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Arranca agora mais um episódio da "Guerra Traduzida" na Rádio Observador, com foco especial na guerra no Irão. Hoje com a jornalista Beatriz Félix. Beatriz, seja muito bem-vinda. Começamos por uma noite marcada por uma nova vaga de ataques de Israel contra Beirute e Teerão.

Ataques contra infraestruturas controladas pelo grupo xiita Hezbollah, em Beirute, e contra o regime iraniano. Este que é um anúncio que foi feito pelo exército israelita através da plataforma Telegram. Isto horas depois de uma série de ataques em que Israel diz ter bombardeado o quartel-general da Força Aérea da Guarda Revolucionária Iraniana, a partir do qual são operados vários mísseis balísticos e drones. Israel atacou também pela primeira vez depósitos de combustível em Teerão, o que provocou pelo menos quatro mortes, forçando o racionamento de gasolina, agora fixado em 20 litros por pessoa e por dia. Em Beirute, a capital do Líbano, foram atingidas várias estruturas que estão sob o controle do Hezbollah. De acordo com a agência noticiosa oficial libanesa, ANI, três pessoas morreram e 15 ficaram feridas nestes ataques israelitas contra a cidade de Taizz Debat, perto do porto de Tiro, no sul do Líbano.

Entretanto, Beatriz, o Líbano adiou as eleições legislativas por dois anos.

Que estavam inicialmente previstas para o próximo mês de maio. Uma decisão que foi tomada devido à guerra entre Israel e o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irão. O comunicado foi feito pelo presidente do Parlamento libanês, numa declaração dentro do Parlamento. A atividade política neste país não está parada, apesar dos ataques. Os deputados estiveram reunidos esta segunda-feira, incluindo Mohammed Rahad, o chefe do bloco parlamentar do Hezbollah, isto mesmo com aviões de guerra israelitas a sobrevoar os subúrbios ao sul de Beirute.

Ainda assim, Beatriz, continuaram os ataques. O Irão atingiu uma refinaria no Bahrein e continua a apontar aos Emirados Árabes Unidos e também à Arábia Saudita.

E foi durante esta madrugada que a principal refinaria do Bahrein foi atingida. O ataque provocou um incêndio, mas que mesmo assim só resultou em danos materiais, sem ter havido registro de vítimas mortais. A companhia petrolífera estatal libanesa confirma os efeitos deste ataque num comunicado citado pela Associated Press. Deixa também uma garantia. Esta empresa garante ter a possibilidade de continuar a fornecer à população a nível local, mas afasta-se, ainda assim, dos compromissos internacionais no que toca ao fornecimento de petróleo.

Há ainda o registro de pelo menos mais um ataque, desta vez a Israel.

Em que uma pessoa morreu e outras duas ficaram gravemente feridas, na sequência de um míssil balístico iraniano que atingiu a região central de Israel. Um ataque que foi confirmado pelo serviço de emergência israelita, citado pelo Times of Israel.

Falamos ainda nesta guerra traduzida especial Irão do Azerbaijão. Foi reaberta a fronteira com os vizinhos iranianos para o transporte de carga depois de um incidente que envolveu, Beatriz, um drone.

Isso mesmo, José. As passagens fronteiriças tinham sido fechadas na semana passada depois de um ataque com drones iranianos no enclave de Nakchivan. Ontem, ao final do dia, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian esteve ao telefone com o homólogo do Azerbaijão. Garantiu que o Irão não esteve envolvido neste incidente e garante também que Teerão já começou a investigar o que realmente terá acontecido.

E face a este novo conflito iniciado com uma operação militar conjunta de Israel e dos Estados Unidos há mais de uma semana, o Irão continua a tomar posições.

Precisamente numa conferência de imprensa citada pela agência Reuters, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, Esmail Baghai, citou os comentários do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o plano de exercer influência sobre o Irão. Sublinha então que a vontade do povo é o que vai definir o futuro deste país. Um povo que, diz o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, que é um povo preparado para defender o território. Mesmo assim, diz que enquanto os ataques dos Estados Unidos da América e de Israel contra o Irão continuarem, não faz sentido, para já, falar sobre um acordo de cessar-fogo.

E ontem, Beatriz, ficamos a conhecer o nome do novo líder supremo do Irão e as reações vão surgindo um pouco por todo lado, de vários cantos do mundo.

Um deles, a Rússia. O presidente russo Vladimir Putin felicitou Moestaba Khamenei pela nomeação como novo líder supremo do Irão. É o que diz o Kremlin num comunicado citado pela Al Jazeera. Putin disse estar confiante de que Khamenei vai continuar o trabalho do antecessor, era o pai, Ali Khamenei, com honra e vai ser capaz de guiar o povo iraniano diante provações severas. O presidente russo deixa também uma promessa, diz que a Rússia vai continuar ao lado de Teerão.

Nesta guerra traduzida falamos ainda do Qatar, onde mais de 300 pessoas foram detidas por espalhar desinformação sobre a guerra no Médio Oriente, nomeadamente a guerra no Irão.

E esta é uma operação contínua, José. Trezentos é então esse o número de pessoas que já foram detidas desde o início do conflito. Em causa, a disseminação da desinformação relacionada com estes ataques no Médio Oriente, que duram já há mais de uma semana. Estas detenções foram, entretanto, confirmadas pelo Ministério da Administração Interna do Qatar, citado pela agência France Presse. Os detidos terão filmado e publicado vídeos falsos e também outros rumores que poderiam alterar a opinião pública. Isto que se pode ler no comunicado oficial do Qatar.

Temos ainda tempo para falar dos Estados Unidos, que, Beatriz, terão dado ordem para a saída do pessoal diplomático não essencial da Arábia Saudita.

Uma indicação que foi dada este domingo numa nota divulgada. O Departamento de Estado norte-americano indica que deu essa ordem aos funcionários não essenciais do governo dos Estados Unidos e também às famílias para que abandonem a Arábia Saudita devido aos riscos para a segurança. Isto numa altura em que a Arábia Saudita tem sido alvo da retaliação iraniana, dos ataques norte-americanos e israelitas.

E está feita mais uma guerra traduzida na Rádio Observador, edição especial com o conflito no Médio Oriente, com a guerra do Irão. Hoje com a curadoria da jornalista Beatriz Félix, a guerra traduzida fica, como sempre, disponível em podcast.