Todas as empresas começam pequenas. Seja o negócio em part-time que se mantém com um único trabalhador, ou a empresa familiar que cresce ao longo das gerações até se tornar média ou grande – todas têm o mesmo ponto de partida. Por isso, afirmar que sem pequenas, não há médias nem grandes empresas é mais do que uma constatação lógica: é uma realidade económica. Mas qual será o fator decisivo neste processo de crescimento? Por que razão só algumas empresas conseguem dar o salto e crescer? Estarão quase todas elas condenadas a ser eternamente microempresas? Qual o fator comum?
A aproximação do Dia Internacional das Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPME), celebrado a 27 de junho, leva-nos a refletir sobre o seu papel fundamental à economia nacional, e por outro lado, ao caminho que há a percorrer para que o futuro seja mais ágil, confortável e próspero para todos.
A demografia das PME é feita de resistência
Criar uma empresa em Portugal continua a ser um ato de resiliência. De acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística publicados em 2025 e referentes a 2023, após um ano, apenas sete em cada dez empresas sobrevivem. E, se pensarmos num horizonte de dois anos, não chegam a metade. As sociedades têm geralmente mais sucesso que os negócios individuais, neste domínio. Mas todas, sem exceção, enfrentam desafios comuns.
Ainda assim, o número de empresas criadas anualmente é muito significativo. Segundo o Instituto Nacional de Estatística, em janeiro de 2023, havia 1,5 milhões de empresas em operação em Portugal, das quais 246 mil foram criadas nesse mesmo ano. De acordo com o “Relatório Anual sobre as PME europeias 2024/25” da Comissão Europeia, Portugal é, logo a seguir à Eslováquia, o país da União Europeia com maior concentração de PMEs por 1000 habitantes, com 106 empresas. E, talvez por isso, segundo o relatório, prevê-se que o nosso país seja um dos cinco (de 27) a gerar mais de 5% de emprego entre 2021 e 2025.
Apenas 9% das empresas têm pelo menos 10 trabalhadores. Ou seja, mais de 9 em cada 10 empresas empregam menos de uma dezena de pessoas. E, entre as empresas que mais crescem, em geração de emprego e receitas, estão aquelas que começam logo com elevada produtividade.
E se ser produtivo fosse mais fácil?
Ao longo da sua evolução, a Humanidade tem-se revelado ágil na criação de ferramentas que facilitam o dia a dia e potenciam os resultados do esforço humano – seja em casa, no trabalho ou no lazer. Em 2025, muito além do entusiasmo gerado pela invenção da roda ou do primeiro computador, entramos na era da automatização de tarefas e da Inteligência Artificial Generativa. É através da digitalização, da automatização das tarefas rotineiras que os empresários e colaboradores ganham tempo para pensar, planear e inovar – e, é aí que as empresas encontram a verdadeira oportunidade de crescer e tornarem-se mais competitivas.
Contudo, muitas PME ainda não tiram partido destas ferramentas. O relatório, “Avaliação do Potencial Económico da Transição Digital em Portugal”, desenvolvido pela Deloitte Business Consulting S.A., em colaboração com a Universidade de Coimbra, para a Estrutura de Missão Portugal Digital, revela que a IA é utilizada por apenas 17,3% das empresas. E, só 50,8% das PME recorrem a um ERP para partilhar informação entre áreas funcionais. Ou seja, um número significativo de empresas continua à margem da inovação que poderia facilitar processos, aumentar a produtividade e libertar tempo para pensar, criar e crescer.
Se queremos que as micro e pequenas empresas se transformem, nas mãos dos seus fundadores, descendentes, sócios ou investidores, em médias e grandes empresas, é fundamental aceitar a tecnologia como o principal veículo de aceleração dos resultados. A inteligência artificial chegou para transformar por completo os processos de gestão, automatizando operações, trazendo rigor aos dados e rapidez de decisão. Com o apoio da inteligência artificial é possível construir negócios mais sólidos, resilientes e com impacto duradouro na economia. Assim, cada empresário pode ir além do sonho e construir um futuro melhor para todos.