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Começa agora mais um Cinco Continentes da Rádio Observador. É por aqui que todas as semanas viajamos pelo mundo e analisamos a geopolítica internacional, sempre com a ajuda do historiador Bruno Cardoso Reis. Bem-vindo, Bruno.

Obrigado.

Bem-vindo.

Hoje ao vivo e a cores.

É verdade.

Assim que melhor.

Preferimos assim.

Estamos os três ao vivo e a cores.

Ao vivo e a cores. Olha, Bruno, hoje começamos com o Dia da Vitória na Rússia. Foi na última quinta-feira que se celebrou a capitulação da Alemanha nazista e também a vitória na Segunda Guerra Mundial. Foi, como habitual, um dia de muitos discursos, paradas, mas Bruno, importa fazer uma questão. Sendo este o Dia da Vitória, podemos dizer que a União Soviética foi quem ganhou a Segunda Guerra Mundial?

No discurso oficial soviético e agora russo, e em particular com Putin, que transformou este Dia da Vitória num feriado nacional. Sempre foi um dia importante para os soviéticos, para os russos, para os ucranianos, diga-se também, mas realmente ganhou muito mais peso no regime Putin, que passa muito pela valorização do nacionalismo, também muito ligado às Forças Armadas, à dimensão militar. Agora, é realmente um completo disparate. Para começar, porque a União Soviética não entrou na Segunda Guerra Mundial quando a guerra começou em setembro de 1939, ou melhor, entrou, mas do lado errado, ou seja, estava aliado, na prática, à Alemanha nazista. A guerra começa com a invasão da Polônia em setembro de 1939. A Alemanha nazista invade logo no início de setembro, mas há um acordo secreto, um anexo a um acordo público, que prevê a divisão da Polônia e, portanto, passado um par de semanas, quando os polacos já estão derrotados, as forças soviéticas vão invadir a parte oriental da Polônia e anexá-la. Essa aliança de fato com a Alemanha nazista só é quebrada, não pela União Soviética, mas pela Alemanha nazista, quando Hitler decide, mostrando grande arrogância e confiança na sua superioridade racial, invadir a União Soviética no verão de 1941. Depois, um segundo aspecto desse disparate é que a Segunda Guerra Mundial é mundial porque decorre realmente em todo o mundo, mas sobretudo em dois grandes teatros: um teatro euro-atlântico, onde realmente a União Soviética, a partir do verão de 1941, tem um papel muito importante, mas decorre também num teatro que diríamos hoje da Ásia-Pacífico, em que o Japão é o grande protagonista. A única potência que tem um papel decisivo nos dois teatros é realmente os Estados Unidos. A União Soviética só entra no conflito com o Japão no final do conflito, semanas do final da guerra, quando mais uma vez o Japão já está derrotado e a União Soviética aproveita para ir buscar alguns territórios que disputava com o Japão. Por fim, e isto não confiem em mim, eu vou aqui citar alguém que conhece alguma coisa do assunto, que é o líder soviético, Joseph Stálin, que não é propriamente conhecido por ser um grande fã dos Estados Unidos.

De todos.

Exato.

