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Gabriel, 2 x 0 para o Benfica contra o Spartak, segunda mão da terceira pré-eliminatória de acesso à Liga dos Campeões. E certo é que foi um jogo sem muita força, sem muita técnica, com dois gols para o Benfica, com uma boa notícia para o povo português. Ainda assim, não foi um espetáculo entusiasmante e desiludiu mais o resto do público nas bancadas. Confirma e concorda?
Sim, confirmo e concordo. Houve alguns momentos, mas não foram continuados, não foi constante o futebol. Mas a melhor equipe, aquela que mostrou os seus dotes, não mostrou em continuidade, em constância, mas mostrou a espaços, foi de fato a equipe do Sport Lisboa e Benfica. Eu recordo os momentos antes da inauguração do marcador, portanto, da marcação do primeiro gol, em que o Benfica tem uns dois minutos muito bons em combinações, em movimento, a todo o largo do terreno, na envolvência do último terço, com grande qualidade, com os jogadores a movimentarem-se, a criar linhas de passe, saber dominar a bola, esperar o tempo do passe, o tal bola no pé. E depois o destaque para João Mário, que é um jogador que nesta altura tem a visão de jogo, mas para além da visão de jogo, tem uma boa capacidade física, de profundidade, de intensidade ao jogo, uma boa leitura, mas acima de tudo uma técnica muito boa de pés, de corpo, de posição, que o faz ser um futebolista que se destaca. E a força da sua técnica, obviamente, é extremamente importante para o coletivo, para aquilo que ele interliga entre setores, entre movimentos, entre combinações, naquilo que é o futebol do Benfica do meio-campo para diante.
E Gabriel Alves, olhando aqui para a equipe de Rui Vitória, que esteve um pouco aquém daquilo que seria esperar também, daquilo que esperamos destes jogos, jogos com alguma intensidade e com alguma combatividade. Rui Vitória acabou por não conseguir contrariar este Benfica porque não tem argumentos ou recursos, ou porque ainda não teve tempo para consolidar processos nesta equipe.
Eu já falei disso, os processos não foram consolidados, ele tem muito pouco tempo. É uma equipe que entra no Estádio da Luz como se estivesse a ganhar, a defender o resultado.
Sim, a certa altura até falávamos disso, que parecia ser o Spartak Moscou que defendia uma vantagem de 2 x 0.
Não, mas é que passou grande parte do jogo nisso.
Na sua própria área.
Exatamente. Mostrou-se uma equipe menor e uma equipe sem argumentos, sem projeção e ainda sem metodologias de jogo para discutir jogos e resultados. Pode tentar discutir o jogo, mas o resultado não. Isso foi notório. Como disse, houve uma fase em que Vlachodimos tinha três defesas e o guarda-redes russo não tinha nenhuma, mas no final do jogo, o guarda-redes só foi buscar duas bolas e Vlachodimos tem a baliza a zeros.
E tem a baliza a zeros e fez, apesar de tudo, uma exibição segura.
Competente.
Competente, sim. E olhando aqui para o que foi o combo geral desta partida, Gabriel, alguém ou algo a quem se possa atribuir a já famosa designação estilo inconfundível?
O estilo inconfundível vem um pouco ao encontro do que eu falei há pouco em relação ao João Mário. Mas na equipe do Benfica, tanto se fala que o Jesus hoje vai só jogar com uma linha de quatro atrás ou vai jogar com uma linha de três ou cinco. Eu acho que Jesus, nesta altura, é mesmo uma linha de três defesas. Poderá acontecer vir a jogar com uma linha de quatro, mas será numa situação de caráter muito excepcional. Eu acho que Jesus, neste momento, tem a equipe rutinada para os três defesas.