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Até às 20h, comigo Nelson Ferreira e também com o João Alexandre, porque é segunda-feira. Recebemos a Ana Pimentel e vamos falar de tecnologia na App da Vizinha. Ana Pimentel é editora de tecnologia e startups no Observador e está conosco sempre às segundas-feiras para a App da Vizinha. Ana, muito bem-vinda, boa tarde.
Olá, Nelson, boa tarde.
Ora viva, Ana.
Olá, João. Ora viva!
Então, ao que parece, temos coisas em casa que nos podem estar a espiar. É isto?
É isso, Nelson. Lamento hoje vir aqui com tão más notícias, mas parece que sim. Parece que nem em casa estamos bem. Se calhar estamos até aqui a viver uma espécie de Big Brother. E nem sequer fizemos propriamente um casting para isso. Mas segundo um estudo feito pela Checkpoint, que é uma empresa global de cibersegurança, sobre os objetos mais utilizados pelos cibercriminosos para espiar as nossas casas, tendo em conta as conclusões a que estes investigadores chegaram, se calhar vale a pena olhar para esta possibilidade com outros olhos. Diz-nos a Checkpoint, por exemplo, que se estima que, a nível global, haja neste momento mais de 22.000 milhões de dispositivos ligados a redes Wi-Fi domésticas. São muitos objetos. E aqui por dispositivos, convém lembrar que não estamos só a falar de smartphones, de iPads, de computadores, que são aqueles primeiros que nós associamos a este tipo de invasão virtual. Estamos também a falar aqui de toda uma gama de eletrodomésticos inteligentes, por exemplo, que já nos vão entrando muito pela casa adentro e que por muito inofensivos que nos pareçam, a verdade é que precisam de um software e de uma ligação à internet para funcionar. E com essa ligação há sempre portas que se podem abrir para atividades menos inofensivas e ao ritmo a que tudo isto cresce e fica acessível. Este mesmo estudo estima que, por exemplo, em 2025, que é daqui a quatro anos, muito pouco, este número, se hoje são 22.000 milhões de objetos que estão ligados à rede Wi-Fi dentro de casa, suba para 38,6 mil milhões de objetos, o que convenhamos, é muito objeto ligado à internet.
Ana Pimentel, um problema que muitas pessoas têm é com o facto de poderem ou não estar a espiar as contas pessoais, etc., invasão da vida privada. Quanto mais aparelhos inteligentes tivermos, mais provável é que sejamos espiados, é isso?
É isso, João. Até porque muitas vezes quando compramos estes objetos não pensamos nisto, porque eles vêm, de facto, trazer-nos alguma vantagem para a nossa vida, para a nossa qualidade de vida. E a verdade é que se por um lado trazem muitos benefícios, também aumentam a possibilidade destes softwares serem explorados. E aqui é um side effect, é um efeito paralelo que existe, mas que convém termos em atenção e estarmos conscientes disso quando fizermos as nossas compras. O Rui Duro, que é o responsável pela Checkpoint Portugal, é o Country Manager. Ele diz inclusive que tendo em conta a quantidade de pessoas que está, por exemplo, neste momento em teletrabalho, um pouco por todo o mundo, mas aqui vamos nos focar em Portugal, mas em todo lado, não surpreende, para Rui, que os cibercriminosos estejam atentos a possíveis falhas de segurança que estes dispositivos possam ter e a tentar aproveitá-las. E essa é, aliás, uma conclusão já de diversos estudos que também têm sido feitos em termos de cibersegurança durante a pandemia. E às vezes basta olharmos para a nossa casa, por exemplo, para percebermos quantos gadgets temos que têm uma câmera ou microfone instalados. E se calhar são mais do que aqueles que nós achamos. E a verdade é que ter uma câmera e ter um microfone são dois pontos de partida para haver este tipo de vigilância, cujo objetivo, na maioria das vezes, lá está, é extrair informação sobre nós, saber o que nós consumimos, quando é que consumimos, a que horas, com que frequência temos determinados hábitos. Portanto, conseguem ouvir e ver tudo.
E Ana, este estudo aponta também quais são os objetos preferidos dos piratas para nos espiar?
