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Junta-se agora a nós, ainda que à distância, como é hábito à segunda-feira, a editora de Tecnologia e startups do Observador, Ana Pimentel. Ana, muito boa tarde, bem-vinda.
Olá, Vicente. Boa tarde.
Viva, Ana.
Olá, João. Viva.
E hoje vamos falar-
Como estão?
Estamos bem. Tudo bem, sim. E hoje vamos falar de uma coisa que serve bem para estas alturas, são apps que servem para ajudar em questões práticas da vida em quarentena, é isso, Ana?
É isso mesmo. Vicente, têm surgido aqui nos últimos dias, semanas, várias iniciativas portuguesas para facilitar esta vida em quarentena ou em isolamento social que estamos todos a viver. Os empreendedores, programadores têm sido muito activos em várias áreas. Estas iniciativas vão desde a área do ensino, da prestação de cuidados de saúde, de apoio a negócios locais. Nós aqui no Observador temos tentado noticiar todas estas iniciativas. Para o programa de hoje, escolhi aqui algumas mais recentes, que achei que faziam sentido. E também acho que é importante aqui referir que estas aplicações e plataformas que estão a surgir, saem todas de um movimento tecnológico que nasceu para fazer face a isto mesmo. À pandemia de Covid-19, às consequências que tudo isto está a ter nos negócios, nas empresas e na vida das pessoas. É o Tech4Covid, é este o nome do movimento, e junta várias startups portuguesas no combate aos impactos que o novo estilo de coronavírus está a ter na sociedade. E até à data já conseguiram que saíssem daqui cerca de 30 projetos, o que já é muito bom.
E uma delas é a aplicação que ajuda a saber se há muita gente ou não, por exemplo, no supermercado, que é uma coisa que nos vai afligindo ao longo dos últimos dias, é perceber se há ou não filas muito grandes.
Exato, e quanto tempo é que vamos demorar, não é, João? Sim, essa é uma das iniciativas mais recentes. É uma app que tem um nome muito prático, porque é Posso Ir? E a ideia é mesmo tentar responder a essa pergunta.
É uma pergunta que, se calhar, já fizemos todos muitas vezes ao Google, não é?
Exato. Exatamente. E agora há uma app onde podemos ir à procura desta resposta e também contribuir para dar a resposta. Já vou explicar aqui um bocadinho como é que funciona. Mas a Posso Ir? é uma app gratuita, disponível para sistemas operativo Android e iOS, que avisa os utilizadores se está muita gente à espera naquele supermercado ou naquela farmácia, porque isto agora tem supermercados, hipermercados, farmácias nas proximidades, e indica também qual é a estimativa de tempo de espera. Aqui, o objetivo é evitar que as pessoas estejam aglomeradas em filas, que percam muito tempo e que consigam fazer esta deslocação da forma mais eficiente possível. Como é que isso funciona? Nós ligamos a app, ativamos a nossa geolocalização e o mapa deteta logo ali quais são os supermercados, mercearias, hipermercados e também farmácias aderentes à iniciativa nas proximidades. E indica o tempo de espera médio ou a estimativa, pelo menos, para o tempo de espera. No fundo, nós podemos utilizar esta app como utilizadores, pessoas que querem ir ao supermercado e querem saber quanto tempo é que vão demorar, mas também enquanto pessoas que estão na fila do supermercado ou que foram ao supermercado e que podem contribuir para alimentar esta atualização. Esta atualização das filas de espera é feita tendo em conta também aquilo que os utilizadores reportam no local. A ideia também é que as superfícies parceiras desta app tenham um funcionário que esteja responsável por ir atualizando no sistema o estado da fila. Mas qualquer um de nós pode contribuir e pode ajudar outra pessoa. Porque enquanto fazemos isto, estamos a ajudar os outros e na volta, na próxima vez, somos nós também que somos ajudados. Portanto, aqui somos utilizadores de consumo, mas também somos nós que providenciamos a informação que está na app.
É uma espécie de Waze aplicado às compras no supermercado, Ana, certo?
É, é um pouquinho isso.
Funciona na mesma lógica.
Onde todos contribuímos.
E Ana, sei que tens também aí algo que está relacionado com consultas de psicologia. O que é?