Ele faz um famoso brinde na Conferência de Teerã, na Cimeira de Teerã, em que está o primeiro-ministro britânico Churchill, está ele e está o presidente Roosevelt, e diz, eu vou citar: "Esta é uma guerra de máquinas e os Estados Unidos são um país de máquinas. Sem as máquinas que nós recebemos dos Estados Unidos através do programa do Lend Lease", que é um programa de ajuda militar, "nós teríamos perdido esta guerra." Isto é o Stálin que diz em 1943. E de que máquinas ele está a falar? Está a falar de uma ajuda militar dos Estados Unidos à União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial de 180 mil milhões de dólares. Está a falar de 400 mil jipes e caminhões, está a falar de 12 mil blindados, dos quais 7 mil tanques. Está a falar de 11 mil aviões, nomeadamente grande parte dos aviões de transporte. Portanto, sem a ajuda ocidental, e em particular, 95% desta ajuda é americana, sem os Estados Unidos, a União Soviética tinha perdido a guerra, porque as guerras não se ganham, e vou terminar com esse ponto, porque é o grande argumento. O país que teve mais mortos na Segunda Guerra Mundial, qual é que foi? Foi realmente a União Soviética, em particular a Rússia, também a Ucrânia, que fazia parte na altura. Mas as guerras não se ganham tendo mais mortos, pelo contrário. Geralmente, o país que tem mais mortos numa guerra é o que perde a guerra. A Segunda Guerra é uma exceção. A União Soviética tem ainda mais mortos do que a Alemanha nazista, que vem a seguir. Mas não é com muitos mortos que se ganha uma guerra, é com muitos mortos do inimigo. E portanto, realmente, a União Soviética teve aqui um papel muito importante, sobretudo no conflito terrestre na Europa. Mas se quisermos apontar uma potência decisiva para a vitória, é realmente os Estados Unidos, de acordo com o próprio líder soviético, de acordo com o próprio Stálin que eu citei.

Bruno, da Rússia fazemos escala direta em São Tomé e Príncipe, porque foi esta semana assinado um acordo de cooperação militar entre Putin e esta que é uma antiga colônia portuguesa. É um acordo que pode ser surpreendente para muitos dos nossos ouvintes. Que implicações é que isto tem e até para Portugal, sendo uma antiga colônia nossa?

Aparentemente, foi uma surpresa também em São Tomé. A própria oposição são-tomense se queixou de que foi um acordo aparentemente negociado um pouco em segredo, que até já foi assinado em abril e que só agora é que se conhece. E aliás, não se conhece o próprio texto do acordo. Há uma notícia oficial russa a dar conta, em termos genéricos, que será um acordo de cooperação em termos de treino, de fornecimento de equipamento, mas não se explicita qual. Também de visitas, portanto, de navios e aviões russos a São Tomé, mas é uma coisa ainda muito vaga. Aparentemente, a própria diplomacia portuguesa também ficou surpreendida, aliás, de acordo com declarações ontem do próprio ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, e portanto, realmente, há aqui alguma surpresa. Muitas das reações realmente não deixam de ser também extremamente surpreendentes. A CPLP não é o império português com outro nome.

Certo.

