Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Sábado, dia 17 de janeiro e por isso é dia de viajarmos pelos cinco continentes na Rádio Observador. É por aqui que analisamos todas as semanas os assuntos que estão a marcar a atualidade ao nível da geopolítica internacional. Eu sou o João Costa e Silva e está comigo o historiador Bruno Cardoso Reis. Bruno, sê muito bem-vindo. Como é que foi essa semana?

Olá, obrigado. Correu tudo bem. Obrigado, foi uma boa semana.

Dentro da normalidade, não é assim que se espera também.

Sim, dentro da normalidade.

Bruno, vamos começar aqui o nosso programa pelo Médio Oriente, numa altura em que o plano de paz de Trump parece estar a entrar na segunda fase e é aquela que se calhar, e as próximas serão talvez as mais difíceis. Em que ponto é que estamos? E também trazer aqui para a questão a Ucrânia ao nível do plano de paz do presidente norte-americano, como é que estamos também a esse nível?

Infelizmente, não estamos assim muito bem. Ou seja, é bastante evidente que, nomeadamente no caso da Ucrânia, não houve, de facto, nenhuma diminuição na intensidade dos combates e sobretudo dos ataques russos à população civil. Pelo contrário, eles parecem estar a intensificar-se e até a alargar-se. Também sabemos que a Ucrânia tem-se queixado de algumas dificuldades no abastecimento de munições para os seus sistemas antiaéreos. Enfim, podemos deduzir que isso provavelmente será, sobretudo, o resultado desta pressão americana para se avançar com as negociações, porque esta semana voltámos a ter novamente Donald Trump num padrão que se tem aqui repetido, que é, no fundo, os Estados Unidos fazem uma proposta muito colada à Rússia, portanto muito enviesada para o lado do Kremlin. Depois a Ucrânia, com a ajuda da Europa, resiste a essa proposta e faz uma contraproposta mais razoável. Depois, basicamente a Rússia não diz nada, ignora isso e o resultado é que Trump acaba a culpar a Ucrânia, Zelensky, os europeus por o processo de paz não avançar. Estamos aparentemente nesse padrão. Em princípio, este fim de semana haverá um novo encontro de uma delegação ucraniana com os negociadores norte-americanos, mas realmente não vejo grandes razões para otimismo. Ou seja, neste momento parece-me que podemos ter algumas razões para suspeitar que realmente para Trump, Zelensky é não apenas um obstáculo a uma paz rápida e em termos que sejam aceitáveis para a Rússia, porque seria a condição realmente para uma paz rápida, como também provavelmente é um obstáculo a outra coisa, que é um objetivo partilhado de Putin e de Trump, aparentemente, que é este objetivo de acabar com uma série de normas que são pilares da ordem internacional desde 1945, coisas como não se alteram fronteiras pela força, não há guerras de conquista, a guerra não cria um direito de conquista, as grandes potências não podem simplesmente ocupar, anexar o território que quiserem. E realmente, tendo em conta o comportamento de Donald Trump noutros casos, como o da Gronelândia, que já vamos falar, se calhar o problema também é esse. Portanto, de facto, as coisas não estão nada bem em termos de processo de paz na Ucrânia, pelo contrário. Em relação à questão de Gaza, realmente houve a nomeação deste painel de administradores internacionais de Gaza, com muitos nomes, enfim, confirmaram-se vários deles, Steve Witkoff, Tony Blair, etc. Mas, no fundo, o problema maior não era propriamente nomear personalidades internacionais mais ou menos alinhadas com estes objetivos de avançar com a paz para este organismo. Os grandes problemas da segunda fase, desta fase mais ambiciosa, e que se têm confirmado e que têm levado, de facto, a um enorme arrastamento do processo, isso já podemos dar como certo, é que a passagem à segunda fase tem sido extremamente difícil e demorada. E os grandes problemas aí são outros, são sobretudo a questão do desarmamento do Hamas. O Hamas é um movimento de resistência islâmica armada, é isso que quer dizer Hamas, não é, um movimento de resistência islâmica. Portanto, isso faz praticamente a sua identidade. Além do mais, o Hamas sabe o que fez com essas armas, não apenas contra Israel, mas também contra muitos palestinianos. Portanto, tem muitos inimigos que aproveitariam provavelmente qualquer fraqueza do Hamas para algum tipo de acerto de contas. Não quer realmente deixar as suas armas. E, por outro lado, e paralelamente, isso significa que a tal força internacional de paz não se consegue constituir, não consegue avançar, porque a maior parte dos países que mostraram alguma disponibilidade para enviar tropas para essa missão internacional em Gaza, têm deixado claro que estão dispostos a fazer uma missão de manutenção de paz, mas não de imposição da paz, ou seja, não estão dispostos a ir combater o Hamas, ir buscar as armas que estão nas mãos do Hamas pela força. E essas é que me parecem ser as grandes dificuldades e o teste realmente fundamental para perceber se este plano tem condições para continuar minimamente para esta segunda fase, que já é bastante mais ambiciosa. Isto para nem falar dos problemas na Cisjordânia, que não está incluída no plano de paz, que também se continuam a agravar.

