A poucos dias das eleições autárquicas e o debate público estava preso nos temas da limpeza urbana, segurança e mobilidade em vários municípios. Todos relevantes, sim — mas também todos reativos. Qual a visão económica de cada candidato para o futuro das cidades?

É preocupante que, em tantos debates, praticamente não se falou sobre este tema. Num mundo onde os países e as cidades competem globalmente por talento e investimento, a inovação é cada vez mais o motor do crescimento e do bem-estar urbano, tal como reforçado por Mário Draghi. As cidades que prosperam são aquelas que conseguem ligar o seu tecido económico ao conhecimento, à tecnologia e ao empreendedorismo, criando um ecossistema capaz de gerar impacto real. Não é uma opção, é uma necessidade para qualquer cidade que queira prosperar nas próximas décadas. Na verdade, é natural que a cidade precise de mais meios para a limpeza, segurança e mobilidade, pois é sinal de crescimento. Mas este crescimento só é sustentado, se for alimentado por uma economia dinâmica e inovadora.

Nos últimos anos, Lisboa, tem sido um exemplo inspirador neste caminho, ao afirmar-se como uma referência internacional ao atrair investimento, desenvolver talento e criar postos de trabalhos. Foi também reconhecida pela União Europeia com o Prémio da Capital Europeia da Inovação, cujo prémio permitiu implementar projetos-piloto inovadores nas áreas da educação, saúde e imigração na cidade. A cidade tornou-se num verdadeiro cartão de visita de inovação para Portugal, com mais de 80 visitas de delegações de embaixadas e organizações internacionais por ano para conhecerem o ecossistema inovador da capital portuguesa, incluindo este ano a visita do Presidente de França. Para além disso, destaco os programas de empreendedorismo para jovens da Fábrica de Unicórnios, que já chegam a mais de 1.500 estudantes por ano, incluindo em escolas em bairros desfavorecidos, formando uma nova geração de talento com ambição, preparados para o futuro, onde a agilidade e capacidade de inovar serão fundamentais.

Portugal precisa de visão política de futuro a nível local, conscientes dos desafios de uma sociedade em rápida transformação. Precisamos de líderes autárquicos que entendam que o verdadeiro desenvolvimento urbano sustentado se mede também em número de startups criadas, empregos qualificados gerados e investimento captado. Cidades que apostam na inovação são mais prósperas, mais inclusivas e mais resilientes. E, acima de tudo, são cidades onde os jovens podem construir carreiras de sucesso e não obrigados a emigrar.

Era fundamental que, nesta reta final da campanha, ouvíssemos os candidatos a responder a perguntas concretas como que políticas têm para o futuro da cidade. Qual o papel da tecnologia e empreendedorismo na sua visão de futuro urbano? Como vão garantir que os jovens à procura do primeiro emprego encontrem oportunidades aqui — e não lá fora? Estas são as perguntas que deveriam também estar no centro do debate. É a economia que permite financiar políticas sociais, investir em mobilidade e garantir segurança.

Esperemos que nos próximos dias seja possível explorar este tema tão relevante e que se possa discutir o futuro de Portugal.