do Ensino Profissional;
- dar a conhecer Modelos Motivadores. Convidar ex-alunos do mesmo Curso que são casos de sucesso é também um recurso que se tem revelado profícuo.
O envolvimento e participação ativa dos pais na vida escolar dos seus filhos é crucial para o sucesso educativo. Afirmo, amiúde, que ninguém consegue nada sozinho. O sucesso educativo passa inexoravelmente pela conjugação do trabalho e empenho dos alunos, da Escola e dos pais, cuidadores ou representantes legais. Aluno supervisionado e acompanhado (diferente de “controlado”) é um aluno no caminho do sucesso. Caso contrário, este sucesso tem data de validade ou não é alcançado.
O envolvimento parental deverá consubstanciar-se desde cedo com a transmissão de valores como o respeito, a disciplina e a responsabilidade. Controverso ou não, a Escola não tem o papel de educar os jovens. Esse papel cabe aos pais. Infelizmente, a realidade a que assistimos é que, por incapacidade ou opção, os pais têm vindo a destituir-se desta função, delegando na Escola responsabilidades e deveres que a eles competem. A Escola não educa, a Escola forma.
A comunicação salutar com a Escola, quer pela participação nas reuniões quer em situações em que a sua intervenção ou ajuda sejam solicitadas, é igualmente fundamental para todo o processo ensino-aprendizagem e para a motivação dos jovens. Estar de costas voltadas para a Escola não abona a favor do sucesso.
Acompanhar e supervisionar as tarefas escolares e estimular o gosto pela escola, pela aprendizagem e pelos conteúdos são fundamentais para a consolidação da motivação e do sucesso almejado.
Uma educação de qualidade é um direito fundamental dos cidadãos. Exercer este direito passa pelo trabalho articulado da Escola, dos Pais e da própria Comunidade, pela criação e otimização de um ambiente de aprendizagem acolhedor e motivador.
Como Professora do Ensino Profissional, sinto que a minha Missão passa também por escutar os alunos e não apenas ouvi-los, por devolvê-los a eles próprios e levá-los a encontrarem o seu caminho, o seu Norte, com foco e disciplina, com brio e em respeito por eles próprios e pelos demais intervenientes da Comunidade Educativa.