Há muitas variantes aqui trazidas para cima da mesa. E Bruno, temos também claro, continuar a olhar para a Gronelândia, um território que depois do ataque dos Estados Unidos em Caracas, tem assumido um grande destaque pelas repetidas ameaças de Donald Trump. Aliás, ainda hoje, e destacávamos isso há pouco nas notícias a esta hora, temos centenas de manifestantes a concentrarem-se nas ruas de Copenhague contra os planos de Donald Trump. Eu pergunto se vamos ou não ter um cenário de guerra e a propósito do envio de tropas dinamarquesas e mais simbólicas de outros países europeus, se isso também é para prevenir esse avanço de Donald Trump.

Sim, no fundo, estamos nesta situação um pouco surreal de ter, provavelmente pela primeira vez na história da NATO, de ver países membros da NATO a reforçarem, a deslocarem tropas para dissuadir aquele que é o principal membro da NATO, o país principal em termos da dinamização, da ação que levou à sua fundação em 1949, que são os Estados Unidos. Mas realmente, à partida, eu diria que se prevalecer o bom senso, o real realismo e até o respeito pela vontade dos norte-americanos, não vai haver aqui um conflito por causa da Gronelândia, porque realmente as sondagens são muito claras num país que costuma estar muito polarizado, muito dividido como os Estados Unidos, há poucos assuntos em que os americanos estejam mais de acordo do que em relação a esta questão da Gronelândia. Ou seja, mesmo por via negocial, a grande maioria dos americanos não estão interessados em anexar a Gronelândia e sobretudo pela via da força, a rejeição é absolutamente esmagadora. Mais de 90% dos americanos estão contra uma anexação pela força, uma ocupação pela força da Gronelândia. Aliás, isso tem-se traduzido também em reações do próprio Congresso, dos próprios parlamentares norte-americanos, e não só de muitos democratas, mas também de cada vez mais, sobretudo senadores republicanos. Inclusive ontem esteve uma delegação de parlamentares norte-americanos, quer republicanos, quer democratas, precisamente na capital dinamarquesa, em Copenhague, para transmitir, para deixar claro que realmente não estão de todo de acordo com esta forma de lidar com a Dinamarca por parte do atual presidente americano, por parte do Donald Trump. Enfim, pode-se sempre dizer: "Bem, isto são só ameaças", entre aspas, para conseguir uma posição negocial mais vantajosa, mas só haver esse tipo de ameaças em si já é grave, não é suposto ser assim que se lida com um país aliado. Além do mais, realmente o problema aqui é que, de facto, não parece haver nada de prático, concreto, razoável, que satisfaça Donald Trump. Ou seja, a Dinamarca já deixou claro que está disponível nos termos, aliás, de um acordo que já existe para haver um reforço da presença militar norte-americana, que está disposta a discutir os termos de investimento americano se os Estados Unidos estiverem realmente interessados em investir na Gronelândia. Agora, o que não está disposto realmente é a ceder a esta espécie de chantagem. Portanto, desse ponto de vista, também me parece que é útil que realmente os países europeus mostrem alguma solidariedade. Também vamos ser claros, é uma solidariedade mais simbólica, ou seja, são poucas dezenas de soldados de vários países, mas em todo o caso, em termos políticos tem algum significado. Enfim, as tropas não servem só para combater, também servem para fazer diplomacia, para mandar mensagens políticas e portanto, desse ponto de vista, parece-me uma mensagem útil, mas realmente, ao mesmo tempo, uma espécie de perda de tempo, mas que é inevitável tendo em conta a postura de Donald Trump. Mas é realmente muito importante que a Dinamarca e que os europeus deixem claro que não vão ceder a esta chantagem, porque me parece que esse tem sido um dos erros de base na forma como os europeus têm lidado com Donald Trump. É esta ideia de, no fundo, ir fazendo cedências na expectativa de estabilizar a relação, de chegar a um compromisso. Do meu ponto de vista, isso é não perceber que Donald Trump tem este perfil que é vai continuar sempre, se continuar a ver os europeus como fracos, a Dinamarca como fraca, a pressionar, a pedir mais, a exigir mais. Portanto, fazer cedências a Donald Trump numa posição de fraqueza é uma receita não para a estabilização, mas para ele voltar para pedir mais, para fazer mais exigências mais complicadas ainda no futuro.

E Bruno, nós temos quase inaugurado esta rubrica de destacar países ao longo da semana nestes cinco continentes. Esta semana, precisamente, queres destacar o Reino da Dinamarca, mas também a Gronelândia, acaba por estar aqui tudo ligado.

