É designada por vários especialistas como “idade das trevas”, dada a escuridão mais profunda que caracterizava a Época Medieval mais, digamos, “jurássica” que a História testemunhou. Foi um período praticamente vazio de sabedoria, de enriquecimento intelectual e, tão-pouco, de desenvolvimento num sentido geral. Em contrapartida, tratou-se de uma era em que para principiar uma zaragata por um punhado de terras não era necessário muito alvoroço. Ou até mesmo nenhum. Algo semelhante encontro nesta moda do “Black Friday, que surgiu há uns anos sem aviso prévio, e que torna o comum dos humanos que nela entra, de forma fundamentalista, mais selvagem do que qualquer indivíduo que tenha marcado presença na Guerra dos Cem Anos ou tão perigoso de o enfrentar como a Peste Negra.

Entre atropelos e desmaios, considerados, por quem sabe (leia-se “sabe”), normais neste tipo de campanhas pré-aniversário de Nosso Senhor, escutamos um estranho barulho oriundo do interior da crosta terrestre que não é mais do que o senhor Darwin às voltas no túmulo ao constatar que “A Teoria da Evolução” por si pensada e redigida em papel não se enquadra no cenário apocalíptico que se vislumbra na “Worten”, na “Bershka”, na “Zara” ou até no “Pingo Doce” mais diminuto de Moimenta da Beira, onde a dona Cremilde do Rosário se vê na obrigação de aguardar hora e meia na fila para conseguir pagar meia-dúzia de laranjas, um queijo fresco e uma marmelada. O sofrimento da senhora é tão angustiante que se assemelha àquele que o Leonardo DiCaprio sentiu quando se afogava nas águas gélidas do Atlântico Norte, em 1997.

Mais: é possível retroceder ao Paleolítico quando nos deparamos com responsáveis e dedicadas progenitoras que, de forma efusiva, exploram o “Black Friday” acompanhadas pelos filhotes recém-nascidos dentro do pomposo carrinho de bebé. A elas: espero que aproveitem bem as promoções para que continuem a encher o mealheiro com vista àquelas férias de sonho em paraísos turísticos como a Síria ou a Tchechénia. O puto é capaz de gostar.

Bem, mas giro mesmo seria os lojistas que lucrarem com a “Black Friday” atribuírem um pequeno “rebuçado” aos seus funcionários que, durante estes dias, mal têm tempo de fazer amor com o(a) parceiro(a). Fica a sugestão.