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A guerra traduzida na Rádio Observador, o espaço em que trazemos os destaques da imprensa ucraniana e da imprensa russa em tempo de guerra. Hoje com o jornalista Martim Madeira. Boa noite, Martim.
Boa noite.
Começamos com os destaques do lado ucraniano. Um ataque russo em grande escala à Ucrânia fez pelo menos 22 mortos e mais de 100 feridos, Martim.
Na madrugada, a Rússia bombardeou a Ucrânia com centenas de drones e dezenas de mísseis num ataque violento que, segundo as autoridades, causou a morte de 22 pessoas e feriu mais de 100. Os ataques à cidade como Kiev e Dnipro seguiram-se a avisos russos de ataques sistemáticos contra a capital, após um ataque com drones a um dormitório na região de Luhansk, na Ucrânia, controlada pela Rússia no mês passado. Kiev nega ter visado este dormitório. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que a Rússia lançou 73 mísseis e mais de 600 drones no ataque ocorrido durante a madrugada e pediu a Washington para enviar mais interceptores de mísseis Patriot para repor as reservas cada vez mais escassas de Kiev.
E por falar em Zelensky, Martim, o presidente ucraniano afirma que a Rússia vai atacar a indústria militar ucraniana. É um aviso feito através de uma publicação na rede social X.
Zelensky afirma que os próximos ataques russos serão realizados contra empresas militares ucranianas, devido à ameaça estratégica que o desenvolvimento das tecnologias de mísseis por parte de Kiev representa para Moscovo. Diz ter como base as informações do chefe dos Serviços Secretos de Defesa Ucraniano, Oleh Ivashchenko. O presidente ucraniano também anunciou que estão a ser preparadas contramedidas para indivíduos e empresas que contornem as sanções impostas à Rússia e que Moscovo está a recolher informações sobre as relações de Kiev com a Moldávia, os países do Sul, do Cáucaso e do Médio Oriente.
Olhamos agora para o Kyiv Independent, que destaca as eleições parlamentares na Roménia, Martim.
Eleições que acontecem já no próximo dia 7 de junho e que muitos descrevem como cruciais para o conflito na Ucrânia. O primeiro-ministro pró-europeu da Arménia, Nikol Pashinyan, procura a reeleição para um terceiro mandato, num contexto de tensões com a Rússia e de um apoio aparentemente total por parte dos Estados Unidos e da União Europeia. Um apoio que foi demonstrado por Donald Trump no dia 27 de maio, através de uma publicação na rede social Truth Social. Ao mesmo tempo, Vladimir Putin ameaçou a Roménia de um destino parecido ao ucraniano, caso o país continuasse a aproximar as relações com a União Europeia. Recentemente, Moscovo retirou o embaixador russo da Roménia, cimentando assim esta ameaça feita. Independentemente das pressões externas, o partido Contrato Civil continua a ser o favorito para vencer as eleições, de acordo com os especialistas consultados pelo Kyiv Independent. No entanto, o futuro deste país do Cáucaso do Sul permanece incerto, uma vez que muito dependerá da amplitude da vitória do primeiro-ministro. Se o governo atual garantir uma maioria constitucional, a Arménia poderá ter avanços no sentido de um acordo de paz com o Azerbaijão, rival regional de longa data de Yerevan, afirmaram os analistas. Por outro lado, uma vitória mais modesta poderá significar uma estagnação deste acordo, mantendo a Arménia numa situação de dependência estratégica com a Rússia durante os próximos anos.
Olhos postos agora no Kyiv Post, Martim, que indica que há um antigo chanceler alemão em Moscovo.
De acordo com o jornal ucraniano, Gerhard Schröder foi visto a sair do Hotel Kempinski, em Moscovo. O propósito da visita deste ex-chanceler alemão é desconhecido, mas dá-se poucos dias antes do Fórum Económico Internacional de São Petersburgo, onde é esperado pela primeira vez, desde 2022, que se conte com a presença de um oficial norte-americano. É importante relembrar que Vladimir Putin sugeriu a Schröder para ser o potencial representante da União Europeia em negociações com a Rússia. De acordo com o jornal ucraniano, Schröder é um amigo pessoal de Vladimir Putin, já conhecido pela posição pró Kremlin. Berlim rejeitou esta proposta de Vladimir Putin. O chanceler alemão, Friedrich Merz, disse que devem ser os europeus a escolher o próprio representante.
Continuamos a olhar para o Kyiv Post, que noticia que a Europa está a preparar um novo pacote de sanções à Rússia.
Vai ser o 21° pacote de sanções da União Europeia à Rússia. As medidas foram publicadas na terça-feira e deverão ser apresentadas à Comissão Europeia na próxima semana. O pacote deverá visar ainda mais as receitas petrolíferas da Rússia, o setor financeiro e as redes de invasão às sanções. O jornal cita uma entrevista do portal norte-americano Politico a três oficiais europeus familiarizados com o assunto, que explicam no que consistem estas sanções. Um elemento central do pacote proposto é um plano para manter o atual limite máximo de preço sobre as exportações de petróleo russo. O limite existente expira neste verão e poderá aumentar automaticamente se não forem tomadas medidas. Os países da União Europeia estão, alegadamente, a procurar fixar o limite atual para impedir que a Rússia beneficie dos preços mais elevados do petróleo, que aconteceram devido ao conflito no Médio Oriente. Espera-se também que o pacote inclua sanções adicionais contra gigantes energéticas russos, como a Lukoil e a Rosneft, bem como as novas restrições a navios ligados à chamada Frota Sombra da Rússia e às empresas que apoiam as operações dessa mesma frota. Os oficiais explicam que podem haver sanções ao patriarca Kirill, aliado de longa data de Vladimir Putin e também chefe da Igreja Ortodoxa Russa.
São estes os destaques da imprensa ucraniana.