Sim, de facto a Dinamarca é um velhíssimo reino nórdico, o primeiro rei da Dinamarca terá unificado o país mais ou menos à volta de 936, portanto, quase dois séculos antes do nosso Dom Afonso Henriques começar o trabalho de fundação da monarquia portuguesa. É um reino nórdico muito antigo, com mais de 1000 anos e que teve um protagonismo muito importante na história da Europa e também na história desta zona dos mares do Norte, do Ártico, ao longo de muitos séculos. Passou por muitas vicissitudes, já foi a potência dominante nesta zona da Escandinávia e do Báltico durante vários séculos, nomeadamente a chamada União de Kalmar, no fundo, nessa altura, no final do século XIV. Portanto, mais ou menos na altura do nosso Dom João I, da nossa crise também dinástica, a Dinamarca vai conseguir unificar, criar uma união dinástica com a Noruega e com a Suécia, é a grande superpotência nesta zona dos mares do Norte, do Báltico também. E é nesse contexto que vai começar esta união com a Gronelândia. A Gronelândia é inicialmente ocupada e está ligada ao reino da Noruega, mais ou menos na altura em que é fundada a Dinamarca, no final do século X. Temos a primeira ocupação da Gronelândia mais ou menos em 986. É curioso dizer que a Gronelândia também tem a sua complexidade, mas sempre foi uma região onde era muito difícil viver. Segundo as sagas nórdicas, o Érico Vermelho, este viking que veio da Islândia, que foi forçado a sair da Islândia, exilado, e que ocupou esta zona da Gronelândia, da Terra Verde, na língua nórdica e depois também no inglês, Greenland. Terra Verde não tem nada a ver com a Gronelândia, na realidade, mas é uma terra de gelo, mas ele achou que era uma boa publicidade. A desinformação não é uma coisa assim tão recente, era uma forma de atrair colonos, mas não resolveu os problemas de fundo, nomeadamente os problemas ambientais. Houve um agravamento das condições climatéricas no século XV e tanto quanto percebemos, isso vai levar à extinção desta até no presente, embora formalmente a Dinamarca nunca tenha abdicado esse território. E depois no início do século XVIII, em 1721, como parte de um esforço missionário e também de recuperação do contacto com as populações nórdicas que supostamente poderiam lá ter sobrevivido, há este esforço da reocupação da Dinamarca a partir do início do século XVIII. É curioso também, neste contexto, dizer que o primeiro mapa que nós temos com algum rigor da costa da Gronelândia é um mapa português, não sabemos quem é que o fez, mas é o chamado Planisfério de Cahtino, que está atualmente a Itália. Foi um mapa que foi feito ilegalmente para transferir informação cartográfica para este príncipe italiano, para o Este em Ferrara, mas foi feito por um cartógrafo português e recolhe as informações das expedições dos Corte-Real, daqueles navegadores portugueses que vão explorar esta zona, também do Canadá, da Terra Nova, etc. Vão detetar a importância da questão do bacalhau, desta grande fonte de pesca. Poderia ter havido um cenário em que eventualmente Portugal se pudesse ter interessado pela Gronelândia, mas isso realmente não se concretizou. A Gronelândia é realmente um território ultramarino da Dinamarca até ao século XX. Mas a partir de 1979, depois da Segunda Guerra, ganha autonomia, há alguma possibilidade de autogoverno, mas sobretudo a partir de 1979 torna-se uma região autónoma também um pouco no modelo dos Açores, ou da Madeira, mais ou menos na mesma altura, como sabemos. Há aqui alguns paralelismos eventualmente interessantes. Agora, o que não há nenhuma dúvida é, em termos de lei internacional, a Gronelândia é reconhecida como dinamarquesa. Houve aliás uma disputa na década de 30 entre a Noruega, que quis reclamar território na costa leste da Gronelândia, que nunca foi ocupada. As 50 mil pessoas que vivem na Gronelândia, todas elas concentram na costa oeste, que é um pouco mais abrigada e na zona mais a sul, que é também um pouco menos agreste do ponto de vista climático. Mas a Noruega reclamou uns territórios nessa zona da costa leste, mas o Tribunal International, em 1933, deixou claro que era um território dinamarquês. Também já houve interesse norte-americano pela Gronelândia, mas os Estados Unidos sempre respeitaram o não da Dinamarca, por exemplo, a propostas de compra, logo também em 1917. Ou mesmo no contexto da Segunda Guerra Mundial, em que havia realmente uma razão até militar e o facto da Dinamarca ter sido ocupada pela Alemanha nazista, o seu governo não estar livre de tomar decisões porque estava sob a ocupação nazista a partir de abril de 1940. Mas mesmo nesse contexto, os Estados Unidos tiveram o cuidado de assinar um acordo com o embaixador da Dinamarca nos Estados Unidos e com as autoridades dinamarquesas na Gronelândia. Um longo histórico, relações complexas. Aqui o dado fundamental é que a Gronelândia é a maior ilha do mundo, enquanto a Dinamarca é um país minúsculo, é metade do tamanho de Portugal, mais ou menos, um pouco mais de metade da população. A Gronelândia tem mais de dois milhões de quilômetros quadrados, é a maior ilha não continental do mundo, só ultrapassada pela Austrália. Só tem 50 mil habitantes, é o território com menos população no mundo. E a defesa da Gronelândia, tanto quanto ela tem sido necessária, tem sido essencialmente assegurada pela Dinamarca e não pelos Estados Unidos. A base que os Estados Unidos têm na Gronelândia tem around de 150 soldados e basicamente está encarregue de fazer defesa aérea avançada dos Estados Unidos, ou seja, detetar mísseis que venham na direção dos Estados Unidos. Só a existência da base já funciona como uma certa dissuasão em relação a uma ameaça relativamente à Gronelândia, mas no essencial, a defesa aérea, terrestre, naval da Gronelândia, tanto quanto ela tem sido necessária, tem sido feita pela Dinamarca.

