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Era um grande palco onde estavam presentes muitas personalidades políticas, incluindo chefes de Estado e de governo.
Não houve uma visão de onde vieram as pessoas que iam para essa reunião. Era o puro e total amadorismo.
Ele não tinha guarda-costas. Ninguém lhe mandou proteção.
Em abril de 1983, um dos homens mais importantes do Médio Oriente é morto a tiro à queima-roupa no hotel do Algarve. É o primeiro palestiniano a ser recebido num destes eventos e representa a Organização para a Libertação da Palestina.
Quando ouvi os disparos, saí imediatamente e dirigi-me para o átrio do hotel, onde vi o homem ali morto.
Uma poça de sangue no chão, diversas marcas de bala no chão e nas paredes do hotel.
O assassino aproveita a confusão e põe-se imediatamente em fuga. É montada uma caça ao homem.
Eu chamei e disse: "Doutor, encontramos a arma".
Mas o maior atentado internacional no país ainda estava por vir.
Eu pensava que aquilo era um assalto normal, que chegava ali com a pistola e que os encostava todos à parede. Nunca pensei que era um atentado daquela natureza.
Em julho de 1983, cinco homens armados atacam a embaixada da Turquia em Lisboa.
Eu nesse preciso momento mentalizei-me que ia morrer. Quando vejo o indivíduo com a arma apontada em direção a mim, eu disse: "Vou morrer".
Os terroristas fazem reféns. Só há uma força preparada para resolver o impasse. Uma nova super polícia criada há pouco tempo: o Grupo de Operações Especiais.
Era um grupo de polícias com uma grande formação especial para atacar a força terrorismos praticados em autocarros, aviões, veículos, casas. Eu acho que Portugal, durante muito tempo, não quis conviver com uma realidade terrível que é o terrorismo, de tirar as consequências.
Esta é a história do ano em que dois grupos terroristas internacionais atacaram em Portugal. Um comando paramilitar tomou de assalto uma embaixada em Lisboa e uma execução sumária no Algarve abalou o Médio Oriente. Aconteceu tudo em apenas três meses. "1983: Portugal à Queima Roupa" é uma série para ouvir em seis episódios, que faz parte dos Podcast Plus do Observador. É narrada por mim, Vitória Guerra, com banda sonora original dos Linda Martini. Estreia a 22 de julho. Os Podcast Plus do Observador têm o apoio da Kia.