É criada em 1996 por países plenamente soberanos que decidem voluntariamente reforçar a sua cooperação. Os objetivos são muito claros e deixam claro que a CPLP não é uma aliança militar, muito menos é uma aliança militar exclusiva, não é a NATO. Estes países sempre fizeram parte de outras alianças militares, Portugal da NATO, o Brasil de várias na América do Sul, por exemplo, a UNASUR, Angola da SADC, que é a organização regional também de segurança da África Austral, mercados regionais distintos, Portugal obviamente da União Europeia, etc. O Brasil do Mercosul, etc. Portanto, nunca houve aqui qualquer pretensão de exclusividade e é evidente que Portugal não pode pretender ter aqui uma espécie de direito de decidir por São Tomé que alianças, que acordos é que faz ou que não faz. Claro que Portugal pode decidir, isto tem implicações para as nossas relações bilaterais ou não tem. Essa é uma questão que se pode colocar. Do meu ponto de vista, qualquer ideia que passe por Portugal pode ou até deve No fundo, é um falhanço de Portugal não conseguir impedir um acordo destes, é ter uma ideia completamente delirante do que é o papel de Portugal na CPLP ou no contexto internacional. A Rússia é uma grande potência. Portanto, se alguém tem de se considerar como tendo falhado aqui, serão eventualmente os Estados Unidos ou até a China, se achar que não é propriamente Portugal. Se algum país, aliás, tem perdido nas últimas décadas, nomeadamente com a emergência da CPLP, tem sido a Rússia. O grande país que cooperava historicamente com São Tomé independente, que basicamente ajudou a construir as Forças Armadas de São Tomé, foi a União Soviética/Rússia. Portugal assinou um acordo de cooperação militar com São Tomé, ainda quando existia um regime de partido único, alinhado com o bloco soviético em 1988. Desde aí, o que tem acontecido é um enorme reforço da cooperação militar entre Portugal e São Tomé, que corre muito bem. Não há também, por exemplo, a França, que está com estes problemas também em antigas colônias francesas, mas o problema não é haver acordos com a Rússia, é que esses países a seguir exigem que a França se vá embora. São Tomé, de forma nenhuma, pelo que percebemos, está a pôr em questão. Pelo contrário. Portanto, acho que falhar aqui num falhanço de Portugal não me parece algo que faça sentido. Agora, quais são as implicações ou as alternativas? Portugal pode dizer: bem, havendo este acordo, sendo a Rússia uma ameaça à segurança, por exemplo, da Europa, isto tem que ter implicações nas relações com São Tomé e, portanto, nós vamos reduzir a nossa cooperação. Pode, de uma forma talvez mais ponderada, falar com São Tomé, perceber exatamente o que está a acontecer. Se calhar, eu diria também falar com os Estados Unidos. Os Estados Unidos, por exemplo, nós sabemos através do Observador, que nos pediu para continuar na República Centro-Africana, onde há um reforço da cooperação militar russa. Os Estados Unidos têm neste momento tropas no Níger, no mesmo quartel onde estão tropas russas também. Portanto, são os próprios Estados Unidos, o próprio Blinken a dizer: "Nós não vamos obrigar os países a fazer aqui alianças exclusivas conosco". Portanto, se calhar, é uma oportunidade, por exemplo, a falar com os Estados Unidos e dizer: vocês não querem fazer mais cooperação trilateral, se calhar podemos, e vocês aí podem dizer ao São Tomense, mas se querem mais cooperação envolvendo Portugal e se calhar dinheiro, equipamento americano, se calhar não podem cooperar assim tanto com a Rússia. Isso parece-me talvez mais avisado, mas são realmente opções que se podem colocar. Agora, esta ideia de que há aqui um grande falhanço de Portugal, isso não me parece fazer sentido. E terminava só com este ponto. O Brasil, que apesar de tudo também está na CPLP e tem outra dimensão, inclusive no seu orçamento de defesa, tentou fazer isto. O Brasil desde os anos 80 que tem uma iniciativa que é a ZOPAC, Zona de Paz e Segurança no Atlântico Sul, e que defende que os países do Atlântico Sul, inclusive São Tomé, mas também o Brasil, não devem cooperar com grandes potências em termos militares fora dessa região. Foi um fracasso. São Tomé, Cabo Verde, Angola, todos esses países cooperam com o Brasil, cooperam com Portugal e cooperam com os Estados Unidos, cooperam com a Rússia, cooperam com a China, porque os países africanos, o balanço que fizeram da Guerra Fria, a Guerra Fria anterior, é muito negativo. Portanto, eles não querem voltar a ficar presos a blocos exclusivos, querem muito pragmaticamente escolher vários parceiros. Agora, depois nós podemos realmente dizer: bem, isto tem implicações no nosso relacionamento bilateral. Sim, isso também é legítimo. Eu acho que seria uma precipitação para já tirar essa conclusão.

Bruno, vamos aqui ao Médio Oriente, mais uma semana de afastamento entre Estados Unidos e Israel, desta vez com suspensão do envio do armamento norte-americano. Bruno, pergunto, Israel nega que as relações estejam tensas, mas também mostrou desapontamento. Qual é a história da relação entre Estados Unidos e Israel e também qual o peso do armamento dos Estados Unidos para Israel?

Bem, é uma questão realmente bastante interessante. São fases muito distintas. Nós hoje em dia temos a ideia de que esta aliança muito próxima entre Israel e os Estados Unidos é uma coisa que sempre existiu. Está longe de ser o caso. Aliás, o próprio Netanyahu aproveitou a história, e aqui com alguma pertinência, para dizer quando foi da guerra da independência de Israel, por exemplo, em 1948, contra todos os estados árabes vizinhos, Israel não tinha qualquer apoio militar da parte de Israel, como aliás da generalidade dos Estados. Havia um embargo, havia sanções para impedir o fornecimento de armamento aos palestinianos em Israel. O problema é que para os israelitas, o problema era que os palestinianos tinham o apoio dos estados árabes, que não estavam abrangidos por esse embargo, e Israel basicamente teve que contrabandear armas onde as encontrou. Depois disso, o grande apoio a Israel nos anos iniciais foi, sobretudo, o Bloco de Leste, a Checoslováquia, durante alguns anos. Depois, quando Stalin percebeu que o Israel não ia fazer parte do Bloco Soviético, isso acabou. E depois, sobretudo, a França, até os anos 60, até o final da Guerra da Argélia, basicamente até 1962. Havia ali um grande inimigo comum, que era o Nasser, o líder egípcio e o nacionalismo árabe, porque a Argélia era uma colônia francesa, onde havia uma guerra em curso, o Egito apoiava essa guerrilha. Isso só começa a mudar a partir dos anos 60, quando, até por causa da crise do Suez, os Estados Unidos vão, no fundo, ser forçados cada vez mais a ter uma presença militar importante no Médio Oriente. Começa logo com uma intervenção no Líbano em 1958. Mas se formos ver o gráfico da ajuda militar a Israel, ela é praticamente irrelevante até o início dos anos 70, até a Guerra do Yom Kippur, 1973, em que aliás Portugal teve um papel importante. Os Estados Unidos organizam uma ponte aérea para fornecer equipamento militar de urgência a Israel, quando Israel está à beira de perder essa guerra do Yom Kippur, e utilizam a base das Lajes, utilizam os Açores e o espaço aéreo português para fazer chegar essa ajuda. Só a partir daí é que há um enorme crescimento nessa ajuda militar.

Isso não deita um pouco por terra também aquela questão que muitas vezes dizemos que Israel é quase uma criação norte-americana, de certa forma?

Sim, isso realmente historicamente não é todo assim. Israel é uma criação dos israelitas No início, em 48, Israel tinha muito poucos aliados realmente empenhados na sua sobrevivência. Depois vai construindo alianças, sempre muito pragmáticas. Israel caracteriza-se muito por uma diplomacia muito pragmática. Alia-se com os países que estão disponíveis a aliar-se com eles, desde a África do Sul do apartheid, à Índia, que tem um problema com o Paquistão muçulmano, com a Turquia durante muito tempo. Agora essa aliança caiu, aproximou-se da Grécia e do Chipre. Realmente os Estados Unidos passaram a ter um papel único, mas só a partir do início dos anos 70. Apesar de tudo, há aqui um dado que é muito importante, que é: essa ajuda militar já teve muito mais importância, porque entretanto, a partir dos anos 80, 90, Israel investiu muito em desenvolver a sua própria indústria de defesa e portanto, tem muito mais capacidades próprias do que tinha no passado, muito superiores à que tem a Ucrânia, por exemplo. A própria Ucrânia aguentou alguns meses sem apoio militar americano. Israel teria muito mais capacidade de fazer isso. Agora, não é insignificante, porque Israel usa armamento muito sofisticado. Os Estados Unidos são grandes produtores desse tipo de armamento, desse tipo de munições e portanto, teria algum impacto, mas não é algo que paralisasse o esforço de guerra israelita de um momento para o outro. Isso também seria uma visão errada de qual é o peso atual do apoio militar americano.

Bruno, vamos ter de acelerar, e bastante, para ainda irmos a pelo menos dois temas. Vamos olhar aqui para a China. A China esteve muito presente esta semana na Europa. Primeiro tivemos a viagem de Xi Jinping e depois um abalo vindo da Alemanha. O assessor de um eurodeputado alemão da AFD foi detido por suspeitas de espionagem para a China. Muito rapidamente, isto afeta a popularidade do partido na Alemanha?