Muito bem, e Bruno, vamos só fazer aqui uma curta pausa. Vamos deixar o Irão para a segunda parte e para a onda de protestos e também repressão que se vive nesta altura. Voltamos já a seguir depois de uma curta síntese de notícias. Até já. De regresso para a segunda parte do "Cinco Continentes" na Rádio Observador, sempre com o historiador Bruno Cardoso Reis. E Bruno, vamos ao Irão. Os protestos parecem estar a ser travados por uma repressão que não dá tréguas. Neste momento, já conseguimos perceber melhor o que é que aconteceu e também em termos de posições de Estados Unidos e também da Rússia?

Aparentemente, e ao contrário de alguns dos nossos especialistas aqui, que sabem que a monarquia e este príncipe da dinastia Pahlavi, que foi forçado ao exílio em 79, não tem qualquer apoio, os aiatolás, o regime tem bastante receio do filho do Xá. Uma das coisas que se percebeu, há várias reportagens bastante detalhadas com muita informação, por exemplo, do Financial Times sobre isso, é que até há um apelo feito nas redes, através de vídeos publicados nas redes do Reza Pahlavi para uma grande manifestação no dia seguinte, manifestações por todo o país que levam a mais uma vaga de manifestações massivas como parte desses protestos. É exatamente nesse dia que, por um lado, o regime toma a iniciativa de deitar abaixo a internet. Isso tem consequências muito sérias em todo lado, basta pensar o que nós fazemos hoje em dia com a internet. Mas num país como o Irão, por exemplo, em que a banca está toda transformada em banca eletrónica, até por causa da inflação, as pessoas não querem ter notas no bolso, porque estão sempre a perder dinheiro. Deitaram abaixo a internet, depois gradualmente foram restabelecendo de forma limitada para permitir à economia voltar a funcionar um pouco e deram ordens para começar a atirar a matar com uma violência que não se tinha visto ainda. E isso é dizer muito, tendo em conta que o regime iraniano é dos regimes mais repressivos do mundo, é o segundo país onde há mais execuções no mundo. Muitas vezes execuções sumárias, estes presos políticos que muitas vezes são acusados de crimes contra Deus, são julgados e executados em poucas semanas, num mês, às vezes menos, portanto processos absolutamente sumários. Aparentemente, o regime levou muito a sério esta ameaça vinda de fora, esta ideia de que pode haver aqui alguma perigosa nostalgia pela monarquia, como eu tenho dito também aqui no Observador, por exemplo, no Gabinete de Guerra, eu não faço a mínima ideia de qual é o nível real de apoio à restauração da monarquia. O próprio Pahlavi fala sobretudo de ser uma figura que lidere uma transição para a democracia. Mas o que parece bastante evidente é que realmente as pessoas estão absolutamente fartas deste regime. Se o regime diz que o regime anterior é mau, se calhar há muita gente, sobretudo mais jovem, que não viveu durante a monarquia do Xá, que tinha o seu lado também repressivo, se calhar estão dispostas a acreditar que esse regime, afinal, até é bom ou tinha coisas boas. É natural que, por exemplo, muitas mulheres vejam esse período com alguma nostalgia, porque realmente tinham bastante mais direitos do que têm atualmente. O que ficou aí bastante claro foi que esse terá sido aqui um momento de viragem. O segundo aspecto crucial é que o regime está disposto a usar todos os meios para se manter no poder. Conseguiu manter suficiente coesão e, nomeadamente, em particular a lealdade das suas forças de segurança, das suas forças policiais, forças armadas da Guarda Revolucionária. Basicamente, o que nós estamos a ver é um banho de sangue, de facto, numa escala massiva, milhares de mortos, e à custa disso, aparentemente, o regime está realmente a conseguir travar os massacres.

E Trump vê cada vez mais razões para, se calhar, uma intervenção.