Diz sim, Nelson. E olha, vou começar pelas televisões. Diz aqui a Checkpoint que a maioria das televisões à venda atualmente já são smart. E é verdade. Nós hoje todos se calhar já vamos ao YouTube e ouvimos música e vamos à app da Netflix ou outra de streaming e já fazemos isto tudo pela televisão. Portanto, elas ligam-se à internet. E muitas vezes têm câmera ou microfone para que os utilizadores possam, por exemplo, fazer videochamadas através da televisão. Logo aqui, já há duas coisas que nos podem prejudicar. Algumas destas televisões, por exemplo, têm outra funcionalidade ainda, que é do controlo de voz, o que permite à televisão ouvir e ver o que se passa naquela divisão. Isto sempre aqui buscando o estudo da Checkpoint. Esta empresa de cibersegurança, na verdade, o que depois nos diz é que ok, então nós temos estes objetos em casa, temos estas televisões e até nos dão jeito, mas então se calhar o melhor a fazer é tapar a câmera quando não estamos a utilizá-la. E tentar restringir as permissões que são dadas às aplicações que temos na televisão, porque na maioria das vezes nós aceitamos as coisas que estão pré-definidas, mas se formos às definições, nós conseguimos alterar alguns destes âmbitos que estão ali a tentar salvaguardar ou não a nossa privacidade. Depois, como é óbvio, os computadores. Têm câmera, têm microfone, têm dados, têm tudo. No fundo, são aqui quase as armas perfeitas para este tipo de atividade mais criminosa.
Mas tu falavas também há bocadinho, Ana Pimentel, de eletrodomésticos, era isso?
Exatamente, falava de eletrodomésticos também. Depois das televisões, os computadores e os smartphones, que não nos podemos esquecer são também bastante importantes e muito usados, e também os eletrodomésticos. Muitos eletrodomésticos inteligentes já têm esta capacidade de trabalhar por nós quando não estamos em casa. Não temos bem esta noção disso, mas é uma realidade que vai sendo cada vez mais próxima e que em breve, se calhar vai ser mais comum cada um de nós ter um frigorífico inteligente, por exemplo, em casa, que vai fazer a sua lista de coisas que estão a faltar. E enquanto trabalham, eles podem estar a extrair informação. Podem também ter microfones que registem as nossas conversas, que se passam perto destes eletrodomésticos. E há sempre o risco de tudo isto chegar às mãos, ou neste caso aos ouvidos, melhor dizendo, de outras pessoas e empresas. E este é que é o perigo. Depois dos eletrodomésticos, João Alexandre, temos ainda outra coisa que se calhar também não é tão imediata, mas que também convém ter aqui muita atenção, que são os brinquedos. Muitos brinquedos atualmente são, na verdade, autênticos gadgets. Há os drones, as consolas de videojuegos, vários robôs para 1001 coisas, e tudo isto já requer uma ligação à internet, requer muitas vezes um software e aplicações até, que fazem uma equipa com estes brinquedos. A verdade é que depois existem outros brinquedos considerados mais tradicionais, que são meio híbridos, como se fossem meio peluche, meio robô, que também podem ter apps associadas, convidam as crianças a instalar estas apps para ter mais funcionalidades, para ter acesso a mais coisas, para saber mais sobre aquele boneco ou aquela boneca. E isto é muito importante, é preciso ter aqui muita atenção em relação a isto, porque toca na privacidade das crianças e este tipo de caso já levou alguns países, como a Alemanha, a ter de retirar alguns brinquedos do mercado. São estes os objetos preferidos. São os eletrodomésticos, são os brinquedos, os computadores, os smartphones e as televisões.
Ana, são demasiados objetos.
São demasiados.
Amanhã temos newsletter startups?
Temos sim, não vai vigiar ninguém, prometo. E claro que sim, as novidades dos negócios tecnológicos, da inovação tecnológica, da segurança também segue amanhã por e-mail para os nossos leitores, mais para o final da tarde. E aos nossos leitores que nos estiverem a ouvir também agora, até amanhã.
Até amanhã. Ana Pimentel, editora de tecnologia e startups que passa por cá segunda-feira pela tarde em direto para esta app da Vizinha. Fica já daqui a pouco disponível também no nosso site.
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