À medida que nos aproximamos das eleições para a Assembleia da República, é crucial ponderar sobre a visão que queremos para o amanhã. O papel da Educação, incluindo o Ensino Artístico Especializado, tem sido negligenciado nas discussões, como se a sua importância no desenvolvimento das crianças, da cultura e da identidade fosse supérflua, quando, na realidade, é vital.

O Ensino Artístico Especializado não é um privilégio exclusivo de uma elite. Para muitos jovens em Portugal, representa uma oportunidade essencial para explorar a música como parte integrante de uma formação abrangente. Para alguns, é a única via para uma carreira artística, aprofundando a ligação com a cultura e as artes, promovendo o desenvolvimento de sensibilidade, criatividade, pensamento crítico, autoconhecimento e destreza física.

Contudo, este sistema enfrenta desafios financeiros, falta de reconhecimento e instabilidade há anos. As escolas de Ensino Artístico Especializado lidam com despesas crescentes, mantendo contratos congelados pelo Estado, sem ajustes financeiros que acompanhem a inflação, aumentos salariais e custos operacionais. Enquanto os custos aumentaram significativamente nos últimos 15 anos, os financiamentos permanecem estagnados. Os docentes enfrentam diariamente condições que não refletem a qualidade do ensino que ministram. As direções escolares esforçam-se para garantir a sustentabilidade das instituições, sem apoio claro do Estado, cuja inação, demonstra a desvalorização e desinteresse pelo setor.

É urgente que os futuros deputados, líderes políticos e governo vejam o Ensino Artístico Especializado como uma prioridade educativa e cultural, assegurando condições para o seu desenvolvimento com qualidade e ambição. Educar através da arte é dar melhores ferramentas para cidadãos do presente e futuro mais críticos, sensíveis e conscientes do mundo que os rodeia, capacitando-os para serem agentes de mudança e não meros observadores passivos.

A formação no Ensino Artístico Especializado não pode ficar refém de ciclos políticos cada vez mais curtos. É injusto exigir resultados excepcionais das escolas sem fornecer os recursos necessários. Algumas escolas encontram-se à beira do colapso financeiro e, por isso, impõe-se mais um apelo aos futuros parlamentares: escutem as escolas, os professores, os alunos e as famílias. Assistam aos seus concertos e vejam, em primeira mão, o papel superlativo que a sua ação tem no desenvolvimento das comunidades e, na soma das diferentes comunidades, na sociedade portuguesa. Compreendam o que está em jogo e concedam ao Ensino Artístico Especializado o reconhecimento que merece.