Essa é a segunda questão interessante, que é qual é o papel das grandes potências. À partida, a expectativa provavelmente de muitos iranianos era que este Reza Pahlavi, que vive há várias décadas exilado nos Estados Unidos, poderia trazer o apoio americano que foi expressamente prometido por Donald Trump, que encorajou os manifestantes dizendo: "Se houver repressão violenta, nós vamos defender-vos do regime". Depois esse erro foi, vai dizer: "Se houver execuções, eu vou reagir". Agora, aparentemente, está a dizer: "Eles prometeram que não ia haver execuções". Aparentemente, adiaram uma execução que estava iminente, um destes manifestantes e portanto, afinal, já estão a repensar. Aparentemente, a conclusão aqui é que os Estados Unidos claramente não usaram a força até ver. De facto, é verdade que esse uso da força poderia ter alguns riscos. Não era de todo evidente que uma operação muito limitada, muito rápida, como Trump tem feito, seja contra o programa nuclear iraniano ou contra Maduro, fosse possível neste caso, ou fosse eficaz, permitisse aqui uma declaração de vitória rápida. O regime ameaçou realmente com alguma credibilidade que poderia retaliar de uma forma que poderia complicar muito a questão do preço do petróleo, ou seja, atacar petroleiros, bloquear o Estreito de Ormuz, portanto, toda esta economia petrolífera do Golfo podia ficar ameaçada, eventualmente ataques contra as próprias instalações petrolíferas de países aliados dos Estados Unidos. Aparentemente, terá havido pressão desses países, de vários países do Golfo, nomeadamente do Qatar, que tradicionalmente é uma ponte entre o Irão e os países árabes do Golfo, nomeadamente porque gerem em conjunto um grande campo de gás no Golfo Pérsico. O Qatar e o Irão terão feito pressão sobre Donald Trump e já percebemos que o Qatar tem muita influência junto ao Donald Trump. Vimos isso depois daquele ataque israelita ao Qatar e da reação pouco normal, pouco usual de Donald Trump de crítica a Israel. Isso terá pesado e significa que um ataque americano parece cada vez menos provável, até porque realmente os protestos parecem estar a ser esmagados. Do lado da Rússia, também veio uma reafirmação pública da proximidade da solidariedade com o regime iraniano, não ao ponto de enviar tropas. Isso também não seria provavelmente aceitável ou desejável para o próprio regime. O regime iraniano não estava naquele modelo, por exemplo, da Síria de Assad, em que realmente havia tropas russas, que aliás, não impediram a queda do regime, mas em termos de cooperação, de envio de equipamento, até aparentemente de cooperação técnica em coisas como deitar abaixo a internet e depois gradualmente recuperar algumas áreas da internet que sejam menos ameaçadoras, que possam ser menos ameaçadoras para o regime. Aí parece ter havido alguma cooperação, portanto confirma-se a solidez deste eixo autoritário, deste eixo autocrático, que aproximou muito, por razões também de interesses pragmáticos, de convergência de interesses estratégicos, o Irão da Rússia. Agora, e para terminar, eu não dou por certo que este seja o fim dos protestos ou o fim de protestos. Temos assistido a um intensificar e uma frequência maior de protestos. Tivemos grandes protestos em 99, em 2009, em 2019 e depois a partir de 2019 tivemos novamente em 2022, 2023 e agora novamente. Parece-me que é evidente que o regime é cada vez mais impopular, as pessoas estão cada vez mais impacientes e desesperadas e isso não quer dizer, infelizmente, que o regime caia, mas provavelmente quer dizer que vamos ter uma repressão muito mais pesada durante mais tempo e é possível que voltem a surgir novos protestos, que provavelmente serão novamente reprimidos com mão de ferro, com atirar a matar sobre estas multidões de manifestantes.

Vamos estar atentos àquilo que se passa no Irão ao longo dos nossos próximos programas. É um assunto que infelizmente vai continuar aqui em destaque. Bruno, vamos falar agora sobre o acordo de parceria entre Japão e as Filipinas e também da visita da primeira-ministra italiana para anunciar novos acordos. O que se passa nesta altura? Isto porque o Japão vai ter eleições e há também a destacar atrasos na compra de armamento americano, não é assim?

Sim, o Japão realmente tem estado bastante mais animado e dado muito mais notícias do que foi frequente durante muito tempo. Temos uma nova primeira-ministra, esta primeira-ministra que está cá, a Ishii, que aliás é de uma direita bastante musculada, portanto nesse aspecto percebe-se aqui uma certa afinidade, simpatia com a primeira-ministra Meloni de Itália. Aliás, elas fizeram questão de dizer isso mesmo, que se entendiam muito bem, e até escreveram um artigo em conjunto para riscar-

Provar dessa cumplicidade, no fundo.