Sim, Vicente. É isso mesmo. Outro dos projetos que saiu deste movimento, o Tech4Covid, nasce das preocupações com a saúde mental. E chama-se Acalma.online. Este é o nome da plataforma, é muito fácil de escrever e é muito fácil de aceder. Aqui não se trata de uma app, é um site, podem aceder via mobile ou via computador, e é uma plataforma de videocon sultas de apoio psicológico online. Estas consultas são também gratuitas, são prestadas por psicólogos certificados pela Ordem dos Psicólogos, que funcionam aqui como voluntários. Ou seja, aqui também o apelo é aos psicólogos que se queiram inscrever nesta plataforma para prestar apoio psicológico a quem esteja a sofrer com as outras doenças que depois também vêm a par desta pandemia. As doenças mais do foro mental, ou ansiedade, depressão, fobias, e que também precisam ter alguma resposta aqui. Portanto, a ideia é que os psicólogos se inscrevam para poder prestar este serviço de forma voluntária e que as pessoas que estejam a precisar de falar com alguém, possam ter um sítio onde têm este apoio. Inscrevem-se, tentam marcar uma consulta, essa consulta depois será confirmada pelo psicólogo ou psicóloga que se voluntariar então para atender. Isto funciona aqui como uma espécie de bolsa, que será reservado, pois cada voluntário terá a sua consulta. E estas consultas deverão ter uma duração aproximada de entre 30 a 45 minutos, a não ser que durante a consulta o psicólogo perceba que é preciso despender mais tempo e tenha esse tempo para despender e consiga alargar o tempo da disponibilidade que tem para o utilizador. Esta plataforma nasce da união de vários esforços, na verdade. É uma parceria entre a Casa do Impacto, que é o hub de empreendedorismo social da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa Em parceria com uma startup de marcação de consultas online, que é a Doctor.in, e com outros dois projetos que atuam na área da saúde mental, que se chamam Aga Group e Zenclub. Mas, à partida, nesta plataforma é prestado este apoio e conta com a boa vontade dos psicólogos que se inscrevem para dar este apoio.
Ana Pimentel, também li no outro dia qualquer coisa sobre uma plataforma que nos permite reservar medicamentos nas farmácias. O que é que tens para nos dizer sobre isso?
Isso mesmo, João Alexandre. É uma nova plataforma que se chama HomeMed. É uma lógica um pouco parecida com a Posso Ir, a aplicação dos supermercados, mas para tornar as idas à farmácia mais eficientes e mais curtas. Na HomeMed, na plataforma, podemos encomendar os medicamentos que precisamos nas farmácias mais próximas online. Fazemos a reserva online ou então podemos tentar contactar um médico. Esta plataforma também nasce graças ao esforço de várias empresas, a HomeMed, a Senhas.pt e a Better Now. E é graças à Better Now que se alguém precisar de uma teleconsulta, também pode tentar procurar este serviço na plataforma, ver se há algum médico disponível que possa fazer uma videoconsulta de um outro problema que tenha, de dúvidas que tenha, de alguma coisa que precise esclarecer a nível da sua saúde mental ou física. E esta também será gratuita e recorrerá aos médicos que já estão inscritos na plataforma da Better Now. Aqui também os médicos que se quiserem inscrever, podem inscrever, desde que estejam registados também na Ordem dos Médicos e que tenham experiência neste atendimento de pacientes à distância, que aqui também é preciso para funcionar. Portanto, aqui nesta HomeMed podemos reservar medicamentos nas farmácias, é verdade, mas também podemos marcar teleconsultas.
E ainda, Ana, para fechar, há uma plataforma para ajudar os pequenos negócios locais.
Sim, Vicente, isso mesmo. São várias as plataformas que têm nascido para ajudar negócios locais. Nós temos também um artigo que também está sempre em atualização no nosso site, se procurarem por negócios locais e formas de apoio, vão dar a ele, com certeza. Mas hoje vou aqui falar de uma outra plataforma que nasceu entretanto, que é uma outra ajuda, é uma ajuda diferente, que é uma ajuda comprando vouchers. Ou seja, enquanto as outras plataformas que nós temos vindo a noticiar são muito na ótica do encomendar online a negócios locais, a fornecedores locais e receber em casa, aqui a lógica é comprar vouchers de restaurantes, cafés, outras atividades relacionadas também até com cultura e lazer. Para quê? Para poder proporcionar algum fluxo de caixa no curto prazo a estas empresas, para fazer face às suas despesas de mês, visto serem estabelecimentos que foram obrigados a encerrar e, portanto, não estão a prestar atividade. E depois usamos mais tarde, quando tudo isto estiver um pouco mais normalizado, podemos usar estes vouchers mais tarde, mas pelo menos ajudamos a que, no entretanto, alguns empregos se mantenham e algumas despesas sejam asseguradas. E portanto, é um gastar agora para usar depois, que também sabe bem. E sim, o nome desta plataforma que ainda não disse é a Preserve, também é muito fácil aceder, preserve.pt, e encontrarão lá uma série de cafés, restaurantes, onde poderão comprar os tais vouchers.
Ana, uma última pergunta: amanhã, terça-feira, há a newsletter de startups.
Sim, a newsletter não falha, nem à distância. Cairá no e-mail dos nossos leitores todas as terças-feiras à tarde, com as novidades sobre os negócios tecnológicos, como sempre. Agora neste formato meio guia digital, porque as pessoas estão muito ávidas de saber o que fazer de forma digital, porque é a forma que nós temos agora de tentar chegar a mais pessoas e ser eficientes até no nosso trabalho. E portanto, sim, amanhã lá estarei no vosso e-mail.
E amanhã estou na caixa de correio com toda a certeza. Muito obrigado, Ana Pimentel. Obrigado por estares conosco. Até à próxima.
Obrigada. Até à próxima. Adeus.
E esta edição da App da Vizinha vai ficar disponível em podcast, em observador.pt e nas plataformas habituais. Para já, e se ainda não tem planos para esta noite, eu e o João Alexandre temos sugestões para si.
Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto.