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Seguimos com a Guerra Traduzida na Rádio Observador, com a jornalista Diana Rosa. Falamos agora, nos próximos minutos, dos destaques da imprensa ucraniana. Começamos com o chanceler alemão, que pede que o país se arme face à ameaça russa.
Friedrich Merz diz que a Alemanha não tem tempo a perder para se armar perante o contexto internacional com a ofensiva russa sobre a Ucrânia. Diz o chanceler que estão a ser cumpridas as obrigações no âmbito da Organização do Tratado do Atlântico Norte, que como aliança ninguém pensa sequer em atacar. No entanto, todo o tempo é pouco. Foram declarações numa videoconferência das Forças Armadas Germânicas em Berlim. Merz referiu que os aliados da Alemanha olham especialmente para essa nação, a terceira economia do mundo, deseja, por isso, fazer do exército alemão o maior exército convencional da União Europeia. O chanceler considera que a ameaça russa é real e é detectada diariamente na Alemanha, quando, por exemplo, são descobertas sabotagens, espionagem, ciberataques, voos de drones, assassinatos e desinformação direcionada.
Falamos da União Europeia também, que restringiu a atribuição de vistos a cidadãos russos.
Cidadãos que deixam de ter acesso a vistos de múltiplas entradas terão de pedir autorização a cada deslocação ao bloco europeu. O executivo comunitário explica que, desta forma, vai haver uma análise rigorosa e frequente dos requerentes para mitigar qualquer risco potencial à segurança. Atos de sabotagem, propaganda e uso indevido de vistos estão na mira da União Europeia. As exceções podem ser aplicadas em casos humanitários, como aqueles que envolvem dissidentes, jornalistas, defensores dos direitos humanos e as respetivas famílias. Familiares de cidadãos da União Europeia, cidadãos russos que residam legalmente na União e certos profissionais, como por exemplo, trabalhadores do setor dos transportes, também podem ser isentos. A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, sublinha que viajar para o bloco europeu é um privilégio e não um direito adquirido. O Ministério Russo dos Negócios Estrangeiros já reagiu. A porta-voz Maria Zakharova diz com ironia que a Europa, aparentemente, não precisa de turistas ricos quando tem migrantes e desertores do serviço militar da Ucrânia. Uma notícia do Kyiv Independent.
As secretas ucranianas dizem que um ataque de drones proveniente de Kyiv atacou uma importante planta petroquímica na República do Bashkortostão, na Rússia.
A mais de 1000 km da fronteira com a Ucrânia. De acordo com as informações militares, os drones ucranianos de longo alcance atacaram a fábrica petroquímica de Sterlitamak, que abastece o exército russo e também o complexo militar industrial da Rússia. Alega ainda que o ataque causou um incêndio na oficina que produz um aditivo que é conhecido como Agidol, usado em combustível de aviação. O Kyiv Independent não conseguiu verificar, no entanto, estas alegações de forma independente. Em desvantagem numérica e de armamento no campo de batalha, a Ucrânia tem dependido dos drones de ataque de longo alcance, fabricados internamente para atingir alvos como refinarias de petróleo e instalações logísticas no interior da Rússia.
Precisamente a Rússia quer que a conquista de Pokrovsk venda a ideia de que a Rússia está a vencer a guerra e com isso pressionar o Ocidente. É pelo menos isso em que acredita Volodymyr Zelensky.
E também para que possa anexar de forma unilateral a região do Donbass. O presidente alerta que a intensificação do ataque russo a Pokrovsk visa não apenas ganhos no campo de batalha, mas também construir uma narrativa política destinada a pressionar os parceiros ocidentais. Numa conferência de imprensa em Kiev, na qual o Kyiv Post participou, Zelensky disse que está a usar a situação em torno de Pokrovsk também para influenciar a tomada de decisões internacionais na política de sanções. Zelensky afirma que as forças ucranianas repeliram 220 ataques à cidade em apenas três dias e ataques esses com bastante intensidade. As tropas russas tentaram invadir a cidade com recurso a veículos blindados, mas sofreram baixas de militares e perderam também equipamentos, é o que garante a Ucrânia. Os dados militares ucranianos indicam ainda que mais de 300 soldados russos permanecem dentro da cidade de Pokrovsk.
É um ponto final neste episódio. A Guerra Traduzida regressa na próxima semana.