Exatamente. Isto é importante para a primeira-ministra, no sentido também de mostrar alguma credibilidade, alguma capacidade de ação, dinamismo na frente externa, quando a China está com uma postura muito agressiva, em reação a declarações também da primeira-ministra do Japão que já comentamos, de que o Japão consideraria um ataque a Taiwan como um ataque ao Japão e poderia haver aí uma resposta militar. Acho que o contexto eleitoral também provavelmente pode ajudar a explicar que haja aqui um especial interesse da primeira-ministra, candidata agora nas eleições legislativas, porque ela foi nomeada como parte de uma crise governativa e ainda não foi a eleições, e isso pode ser interessante desse ponto de vista. Parece-me que o contexto geopolítico por si só também explica este intensificar de acordos, de encontros, de cimeiras. No caso do Japão e da Itália, e mesmo das Filipinas, há este lado interessante que é termos aqui uma espécie de virar de página em relação às muitas décadas do pós-guerra, ou seja, o período a seguir a 1945 foi a Guerra Fria, mas também foi o pós-Segunda Guerra Mundial, e os traumas em memória da Segunda Guerra Mundial, que foi a guerra mais destrutiva da história, com dezenas de milhões de mortos, continuam a marcar muitas coisas e a política internacional. Se tivéssemos, se calhar aqui há uns anos, um acordo entre o Japão e a Itália, cooperação no campo da defesa, que foi uma das questões aqui discutidas, o Japão, a Itália e a Grã-Bretanha estão a construir um jato, um avião de combate de sexta geração, que é suposto começar provas a partir de 2035. Eles têm reforçado muito a sua cooperação militar, e noutras áreas também, mas por exemplo, terras raras, troca de reservas estratégicas de gás, no caso de emergências, etc., foram coisas que foram aqui discutidas. Mas no passado, se houvesse um acordo entre o Japão e a Itália, provavelmente iríamos ouvir falar do Pacto Tripartido, ou seja, dos países do Eixo de Berlim, Tóquio, Roma, na Segunda Guerra Mundial, do famoso Pacto Tripartido de 1940. Hoje em dia, ninguém se lembra disso. E no fundo, o que temos aqui é sobretudo o Ocidente sem os Estados Unidos, portanto países ocidentais do Ocidente global, se quisermos, num mundo muito mais perigoso, muito mais ameaçador, a reaproximar-se, a cooperar de forma muito intensa, em parte também para compensar a incerteza ou desinteresse sobre o nível de empenhamento dos Estados Unidos. Em relação às Filipinas, isso também se aplica, porque as Filipinas tiveram entre 500 mil e 1 milhão de mortos na Segunda Guerra Mundial, muitos deles causados pela ocupação militar japonesa. E portanto, durante muito tempo, tal como com a Coreia, por exemplo, com as Filipinas, isso também foi um ponto de tensão que limitava um pouco esta cooperação, mas claramente agora com uma China muito mais assertiva e ameaçadora, as Filipinas e o Japão realmente têm reforçado muito a sua cooperação militar. Já havia um acordo anterior, e agora há esta nova parceria que tem a ver com colaboração também na área da logística. Mas tudo isto realmente significa que o Japão e as Filipinas, que se os ouvintes olharem pro mapa, basicamente são os países insulares a norte, no caso do Japão, logo a norte, logo a sul, Taiwan, portanto formam com Taiwan, as Filipinas, Taiwan e o Japão, são a chamada primeira "First Island Chain", portanto a primeira barreira de ilhas em relação a uma China mais assertiva. São também, do ponto de vista da China, no fundo, a grande barreira ao seu acesso desimpedido, seguro ao Oceano Pacífico, e há aí realmente uma lógica geoestratégica bastante clara desta cooperação reforçada entre as Filipinas e o Japão. Mas em todo caso, parece-me que tudo isto também é bastante revelador realmente destas novas dinâmicas em que a emergência da China e uma postura muito mais assertiva e agressiva até da China, por um lado, e por outro lado, a retração dos Estados Unidos, realmente obrigam os aliados tradicionais dos Estados Unidos na região a estarem menos dependentes para a sua cooperação bilateral, no fundo, da presença dos Estados Unidos, que era isso que muitas vezes acontecia na Ásia, era os Estados Unidos estavam presentes para garantir que o Japão e a Coreia colaboravam, que o Japão e a China colaboravam. Hoje em dia, isso não parece ser tão necessário ou tão possível.

E Bruno, já que falamos aqui de encontros, importa também perceber a importância da cimeira entre Canadá e a China. Mark Carney saúda esta parceria estratégica com uma das grandes potências, numa altura em que há notícias de que recusa ceder à pressão de Donald Trump. E pergunto se isto anda tudo ligado. Também de destacar, e hoje é um dia bastante importante, falámos disso semana passada, o acordo entre a União Europeia e o Mercosul é o maior acordo alguma vez assinado pela Europa após 25 anos de negociações.

Sim, também aí realmente os Estados Unidos são um bocadinho incontornáveis, mas Mark Carney, o primeiro-ministro canadiano eleito no ano passado, é a primeira visita de um primeiro-ministro canadiano à China desde 2017, portanto há quase 10 anos.

Isso por si só também obriga aqui os Estados Unidos a terem uma atenção especial, não é?