São realmente dois temas ligados e fundamentais, e muito rapidamente. No fundo, a visita de Xi Jinping à Europa, do meu ponto de vista, corresponde a uma estratégia chinesa que é: a Europa é muito importante para a China. A China não quer cortar relações, sobretudo económicas, com a Europa, seja por causa da Rússia, seja por causa da Ucrânia, seja por causa dos Estados Unidos, mas tem uma estratégia de procurar dividir para reinar. E portanto, foi visitar a França, que apesar de tudo, sendo um país central, um pilar da construção europeia, é um país que procura sempre afirmar muito a sua autonomia e a autonomia da Europa, nomeadamente face aos Estados Unidos. Isso interessa à China. E depois, sobretudo, a Hungria de Orbán, que é um regime iliberal, que cada vez mais se identifica e se aproxima de outros regimes iliberais e até abertamente autoritários, como o de Putin ou o regime chinês. O senhor Orbán foi o único europeu membro da União Europeia a estar presente na grande cimeira desta grande iniciativa estratégica de investimento também em infraestruturas, o One Belt One Road, há uns meses atrás. E portanto, corresponde muito a essa estratégia. Aqui o partido, a tal Alternative für Deutschland, a AFD, no fundo, tem essa agenda iliberal, faz muitos elogios a regimes iliberais, é sempre muito crítica de qualquer afastamento da Rússia, da ajuda à Ucrânia, de qualquer crítica à China. E portanto, não é propriamente uma grande surpresa que haja algum interesse chinês em apoiar esse esforço e estar presente, de alguma forma, num partido com esse perfil. O problema é que isso veio a saber publicamente. Não foram as únicas revelações que provocaram estragos na imagem da AFD, houve outras, mas certamente isso não ajudou. E a verdade é que este partido, que pela primeira vez se tinha tornado o segundo partido mais votado nas sondagens, ainda não em eleições, mas nas sondagens mais recentes, nos últimos meses, aparecia como o segundo partido. Tinha ultrapassado o SPD, que está no governo e está um pouco impopular também por causa disso, e só era ultrapassado pela CDU. Agora voltou a cair, já está abaixo dos 20%, já está à volta dos 15%, já foi ultrapassado ligeiramente pelo SPD, de acordo com algumas sondagens. E portanto, sim, está a ter algum impacto negativo na imagem do partido, mas vamos ver como é que as coisas evoluem, nomeadamente nas eleições para o Parlamento Europeu.

Bruno, continuamos aqui a acelerar o passo na América do Sul. Esticamos também uma ponte para a Europa. Há tensões em Bom Castelar entre Espanha e Argentina. Isto porque o ministro dos Transportes espanhol alegou que Javier Milei consome drogas. Desde aí que os últimos dias têm sido de muitas acusações. Bruno, isto pode fazer tremer as relações entre os dois países?

Eu acho que sim. Para já, não. Ainda não tivemos, como já aconteceu com a Colômbia, com o México, não houve um corte de relações, não houve a chamada de embaixadores, etc. Mas houve uns comunicados bastante duros de parte a parte. Realmente, isto para mim ilustra um ponto que é uma política muito populista, e aqui estamos a falar de Milei, mas também do próprio Sánchez, apesar de ser de um partido historicamente mais centrista, mas que cada vez mais tem adotado uma postura de algum populismo. Estas declarações muito populistas, é evidente, não é normal um ministro fazer declarações deste tipo sobre um chefe de Estado de um país amigo, não é?

Claro.

E portanto, isto tem custos. É verdade que o próprio Milei também faz declarações deste género, portanto, não terá uma grande autoridade para se queixar. Mas a verdade é que temos um custo para isso, ou seja, mais tensões, mais crises, crises um pouco artificiais. E portanto, é esse o custo em termos da política global, da política internacional, de termos depois uma grande polarização e políticos muito populistas que apostam muitas vezes numa retórica muito agressiva também em relação a outros atores no palco externo. E portanto, isso tem realmente custos.

Muito bem, Bruno. Infelizmente, não temos mais tempo. Voltamos para a semana para mais um Cinco Continentes.

Foi um gosto estar aqui.

É verdade. Bruno, até lá.

Foi um prazer te ver em pessoa. Até para a semana.