A Inteligência Artificial (IA) poderá acabar com 85 milhões de empregos até 2025. É a previsão impressionante de um relatório da Organização Internacional do Trabalho, que também aponta que a IA poderá, por outro lado, gerar 97 milhões de novos empregos no mesmo período, assumindo-a como um verdadeiro agente de mudança. Assim, o que podemos fazer para transformar esta ameaça numa oportunidade?
A IA é uma tecnologia que permite a criação de programas de computador capazes de realizar tarefas que, em geral, requerem inteligência humana, como reconhecimento de imagens, voz, tomada de decisão e aprendizagem. Esses programas funcionam através de algoritmos que, ao processarem uma grande quantidade de dados, aprendem a identificar padrões e a realizar tarefas cada vez mais complexas. Por isso, a IA tem o potencial de criar novos empregos e oportunidades em novas áreas: especialistas em IA, para desenvolver e implementar sistemas; especialistas em privacidade de dados, para garantir que a recolha e o uso de dados sejam éticos e legais; em ética, que podem ajudar a garantir que os sistemas de IA sejam desenvolvidos e usados de forma responsável e justa; profissionais de segurança de dados, que podem proteger os sistemas e garantir que os dados sejam armazenados e usados de forma segura ou, ainda, profissionais de saúde, capazes de trabalhar com sistemas de diagnóstico baseados em IA. Na verdade, à medida que a tecnologia evolui, é provável que surjam oportunidades de emprego que não conseguimos ainda imaginar.
Os números ajudam-nos a entender a dimensão das possibilidades. Em 2022, de acordo com uma pesquisa do Gartner, mais de 50% das empresas em todo o mundo tinham incorporado algum tipo de tecnologia de IA nas suas operações, o que revela o impacto e o potencial da mesma na transformação de muitas áreas, tornando-as mais eficientes e inteligentes. São disto exemplo os assistentes virtuais, que conferem rapidez e acessibilidade; a condução autónoma, que poderá trazer conforto e segurança; o diagnóstico médico mais precoce e com uma precisão superior à dos médicos, impactando numa melhor qualidade de vida; e a automatização de tarefas repetitivas, que permite gerar eficiência e libertar tempo para tarefas mais desafiantes. Existem ainda os modelos generativos que têm despertado um grande interesse, pois permitem criar conteúdo original de forma autónoma, como imagens, música, texto e até obras de arte. Estes modelos oferecem possibilidades emocionantes para a criatividade humana e a automatização de tarefas criativas, ajudando assim a reinventar o futuro.
O maiores desafios da IA: ética, transparência e responsabilidade
Para além do potencial descrito, a IA apresenta desafios à mesma altura, que devem ser abordados para garantir um futuro justo e equitativo para todos. Como sociedade, devemos esforçar-nos para garantir que a IA seja usada de forma ética e responsável. A privacidade e a segurança dos dados devem ser assegurados. Os modelos de suporte à decisão devem ser transparentes e justos para evitar qualquer enviesamento ou discriminação. A condução autónoma levanta desafios como a responsabilidade legal em caso de acidente, privacidade e enviesamento algorítmico na tomada de decisão, como discriminação racial ou de género. Com os modelos generativos, surgem questões sobre direitos de autor e propriedade intelectual e ainda a possibilidade de criação de conteúdo falso.
Em suma, a massificação da IA obrigar-nos-á a reconsiderar os conceitos de privacidade, liberdade e responsabilidade. Estes desafios podem ser ultrapassados se entendermos como a IA funciona (e quais os seus limites) e incentivarmos o diálogo sobre os benefícios e desafios da sua aplicação em diferentes setores. Afinal, se usada corretamente, a IA pode trazer inúmeros benefícios.
A IA tem o potencial de transformar o mundo, gerando inúmeras eficiências que tornarão algumas profissões obsoletas e criando muitas mais fascinantes oportunidades de emprego. Cabe-nos a nós decidir como usar a IA e encontrar formas de ultrapassar os seus desafios, reforçando o conhecimento sobre a sua utilização em diferentes setores e apoiando o desenvolvimento de regulamentos que promovam um uso ético e responsável. Só assim conseguiremos alinhar a nossa capacidade de adaptação à velocidade impressionante do seu desenvolvimento.