Sim, isto é muito claramente apresentado pelo próprio Mark Carney como parte de uma estratégia de diversificação. E ele próprio também é muito claro ao dizer, ele e os diplomatas próximos dele, que a China, neste momento é um parceiro comercial mais fiável do que os Estados Unidos, mais previsível do que os Estados Unidos. Isso procura ser uma viragem de página em relação a um período longo de algumas tensões, inclusive porque o Canadá, a pedido dos Estados Unidos, prendeu a número dois da Huawei, filha do fundador da Huawei, e isso realmente levou a enormes tensões e enormes problemas com a China. Essa crise também já foi resolvida, mas agora o que temos é uma crise sobretudo nas relações econômicas entre os Estados Unidos e o Canadá ou entre o Canadá e os Estados Unidos. Uma das coisas que está em cima da mesa é que o Canadá está a construir um gasoduto e um oleoduto da zona de Alberta, que é na zona do centro do Canadá, para a costa do Pacífico, com o objetivo declarado de aumentar as suas exportações, nomeadamente de petróleo e de gás, para a China. A China está agora confrontada com a possibilidade de ter mais dificuldades em importar petróleo da Venezuela, que tem algumas características semelhantes com o canadiano e à partida há aqui uma mútua conveniência. Realmente isto mostra como na política internacional, ser uma grande potência não é a mesma coisa que ser onipotente. Se os Estados Unidos hostilizam os seus aliados, se deixam claro que querem fazer menos comércio com os seus aliados, a resposta lógica é esses aliados diversificarem relações em termos comerciais. Efetivamente é isso que está acontecendo com vários países europeus também a visitar a China e outros parceiros, mas com o Canadá. No caso da Europa, realmente é muito importante este acordo. Vamos ver se não há mais problemas. Agora já se está outra vez a fazer contas sobre o Parlamento Europeu, onde estava por certa a aprovação, mas aparentemente o Partido Popular Espanhol, que foi historicamente um apoiante do acordo agora com a questão das eleições à porta, está com receio do voto dos agricultores, etc. Mas, à partida, vamos dar por certo que sim, que a novela terminou. É realmente um acordo muito importante, que por um lado, dá credibilidade à ideia de que apesar das dificuldades de chegar a acordos com a União Europeia, até porque são 27, vale a pena investir nesse esforço negocial, porque realmente a União Europeia é um grande mercado, é o mercado mais rico do mundo, a par dos Estados Unidos e da China. Vale a pena negociar com a União Europeia, que se pode negociar com a União Europeia. Do ponto de vista da Europa, é crucial pra também haver alguma credibilidade nesta estratégia de diversificação. Diversificação quer em relação aos Estados Unidos, quer em relação à China, que são dois mercados enormes, mas mais fechados, mais difíceis. Haver aqui, de facto, a criação do maior acordo comercial de sempre da história, um mercado de mais de 750 milhões, acho que à partida é uma boa notícia. Agora temos que saber explorar isso, nomeadamente no caso de Portugal, acho que mesmo pra agricultura, pode haver aqui boas notícias em vários setores importantes, o vinho, o azeite, etc, que têm muita possibilidade de exportação pro Brasil, mas que tem sido limitada por tarifas muito elevadas, que agora vão gradualmente ser reduzidas.

Bruno, temos seis minutos até o final. Vamos tentar ainda ir a todos os temas. Olhamos agora para os exercícios militares na África do Sul e que envolvem a China, a Rússia e o Irã, que volta aqui também à questão. Voltamos também a pensar se este é o preço da hostilidade do Donald Trump.

Eu sou muito crítico do Donald Trump, como os ouvintes sabem, mas procuro sempre ser justo e rigoroso nas análises. E realmente acho que neste caso não é exatamente isso ou não é principalmente isso. A África do Sul tem aqui um histórico de associação com estes países. A África do Sul insistiu em fazer exercícios militares navais com a Rússia um ano depois, no primeiro aniversário da invasão russa da Ucrânia. Estes exercícios, neste caso, com a Rússia, com a China e com o Irã, é o pleno desta espécie de eixo autoritário, mostram que apesar de a África do Sul ser realmente um país democrático, se identifica muito com esta agenda do Sul Global, com esta agenda em que quer Moscovo, quer Pequim, quer mesmo Teerão, procuram muitas vezes afirmar-se como contestatários, como as grandes potências revisionistas contra o peso tradicional dos países ocidentais no sistema internacional. Isso tem um histórico longo na África do Sul, e acho que esses exercícios se explicam ou se podem explicar apenas por isso. Seria certamente um exagero dizer que isto é só por causa do Donald Trump. Agora, é verdade que provavelmente não ajuda muito, ou seja, se os Estados Unidos queriam afastar a África do Sul destas potências autoritárias, de facto, as posições do Donald Trump nos últimos tempos não vão nesse sentido. Por um lado, o próprio Donald Trump tem cada vez mais normalizado as relações com a Rússia, por que não a África do Sul ter esse tipo de diplomacia mais ativa com a Rússia, se os próprios Estados Unidos deixam claro que querem normalizar as relações com a Rússia. E, por outro lado, sabemos também que têm hostilizado, de forma muitas vezes desnecessária, a África do Sul. Houve todo este episódio do G20, os Estados Unidos recusaram-se a estar presentes Houve aquela cimeira com o presidente Ramaphosa, que é uma figura moderada e vista como relativamente pró-ocidental no contexto sul-africano, que foi publicamente maltratado por Donald Trump na Casa Branca com alegações completamente falsas de uma espécie de guerra racial na África do Sul, que os próprios ministros brancos no governo da África do Sul, porque há uma coligação, aliás, com o partido histórico dos brancos sul-africanos que se opunham ao apartheid, o Partido Democrático, está no governo neste momento com a ANC, que está neste governo do presidente Ramaphosa, apesar de ter desmentido esses ministros brancos, Donald Trump continua a insistir nisso. Portanto, realmente, Donald Trump certamente não ajuda algum tipo de afastamento da África do Sul deste eixo de potências autoritárias, mas realmente, e para ser justo, isto é uma tendência que já vem de trás. A África do Sul já tinha um pouquinho essa propensão. Imagino que agora, no fundo, isso também dá uma oportunidade de mostrar aos Estados Unidos que tem alternativas, que pode reforçar cooperação, relações com outras grandes potências se as relações com os Estados Unidos piorarem. Em termos económicos, no entanto, isso não é assim tão fácil, porque realmente a África do Sul está muito dependente dos mercados ocidentais, portanto, terá sempre aí algum custo.

E Bruno, nós tínhamos aqui uma espécie de reflexão para o final. Não vamos mentir aos nossos ouvintes, mas como é sobre Donald Trump e ele vai continuar a ser protagonista, vamos deixar mais pra frente, pode ser? E avançamos para a tua recomendação. Vamos a isso.

Sim, muito bem. A minha recomendação é uma história da Dinamarca. Infelizmente, não encontrei em português uma edição relativamente recente ou uma nova edição revista 2019, portanto, está em inglês, a "History of Denmark". Enfim, imagino que a maior parte dos nossos ouvintes não consiga ler dinamarquês, como eu também não. Do Knud Jespersen. É uma história de referência sobre a Dinamarca, mas realmente é bastante interessante. É mais centrada no período do século XVI em diante, portanto, não recua até 936, não vai até ao período dos vikings, mas realmente é uma obra bastante interessante, com referências também à sua dimensão de presença nestes mares do Ártico, nestes mares do Atlântico Norte. A Islândia foi uma colônia dinamarquesa também até ao final da Segunda Guerra Mundial, até 1948. As Faroé ainda hoje também são uma região autônoma da Dinamarca. E depois temos, obviamente, a Gronelândia. E ele insiste também muito neste outro aspecto, que eu acho que também vale a pena aqui destacar, que é: em termos geopolíticos, a Dinamarca realmente foi, como eu disse, historicamente a grande potência do Báltico e em termos geoestratégicos, embora tenha reduzido muito o controle do território que tinha, porque controlou muitos territórios na costa báltica da Alemanha, na Suécia, como eu disse, na Noruega, mas a verdade é que continua a controlar o estreito que faz a ligação entre o Mar Báltico e o Atlântico. E esse estreito só tem ganho em importância estratégica nos últimos anos com estas tensões acrescidas com a Rússia. A Rússia tem este problema, que só tem dois mares quentes a que tem acesso, que podem ser usados todos os anos sem problemas. Grande parte da sua costa, 37 mil quilômetros da sua costa estão voltados para o Ártico, mas isso coloca grandes problemas à segurança da navegação. E um desses dois mares, o outro é o Mar Negro, temos os problemas que sabemos com a Ucrânia e também é um mar praticamente fechado, portanto, está dependente da Turquia. No caso do Báltico, é outra alternativa. No fundo, a saída do Báltico está controlada realmente pela Dinamarca e é isso também que torna estrategicamente tão pouco compreensível que realmente Donald Trump não perceba que não faz nenhum sentido transformar um aliado, um aliado muito leal dos Estados Unidos, que enviou à volta de 20 mil soldados para combater no Afeganistão, por exemplo, ao lado dos Estados Unidos, transformar um aliado num potencial inimigo, num potencial adversário, por causa de querer ter esta enorme ilha da Gronelândia colorida com a mesma cor que os Estados Unidos no mapa.

Bruno, fechamos com a tua recomendação. Deixamos aqui três opções para enviar dúvidas ou perguntas para ti e para este nosso programa, "Cinco Continentes". Pode fazê-lo através do e-mail ouvinte@observador.bt, através do Spotify, pode deixar comentários e as suas perguntas a cada novo episódio, ou então através do 91 002 41 85, é o WhatsApp da Rádio Observador, e portanto temos todo o gosto em responder às suas dúvidas. Bruno, aliás, eu pra semana não estou contigo porque vou estar de férias. Alguém estará aqui.

Muito bem, boas férias.

Alguém estará aqui contigo de certeza, porque há muito para analisar todas as semanas no "Cinco Continentes". Um grande abraço.

Boa semana. Obrigado.